Beyoncé fez a Beyoncé com “Formation”

Cover Beyoncé FormationApós o lançamento surpresa do “BEYONCÉ”, em que o álbum completo (com direito a vídeos de todas as músicas) foi lançado no iTunes e criou até a expressão “fazer a Beyoncé” (ou seja, lançar alguma coisa de surpresa) – sem contar com toda a discussão social gerada pelo conteúdo do álbum e do que houve no Grammy deste ano, público e crítica começaram a imaginar o que Beyoncé faria no próximo lançamento.

Lançar single e clipe e álbum no formato tradicional?

Jogar o álbum todo no infame TIDAL?

Divulgar o CD no Soundcloud?

Não, Beyoncé basicamente “fez a Beyoncé” e um dia antes do Superbowl em que ela fará participação especial (o headliner é o Coldplay, mas ninguém parece muito interessado neles 😉 ), lançou uma faixa nova junto com o vídeo, chamada “Formation“. O clipe é repleto de referências à cidade de Nova Orleans, Louisiana, e a música é um urbanzão daqueles que funciona como uma continuidade mais pesada à sonoridade do selftitled.

Com produção de um inspiradíssimo Mike Will Made It (a mente por trás das batidas do Bangerz), “Formation” não é exatamente a música mais fácil e acessível do catálogo da cantora. Na sonoridade, a música tem algumas quebras no meio, com inclusão de samples e um refrão que se revela lá no meio do álbum, enquanto Beyoncé emula seu lado rapper, mais versando que cantando. Um urban/hip hop mais pesado e pouco convidativo a um ouvido pop, tem uma letra igualmente contundente, falando de empoderamento – Beyoncé tem orgulho de seus traços, de suas raízes, do seu poder como mulher (no trecho “When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay”, Red Lobster é uma rede de restaurantes que servem pescado – ou seja, se o rapaz fizer o serviço direito, ela leva ele no restaurante – ela paga, btw) e como figura pública.

É uma música com uma mensagem direta, não só da Beyoncé para os críticos ou para a comunidade negra, mas também é uma canção para que a comunidade negra a abrace, especialmente as mulheres – para que elas também digam e se orgulhem de sua estética, de que são bem sucedidas, independentes. Em meio a tantas tensões relacionadas à representatividade negra no show biz (o #OscarsSoWhite é o maior exemplo disso), “Formation” vem para colocar mais um ponto nessa discussão, no sentido positivo de empoderar a população negra – especificamente a feminina.

É uma ótima, grande canção, e impactante – só não vejo como um hit crossover na rádio pop. Não é soft para as rádios pop, mas funciona perfeitamente para o público urban (o público que, imagino, Beyoncé queira continuar ligada agora, nos próximos passos da carreira, já que é um público fiel e não volátil como o pop, que lança e descarta novos artistas a cada mês). Acho que fará um sucesso absurdo nas rádios urban, e se for lançada a tempo no iTunes, pode subir muito por ser Beyoncé (já que o impacto do lançamento foi perdido) (digo se lançado porque a música ainda não está no chart digital /parabéns aos envolvidos), sem contar o fator stream. Vai ficar no TIDAL? Vai manter as views do Youtube?

(a pergunta é: e Beyoncé quer ainda esse tipo de exposição? Lançando “Formation”, seguindo a tendência do “BEYONCÉ”, nascido pela curva ao R&B do “4”, Beyoncé acaba se reposicionando no mercado – acredito que são passos largos para a artista se atrelar a um público que continuará consumindo seu trabalho, por identificação mútua, e por também falar sobre aquilo que esse público quer ouvir.)

E você? O que achou desse novo trabalho da Bey?

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