Indicados ao Grammy 2016 [1] – Performance Pop por Duo ou Grupo

Banner Performance Pop Duo Grupo 2016

A categoria de Performance Pop Por Duo ou Grupo tem origem recente – fez parte da grande “enxugada” que o Grammy realizou em 2011 e que passou a valer para o award do ano seguinte. Essa categoria em questão juntou três prêmios – Melhor Colaboração Pop com Vocais, Melhor Performance por um Duo Ou Grupo com Vocais e Melhor Performance Pop Instrumental. Ou seja, geralmente os indicados nessa categoria são featurings, faixas lançadas por bandas e músicas instrumentais.

Exceto por 2012, só os grandes hits foram indicados e venceram nessa categoria. No ano inaugural (2012), a vitória ficou com Tony Bennett e Amy Winehouse, por “Body and Soul”, acredito eu por conta da gravação dela ter sido a última antes de morrer (e o primeiro lançamento após seu falecimento), além da música ser bonita, elegante e bem produzida.

As vencedoras nos anos seguintes foram “Somebody That I Used To Know” (2013), “Get Lucky” (2014) e “Say Something” (2014). Já neste ano, os indicados continuam na mesma linha de grandes hits, com destaque para os dois dos maiores hits do ano, em charts e impacto.

Primeiro, os indicados

Florence + the Machine, “Ship to Wreck”
Maroon 5, “Sugar”
Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”
Taylor Swift feat. Kendrick Lamar, “Bad Blood”
Wiz Khalifa feat. Charlie Puth, “See You Again”

Agora uma análise da chance de cada música (clique em continuar lendo)

Florence + the Machine, “Ship to Wreck”

Indicada nesta mesma categoria em 2013 com “Shake It Out”, Florence Welch e sua turma voltam a dar as caras com “Ship To Wreck”. Uma faixa meio pop rock com acompanhamento de violões dando um ar up numa música que fala sobre comportamento autodestrutivo, é mais um acerto da Florence, que mesmo não fazendo a linha radio-friendly, sempre consegue lançar músicas que tem personalidade e conseguem te conquistar, mesmo não sendo “fáceis” quanto outros singles pop que circulam pelo mainstream. Esse é o caso de “Ship To Wreck”, que se torna empolgante através da interpretação que mescla um “etéreo” com uma certa agressividade que é bem-vinda.

Eu gosto muito da música, e como canção, acho ela bem produzida, bem interpretada e forte. No entanto, não é suficiente ser uma boa música para levar o Grammy. A academia analisa sucesso e impacto, e mesmo quando a música não faz a linha “radio-friendly”, ela pode ter tido algum tipo de buzz que tenha chamado a atenção e levado a canção a se tornar memorável de alguma forma, e apesar de ter um devotado grupo de fãs e quem acompanha música pop sempre curtir o som da banda, “Ship to Wreck” bateu na trave do Bubbling Under (#114), e entre os outros indicados, não teve metade do impacto como parte da esfera pop. Esse combo mata as chances da faixa na categoria, e mesmo com Florence + The Machine mais uma vez recebendo prestígio da bancada com mais uma indicação, eu ainda espero que esse prestígio se torne realidade – porque é um trabalho muito sólido pra ficar mais um ano sem Grammy.

(é que esse ano tá difícil mesmo, Flo, sério)

 

Maroon 5, “Sugar”

A era “V” trouxe alguns frutos para o Maroon 5 (não foi o sucesso espetacular que todo mundo esperava), como três top 10 seguidos, mas buzz mesmo foi com a faixa pop despretensiosa “Sugar”. Retomando liricamente os temas do M5 e com o vocal de Adam Levine menos irritante que as interpretações mais recentes dele – sem contar com essa vibe oitentista que lançou comparações com “Birthday” da Katy Perry (mas são músicas tão diferentes que não consigo dizer qual é a melhor). No geral, “Sugar” é bem redondinha – aquela música que você não dá nada, mas que na verdade vai crescendo com você à medida em que você vai ouvindo (eu comentei rapidinho sobre a faixa na resenha que fiz do álbum no já distante 2014) – e apesar de nas previsões do Grammy eu tê-la incluído e tirado do corte final, é uma faixa que merece a indicação – tanto pela qualidade da música quanto pelo impacto esperto da faixa nos charts com o vídeo viral.

A palavra de ordem é “impacto” – a música passaria totalmente despercebida se não fosse o vídeo sensacional do Maroon 5 invadindo casamentos (reais ou não). A faixa casou direitinho com o humor do clipe e deu um up bacana na música, que foi um hit certeiro para a conta do grupo (o peak da faixa foi #2, já que “Sugar” hitou justamente na “Uptown Funk season”) e ainda colocou mais uma indicaçãozinha ao Grammy para Adam Levine e seus amigos. No entanto, apesar da música ser bem bacana e gostosinha e cumprir sua função, não a vejo como favorita. Especialmente porque tem faixas bem melhores, bem mais marcantes, mais bem sucedidas e com mais cara de vencedoras de Grammy.

(mas fica aqui o apelo para lançamentos mais em consonância com o som da banda, Adam)

Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”

Quando eu falo em impacto, sucesso e cara de vencedor de Grammy, eu tô falando justamente dessa música. É o hit massivo e monstruoso do qual a gente ainda não se cansa, mesmo com os inúmeros virais, as sei lá quantas semanas em primeiro na Billboard e todas as vezes que você ouviu no Spotify quando a música estava no auge. Tudo graças à produção absolutamente inspirada do atual “produtor-que-todos-querem” Mark Ronson, pegando o funk setentista e colocando um sabor contemporâneo, à interpretação mais agressiva do Bruno Mars (bem mais que nas suas próprias músicas, o que eu ainda espero acontecer no terceiro álbum) e uma certa autoconfiança um pouco exagerada que exala por toda a música. Não dá pra não se sentir “tão quente que faria um dragão se aposentar” enquanto anda pela rua ouvindo “Uptown Funk”.

Além de ser uma música excepcional (eu já tinha comentado sobre a faixa na resenha do vídeo em novembro do ano passado), a faixa se tornou um inescapável hit, com as 14 semanas em #1 na Billboard (e muitas orações de lambs pedindo que a faixa não chegasse às 16 semanas por causa de “One Sweet Day”), os virais, as três únicas apresentações da música (espertamente em três programas de impacto na TV americana), a excelente recepção da crítica e como a música acabou carregando o álbum todo para a indicação ao Grammy de Melhor Álbum Pop. Mas como a conversa aqui é Performance Pop por um Duo ou Grupo, o favorito está aqui. A menos que Paul Walker atrapalhe, “Uptown Funk” tem todas as características de uma faixa que os votantes adoram – algo que presta homenagem a um som antigo mas sem parecer datado; uma música de sucesso e com aclamação da crítica; e impacto na cultura pop e na indústria (basta observar os recordes nos streamings, no chart digital e nas rádios, que a música alcançou). Ou seja, uma ameaça tripla.

(cadê o terceiro álbum, seu Bruno?)

Taylor Swift feat. Kendrick Lamar, “Bad Blood”

O remix que virou single pode ser classificado mais como “Kendrick Lamar feat. Taylor Swift”, já que a moça só canta o pré-refrão, o refrão e a ponte. Dando um sabor mais urban/hip hop à faixa mais controversa do “1989”, a música ganhou um ar mais pesado com o foco na bateria e tirando um pouco daquele corinho da versão solo – sem contar com a música ter acelerado um pouquinho e ficado menos “teenager”. Eu particularmente gosto tanto da versão solo quanto a do featuring, e “Bad Blood” é o tipo de música que pedia um featuring de um rapper, curiosamente; e o criativo e genial Kendrick Lamar foi uma adição de luxo à música. É um bom trabalho.

Mas um trabalho que empalidece diante de outros indicados aqui. O remix é interessante e fez bastante sucesso (inclusive chegando à primeira posição na Billboard), mas “Bad Blood”, em retrospectiva, não era uma das melhores músicas do CD e muito do sucesso da faixa se deve ao buzz sobre a música ser sobre “Katy Perry” (bem antes de ouvirmos a canção), o vídeo cheio de estrelas e bem produzido do Joseph Kahn, e evidentemente, porque foi um grande ano de consagração de Taylor Swift. Mas existem aqui canções mais bem sucedidas e de maior impacto (além de melhores no quesito “música”) que “Bad Blood”. A faixa está aqui porque justamente está dentro do pacote das várias indicações da cantora nesta era, mas não é uma grande favorita, com “Uptown Funk” e a próxima música disputando as atenções. O sucesso e o impacto (olha nós aqui outra vez!) foram absurdos.

(e não seria melhor Taylor e Kendrick se unirem num trabalho inédito, ao invés de serem lembrados por um remix?)

Wiz Khalifa feat. Charlie Puth, “See You Again”

Se Paul Walker conseguiu destronar a “Uptown Funk season”, lançando a “See You Again season”, que durou 12 semanas não-consecutivas no topo da Billboard Hot 100, será que ele teria forças para levar a música ao Grammy? Pois é, o sucesso obsceno da faixa-tributo ao ator de “Velozes e Furiosos 7” colocou o nome de Charlie Puth no mapa e deu a Wiz Khalifa seu maior hit; mas nada disso seria possível se, para além da música ter sido incluída no local certo do filme (no emotivo final, em que a minha mãe saiu com os olhos marejados da sessão), trata-se de uma canção simples e eficiente. Quem nunca sofreu com a perda de alguém querido, alguém que você considerava (se não era?) parte da família? Com uma pegada hip-hop/pop acompanhada por um piano (que lembra algo produzido pelo Ryan Tedder), os versos simples e diretos do Wiz e o trabalho vocal agradável (e super polido) do Puth, é uma daquelas músicas que você canta junto, se identifica junto e lembra a letra completa.

Como estamos falando de impacto, é importante ressaltar que a música conseguiu ultrapassar a relação dela com o filme e viralizou em várias situações. Vi memes no 9gag usando o refrão da música, uparam um vídeo na página do facebook “Legado da Copa” associando a música com a seleção brasileira; sem contar, é evidente, a relação óbvia com as homenagens a Paul Walker. O caráter pop da canção – um hip hop pop mais “acessível” (tanto que está indicada aqui nesta categoria) – tornou a faixa um sucesso para vários públicos. É uma música que, ao contrário de outras faixas, onde eu sempre uso o termo “agressivo”, “peso”, a força dela está na simplicidade e na efetividade da mensagem. Uma simplicidade tão poderosa que a torna a outra favorita ao Grammy (e como vocês já devem estar sabendo, está indicadíssima ao Globo de Ouro, o que já é meio caminho andado para o Oscar), e a rival de “Uptown Funk” pelo gramofone.

(será que com o Grammy finalmente o Charlie Puth emplaca de vez?)


CONCLUSÕES

Quem ganha: É um duelo de titãs, com duas faixas com temas, estilo, sonoridade completamente opostas e que fizeram um sucesso estrondoso. Mas eu acho que o peso dos nomes envolvidos em “Uptown Funk” é maior que em “See You Again”, sem contar que na prova dos 9 UF é melhor como música e fez quatro semanas consecutivas a mais de sucesso.

Quem deveria ganhar: Não sei… Eu ficaria contente com qualquer uma das duas.

Quem será o “dark horse” da categoria: Se o Grammy estiver disposto a consagrar Taylor Swift nos moldes de Adele/Beyoncé, “Bad Blood” leva.

 

O próximo post de indicados ao Grammy vai tratar de uma categoria em que, até dia desses, eu achava que tinha um favorito. Mas hoje, tudo pode acontecer. É a de Melhor Performance Pop Solo. Até lá!

 

 

 

Anúncios

Um comentário sobre “Indicados ao Grammy 2016 [1] – Performance Pop por Duo ou Grupo

Comente aqui!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s