Hora de falar dos indicados ao Grammy 2016

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A premiação do Grammy 2016 está marcada para o dia 15 de fevereiro – uma segunda-feira – e as categorias já foram reveladas. Como sempre, a bancada misturou os nomes mais bem sucedidos do ano com os acts respeitados pela crítica, criando uma tentativa de equilíbrio que traz problemas – porque nem sempre os nomes aclamados foram lembrados e quem passou despercebido acaba recebendo uma indicação que ninguém espera.

Geralmente, é uma mensagem que a Academia passa, quando ela estrutura os indicados – especialmente no Big Four. Mas este ano, sinceramente, eu não sei o que ela quer dizer haha

Lembrando sempre que, assim como fiz nas previsões (onde vocês podem ver o primeiro e segundo posts dedicados a isso, pra ver o quanto errei ou não 😉 ), o foco das análises do blog será no General Field (Álbum do Ano, Canção e Gravação do Ano – exceto Artista Revelação) e nas categorias pop (Melhor Álbum Pop, Performance Pop Solo e Por Duo ou Grupo).

Primeiro, os indicados:

ÁLBUM DO ANO

Alabama Shakes, “Sound and Color”
Kendrick Lamar, “To Pimp a Butterfly”
Chris Stapleton, “Traveller”
Taylor Swift, “1989”
The Weeknd, “Beauty Behind the Madness”

CANÇÃO DO ANO

Kendrick Lamar, “Alright”
Taylor Swift, “Blank Space”
Little Big Town, “Girl Crush”
Wiz Khalifa feat. Charlie Puth, “See You Again”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”

GRAVAÇÃO DO ANO

D’Angelo and the Vanguard, “Really Love”
Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”
Taylor Swift, “Blank Space”
The Weeknd, “Can’t Feel My Face”

MELHOR ÁLBUM POP

Kelly Clarkson, “Piece By Piece”
Florence + the Machine, “How Big, How Blue, How Beautiful”
Mark Ronson, “Uptown Special”
Taylor Swift, “1989”
James Taylor, “Before This World”

ARTISTA REVELAÇÃO

Courtney Barnett
James Bay
Sam Hunt
Tori Kelly
Meghan Trainor
MELHOR PERFORMANCE POP POR DUO OU GRUPO

Florence + the Machine, “Ship to Wreck”
Maroon 5, “Sugar”
Mark Ronson feat. Bruno Mars, “Uptown Funk”
Taylor Swift feat. Kendrick Lamar, “Bad Blood”
Wiz Khalifa feat. Charlie Puth, “See You Again”
MELHOR PERFORMANCE POP SOLO

Kelly Clarkson, “Heartbeat Song”
Ellie Goulding, “Love Me Like You Do”
Ed Sheeran, “Thinking Out Loud”
Taylor Swift, “Blank Space”
The Weeknd, “Can’t Feel My Face”

Enquanto no ano passado a bancada rejuvenesceu, indicando acts bem mais jovens para os principais prêmios, ela “chegou à idade adulta” para o Grammy 2016. Para além dos suspeitos de sempre – Kendrick, Taylor, The Weeknd – entraram players interessantes que já eram ventilados, como a própria Florence, além dos megahits do ano “Uptown Funk” e “See You Again” indicados de forma justa nas categorias a qual pertencem. Aliás, uma palavra que define as indicações este ano foi “justiça”.

Antes que as críticas comecem a pipocar, eu ressalto que o Grammy é um prêmio da indústria. Pode premiar o melhor ou o mais bem sucedido entre os indicados, mas a bancada atende a determinados requisitos que mantem esse equilíbrio relativo entre arte e comércio – porque os “blockbusters musicais” precisam ser premiados para o dinheiro continuar a rodar; e os “álbuns de arte” devem ser consagrados para que a criatividade e a identidade desses artistas seja recompensada – e o “indie” continue influenciando o mainstream. Agora, se tivermos um “álbum de arte” que seja um “blockbuster musical”… Esse é o melhor dos dois mundos.

Voltando ao assunto, é por isso que, quando a gente tenta pensar em prováveis indicados, a gente sempre entra na lógica do álbum pop bem sucedido + álbum alternativo safe choice + álbum de R&B + álbum de hip hop + álbum de country (o que aliás deu exatamente a tônica este ano, com a sensação Chris Stapleton entrando aos 45 do segundo tempo com o “Traveller”). Atende a todos os votantes, todos os fields e deixa bastante buzz para a premiação televisionada ano que vem.

No entanto, a discussão entre arte x mercado que está no fundo de todas as lógicas do Grammy ainda lida, este ano, com a influência que os álbuns tiveram num espectro externo. “To Pimp A Butterfly”, do Kendrick Lamar, é uma aula de história, de empoderamento negro, de resistência e a biografia em rap de um homem procurando um caminho a seguir, tendo que exorcizar seus demônios para sobreviver. Se tornou hit em protestos da população negra americana contra ações policiais, foi objeto de aulas nas escolas e virou um ícone cultural. Já “1989”, da Taylor Swift, além de ter quebrado recordes e mais recordes nas vendas de álbuns, também foi o centro da discussão sobre consumo de música na atualidade – Swift defende a valorização monetária da arte, passando pelos streams pagos, gerou muita briga com o Spotify e uma discussão sobre a relevância na atualidade das vendas físicas. Um álbum que mexeu com o mercado, mas também com os nossos hábitos de consumo.

São dois álbuns que representam a discussão entre arte x mercado de uma forma interessante – e que polarizam as discussões sobre quem deve ser o “Álbum do Ano” pelo impacto que cada um teve dentro do espectro onde se encontraram.

Mas vou deixar essa discussão específica para um outro post e continuar com as impressões.

Em Pop Solo, estou bem contente de ter acertado quatro de cinco indicações. Curiosamente, Meghan Trainor, que o Grammy está indicando como Melhor Artista Revelação, não foi indicada a mais nada para 2016 (a novata mais bem sucedida de 2015 e a melhor vendedora feminina de álbuns deste ano – até chegar a Adele), e teve seu nome substituído pela Kelly Clarkson, um movimento da bancada que só classifico como “antiguidade é posto”. Ao contrário da jovem cantora e compositora, que apesar de ter tido uma era bem sucedida, ainda é vista como novata e tem um retorno bem mixed de crítica, Kelly – que tem três Grammy nas costas, dois por Álbum Pop e é bem vista pela Academia, pegou uma vaga que ninguém lembrava de tê-la posto em previsões anteriores, justamente pela era “Piece By Piece” ter sido bem apagada.

A ideia de “antiguidade é posto” e ser “benquisto” pela bancada deve ter colaborado para um corte final de indicados a Álbum Pop menos “pop” ou “teen-oriented” que no ano passado. Além da Kelly, ainda tem o novo álbum do James Taylor que entrou na lista (aliás, tem tempo que um álbum pop de um act mais oldschool não era indicado numa categoria que não seja a “Tradicional Pop Album” – a última vez em que isso aconteceu foi no já distante 2009, em que Eagles e o próprio Taylor foram indicados, mas perderam para Duffy e o “Rockferry”). Os outros indicados também eram os suspeitos da categoria – Taylor, Florence, Ronson, o que torna uma decisão aparentemente lock em relação a “1989” uma caixinha de surpresas – já que as vitórias da KC em Álbum Pop são sempre surpreendentes – e ela tem ao todo quatro indicações nesta categoria.

Pop/Duo é outra categoria com indicados interessantes, e baseadas no sucesso das faixas – como também em como um álbum ou música podem puxar as indicações. Acredito que “Uptown Funk” carregou a indicação de Mark Ronson em Álbum Pop com o “Uptown Special”. No caso da Florence, foi o álbum “How Big How Blue How Beautiful” que deve ter conseguido levar tanto “Ship To Wreck” para a categoria Pop e “What Kind of Man” para o rock field. Aqui, a Academia continua fiel aos grandes hits, e creio que o duelo seja muito mais “Uptown Funk” x “See You Again”, com a Taylor de vela.

UF e SYA continuam merecendo as indicações onde foram destinadas – o primor de produção throwback de Mark/Bruno em Gravação do Ano e a simplicidade e identificação de Wiz/Charlie em Canção do Ano. Os outros indicados em ambas as categorias são fortes, o que torna a disputa nesses dois prêmios bem dura. No entanto, acho a vitória de “Uptown Funk” mais evidente que a de “See You Again”. As duas foram hits, mas UF foi um hit que quase bate um dos maiores recordes ainda existentes, foi viral praticamente o ano todo e ainda é uma grande música. “See You Again” pode enfrentar “Blank Space” e a polêmica “Girl Crush” (o meu azarão da categoria), mas as chances existem.

Já a decisão de Álbum do Ano, no entanto, não é mais no-brainer pra mim – pelo contrário, é aqui em que o equilíbrio pode ser colocado em xeque, ou simplesmente dar a lógica das premiações… Ou o Grammy assumir uma postura e reparar injustiças. Mas vou deixar isso, evidentemente, para os posts mais à frente.

Como dito anteriormente, as indicações do Grammy primaram pela justiça, e a busca pelo equilíbrio relativo entre arte e mercado. Por isso que Rihanna ficou de fora das indicações – nem a força de Kanye West e Paul McCartney foi suficiente para superar uma “era” arrastada e sem impacto (exceto pelo vídeo brilhante de “Bitch Better Have My Money”). Foi o fato de ser uma artista novata e sem o “respeito” da bancada (e por consequência do público) que Carly Rae Jepsen foi esnobada com o “EMOTION” – não adianta fazer um álbum aclamado se 1. ninguém ouviu; e 2. sua imagem está colada com a de uma One Hit Wonder.

Mas é hora de parar com as impressões! As análises categoria a categoria no Pop Field e no Big Four já vão começar, e a primeira é Performance Pop por Duo ou Grupo, o duelo de titãs do pop. Até lá!

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