Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [4]

A primeira vez que o prêmio de Melhor Performance Feminina de R&B foi dado tinha sido na premiação de 1968, quando o Grammy ficou nas mãos de Aretha Franklin com a icônica “Respect”. Atualmente a categoria está fundida com a Performance Masculina e a Por Duo/Grupo na categoria “Melhor Performance de R&B”, mas antigamente, quem dominava esse award era justamente a Rainha do Soul, que levou onze vezes o prêmio, além de ter 23 indicações.

No entanto, na décima-oitava edição do Grammy, em 1976, Ree não estava entre as indicadas, e veria uma artista diferente levar o prêmio – uma artista jovem cuja voz lembrava justamente a sua.

Natalie Cole

natalie-cole Filha do legendário Nat King Cole, Natalie nasceu e cresceu envolta por música. No entanto, não quis seguir literalmente os passos do pai – conhecido pela sonoridade mais jazzística do seu trabalho – e optou por uma carreira como cantora de R&B/Soul, justamente onde Aretha dominava os charts nos anos 60 e 70.

O primeiro álbum de Natalie, “Inseparable”, foi lançado em 1975, na esteira do sucesso “This Will Be (An Everlasting Love)”, e com uma tracklist composta por algumas canções que, curiosamente, tinham sido rejeitadas pela própria Aretha antes de chegarem aos vocais de Natalie. Tanto que pra alguns ouvintes, a jovem cantora soava como Aretha Franklin, e se você ouvir bem “This Will Be” vai achar que a música é dela.


(Aretha ou Natalie TEMPO NA TELA)

Logo a imprensa começou a considerar Natalie Cole como “a nova Aretha”, o que criou aquela rivalidadezinha entre cantoras que os tabloides adoram pimpar. Mas aparentemente, segundo o biógrafo da Aretha David Ritz, ela se sentia ameaçada por outras cantoras que supostamente estariam atrás de seu trono como “Rainha do Soul” – incluindo a própria Natalie. Nem as IRMÃS de Aretha escaparam de seu medo de perder a primazia.

Naquele ano, Ree não chegou a ser indicada ao Grammy de Melhor Performance Feminina de R&B. As outras cantoras consideradas para o gramofone eram Gloria Gaynor com a maravilhosa versão disco de “Never Can Say Goodbye”, Gwen McCrae e a mediana “Rockin’ Chair” , Esther Phillips com outra versão disco (e um final com misteriosos sussurros e gemidos ofegantes) de “What a Diff’rence a Day Makes”, além de Shirley & Company com“Shame, Shame, Shame” (outra faixa disco, o que mostra como a dominância desse estilo já emergia em pleno 1975 – e como o Grammy ainda não conseguia englobar esse estilo numa categoria à parte).

E quem levou o prêmio foi Natalie Cole, classificada como “a nova Aretha”e sendo a primeira artista que não fosse a própria Aretha a levar o prêmio de Melhor Performance Feminina de R&B. Natalie também levou o Grammy de Artista Revelação naquele ano, sendo a primeira vez em que o prêmio foi dado a um artista negro, sendo homem ou mulher.


(Não consegui achar o vídeo de Performance R&B, mas este vídeo de Artista Revelação vale a pena para conferir um pouco do estilo setentista da premiação daquela época)

No ano seguinte, Natalie e Aretha teriam finalmente o encontro de divas na mesma categoria, em que as duas concorreriam ao Grammy. Foi a novata quem levou a melhor, desta vez por “Sophisticated Lady (She’s a Different Lady”), que superou “Something He Can Feel” (faixa lançada pela Aretha como trilha sonora do musical “Sparkle”).

Já o futuro reservou outras histórias para as duas cantoras. Enquanto Natalie Cole e Aretha Franklin continuaram concorrendo ao Grammy nos anos seguintes nesta mesma categoria, mas agora com uma variedade maior de vencedoras, como Thelma Houston, Donna Summer, Dionne Warwick e Stephanie Mills, Aretha se manteve no topo, chegando aos anos 80 com alguns sucessos e ainda com reputação de diva. Já Natalie passou a enfrentar problemas pessoais e vício em drogas – mais precisamente cocaína – que derrubaram sua carreira; e, apesar de alguns lançamentos bem sucedidos no final dos anos 80, quando ela se reinventou como uma cantora de pop/R&B, foi em 1991 com o lançamento de “Unforgettable… With Love”, álbum de covers do pai, Nat King Cole (com direito a dueto post-mortem em “Unforgettable”), que Natalie realmente teve um comeback de verdade, com direito ao Grammy de Álbum do Ano em 1992.


Agora é com você: falando do field R&B, quem você acha que dominará as indicações nesse gênero? Que álbum ou artista merece ser indicado ou vencer o Grammy 2016?


 

O próximo post do nosso esquenta vai tratar de retornos à música de artistas queridos. Eu sei que você adora uma história de comeback; dentre tantas histórias incríveis, vou destacar duas vindas lá dos anos 80. Eu acho que você já sabe quais são… Confira amanhã!

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3 comentários sobre “Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [4]

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