Combo de Álbuns [1] Sia, Charlie e Kanye

Como nos últimos tempos a vida andou uma loucura – Grammy, mudei de emprego, cobertura de carnaval – muitas coisas vem acontecendo na popsfera e se torna difícil alcançar tudo. A gente faz o que pode, sendo uma pessoa só.

Enquanto você não é a Beyoncé ou Rihanna, que obrigam o mundo a te ouvir mesmo que você já esteja dormindo a essa hora, os outros precisam esperar um pouco para serem ouvidos e resenhados. Por isso, fiquei matutando uma seção neste blog chamada “Combo de Álbuns”, que funcionaria como uma resenha grande de três álbuns lançados recentemente, mas que não tive tempo (ou espaço) para escrever sobre eles no momento do lançamento.

Por três motivos distintos, optei por três artistas bem diferentes entre si – Sia, que lançou o “This Is Acting”, sétimo álbum na sua discografia, no dia 29 de Janeiro; Charlie Puth e seu debut “Nine Track Mind”, também lançado em 29 de Janeiro; e Kanye West, que até o momento só colocou o seu “The Life of Pablo” no famigerado TIDAL desde 14 de fevereiro.

Hora de conferir, de forma bem resumida, esta humilde opinião sobre esses três lançamentos.

Sia – This Is Acting

Ou o “álbum de rejeitadas por uma centena de outros artistas”, não é exatamente a Brastemp do pop, mas tem Cover CD Sia This Is Actingalguns bons momentos entremeados por músicas pouco empolgantes. A graça do álbum, no fim das contas, é saber como as canções dentro da tracklist que foram escritas para outras artistas funcionariam nas vozes das cantoras iniciais – Rihanna, Adele, supostamente Demi Lovato…) e que músicas no álbum foram compostas pra determinada cantora.

Não que algumas faixas consigam manter a identidade da australiana, especialmente quando ela faz limonadas maravilhosas de limões clichês – como em “Birds Set Free”, com uma ótima batida e letra que fala de um assunto óbvio sem ser óbvia; “Unstoppable”, que também tem um clichê muito bem trabalhado; e “Footprints”, com uma certa melancolia mas bem bacana de ouvir.

Em outras músicas, é visível que elas funcionam bem melhor na voz da (da suposta) artista original da canção. Ou você não sentiu V.A. eterno da Sia cantando com aquela voz exótica “Move Your Body” ou “Sweet Design”? Ou a sensacional “Cheap Thrills”? Esse é o problema de lançar um CD só com as recusadas pelas outras A-Lists (e dizer que são músicas feitas para as outras: você não consegue acreditar na interpretação da Sia nessas faixas). Só “Reaper” consegue o efeito de parecer uma música da Sia, mesmo tendo sido composta para outra pessoa.

No entanto, são muitos momentos sem inspiração de uma das compositoras e artistas mais criativas do pop atual – a começar por “Alive”, composta em parceria com Adele (e ainda bem que essa música não passou pelo corte do “25”, a falta de charme da faixa é evidente); “One Million Bullets” (aparentemente a única música que não pertencia anteriormente a outra cantora); “House on Fire” e “Broken Glass”. É como se eu ouvisse a mesma música em pontos diferentes da tracklist.

Por fim, é uma experiência meio estranha ouvir “This Is Acting” – a impressão final é de que você está ouvindo um CD de covers de músicas que nunca serão ouvidas pelas artistas que supostamente cantaram as músicas primeiro. Mas em meio à falta de inspiração recente no pop, acho que emplaca alguma indicaçãozinha ao Grammy – exceto se o resto dos A-Lists lançarem algo de renome este ano.


 

Nine Track Mind – Charlie Puth

Cover CD Charlie Puth Nine Track MindVocê se lembra de quando fiz uma resenha elogiosa sobre o EP do Charlie Puth, “Some Type Of Love”, falando sobre o estilo old-school inocente das faixas e que se aquilo fosse o prenúncio do trabalho que seria no CD completo, o resultado final seria bem bacana? Pois é, eu adoraria dizer que “Nine Track Mind”, debut do rapaz (que ficou conhecido como a voz do refrão de “See You Again”), é um trabalho inspirado e bem feito, mas são 12 músicas que passeiam por (outra vez) a falta de inspiração, tédio, versos vergonhosos para um letrista que mostrou talento em SYA e um pop/R&B digno de boybands de segunda.

As poucas highlights do CD são a faixa de abertura, “One Call Away” (novo single do álbum), que é a base para todo o resto das horrendas midtempos do CD (e é a melhor das que tem um toque moderninho – apesar do verso tosquérrimo “Superman got nothing on me”; mas pra quem veio de “Let’s marvin gaye and get it on”… E olha que eu gosto de “Marvin Gaye”); o primeiro single, com a Meghan Trainor, “We Don’t Talk Anymore”, com a Selena Gomez, um sopro mais pop/tropical num CD repetitivo e chatíssimo; além de “Suffer”, a balada soul que tinha vindo do EP, e “Some Type of Love”, também vinda do EP, e que se destaca em meio a tantas músicas ruins (e ela era a mais fraquinha daquele lançamento);

De resto, muita coisa rasteira – “Losing My Mind”, “My Gospel”, “Left Right Left”, “Then There’s You”, e as HORROROSAS “Up All Night” com o refrão tenebroso, e “As You Are” com o verso vergonha alheia “For you I could climb Mount Kilimanjaro one thousand times”. Como eu cheguei até o final é um mistério insondável.

Não é por nada que recebeu notas baixíssimas dos resenhistas gringos e ostenta um 37 no Metacritic.


Kanye West – The Life Of Pablo

Em meio a tantas confusões pessoais e feuds no twitter, Kanye West mostrou com o seu “The Life of Pablo”, sétimo Cover CD Kanye West The Life of Pabloálbum de estúdio, que o limite entre loucura e genialidade é tão borrado quanto tênue. Se o rapper revelou que o CD é gospel, tem várias referências religiosas, e ao mesmo tempo, uma pegada autobiográfica e temática familiar (como em “Pt.2”, “Highlights”, “Waves”, “Wolves”, e “FML”, o que é curioso – ele tá sempre falando de como ele precisa estar bem e equilibrado para sua família enquanto tenta manter a sanidade com tantas pressões).

Eu gosto do Kanye bem humorado de “I Love Kanye”, da crueza das relações na sensacional “Real Friends”, e do egocentrismo de “Feedback” e nesses momentos ele me parece mais confortável consigo mesmo – e com o próprio estado mental. O negócio começa a ficar um porre quando Kanye chega ao limite do egocentrismo com “Famous” (a faixa da polêmica com a Taylor Swift), “No More Parties in LA” e “Facts” (sério, uma diss pra Nike? Me poupe, se poupe, nos poupe!).

Uma das coisas mais legais desse álbum é que apesar dos samples e das várias participações especiais (para nomear algumas, Chance the Rapper – que rouba a cena em “Ultralight Beam” – The Weeknd, Rihanna, Kendrick Lamar, El De Barge, Frank Ocean e Chris Brown), a musicalidade de “The Life of Pablo” é bem simples. A produção não é over, os instrumentos são orgânicos (apesar de alguns momentos a voz do Kanye sair bem processada) e mesmo com algumas colagens musicais, a maior parte do álbum navega em melodias que ora são mais hip hop ora parecem hinos gospel de uma igreja batista na Georgia.

No geral, eu gostei bastante do álbum (um pouco menos do que eu gostaria, e olha que não tinha as melhores expectativas pra esse CD), mas ao mesmo tempo, senti que em alguns momentos a audição é cansativa. No meio do caminho eu parei um pouco pra ouvir o resto depois, porque eu já estava começando a encher o saco. Não sei se a quantidade de participações especiais começou a me distrair até, ou porque eram 18 músicas; o que eu sei é que o “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” (meu favorito do Kanye) tem músicas imensas e a audição foi muito mais tranquila que esse. Se o lado “gênio” tivesse prevalecido, pelo menos o rapper teria cortado uma série de coisas desnecessárias da tracklist final…

 

E você? Qual foi o seu favorito desses três álbuns?

 

 

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