Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [2]

As categorias de rap surgiram no Grammy há pouco tempo, em relação a outros fields. Por exemplo, a categoria de Melhor Álbum de Rap foi criada em 1995, tendo como primeiro vencedor o grupo Naughty by Nature com o álbum “Poverty’s Paradise”. Já a categoria de Melhor Canção de Rap foi incluída no Grammy em 2004, e o primeiro artista a levar o Gramofone foi Eminem, com o clássico “Lose Yourself”.

Mas a primeira aparição do rap foi em 1989, na 31ª edição do award, quando o estilo tinha implodido nos EUA. Public Enemy, N.W.A, LL Cool J já estavam na estrada fazendo sucesso, e por causa da grande quantidade de artistas e músicas lançadas, era de se esperar que a Academia prestigiasse o gênero com uma visibilidade na maior premiação da música.

Mas não da forma como você está esperando.

O problema foi que a premiação para Melhor Performance de Rap não foi televisionada naquela edição, e sim relegada ao pre-telecast, o que deixou muitos artistas aquele ano bem chateados, e provocando um boicote à edição. Os indicados DJ Jazzy Jeff, Will Smith (sim, ele mesmo!) LL Cool J e Salt-n-Pepa participaram do boicote, e muita gente achou que as indicações não foram exatamente justas – já que artistas como o N.W.A foram esnobados.

E curiosamente, o vencedor dessa categoria não foi exatamente um dos mais queridos naquele ano – justamente a faixa do grupo mais “acessível” entre os indicados… é, ele mesmo, o grupo do Will Smith.

Will Smith

Will Smith and DJ Jazzy Jeff 1986. © Michael Benabib / Retna Ltd. USA

Houve um tempo em que Will Smith, mais conhecido pelos papéis nos filmes do Homens de Preto, Independence Day, Eu Sou a Lenda e por ser o pai de Jaden e Willow, era um rapper da Pensilvânia tentando se lançar ao estrelato, ao lado do DJ Jazzy Jeff. Os dois foram um duo de hip hop que estourou na cena no final dos anos 80 com um estilo que os tornou conhecidos na MTV e com um som mais acessível ao grande público, diferentemente do gangsta rap e de um som mais social promovido por outros grupos.

A faixa vencedora do Grammy de Melhor Performance de Rap pelo Grammy de 1989 é bem representativa disso. “Parents Just Don’t Understand”. A faixa conta as desventuras de um rapaz de 16 anos que quer ser um garoto bacana de 16 anos, popular na escola e com as garotas, mas que sempre é impedido pelos pais – por conta da lacuna geracional entre eles. A música é divertida, mas bem adolescente, longe do contexto social da vida dura de “Wild Wild West“, do indicado Kool Moe Dee; ou a força social e de implosão de discussões sobre brutalidade da polícia contra os jovens negros em “Fuck The Police“, do esnobado N.W.A.

É um rap inofensivo, para não afetar nem chocar ninguém.


(o interessante desses raps do passado é que as músicas eram enormes, muitos versos, e um refrão bem discreto. Hoje em dia, você lembra mais dos refrões das músicas do que dos versos em si)

O principal sucesso da dupla foi “Summertime“, do quarto álbum. Um som mais maduro que os outros singles, também levou Grammy, de Melhor Performance de Rap por um Duo ou Grupo em 1992.

Curiosamente, o nome “The Fresh Prince” da série conhecida aqui no Brasil como “Um Maluco no Pedaço” tem a ver com o nome artístico do Will Smith, já que a série surgiu na esteira do sucesso musical do então rapper; e o Jazzy Jeff participava da série também (lembra do amigo malucão Jazz? E de como eles se cumprimentavam?).

A partir de 1993, Smith decidiu continuar a carreira de ator de forma integral, além de se lançar numa bem sucedida carreira como rapper solo, ganhando mais dois Grammy nos anos 90. Já DJ Jazzy Jeff continuou sua carreira como DJ e produtor de acts R&B. E os fãs ainda esperam uma reunião da dupla.


Agora a pergunta fica com você: acredita que teremos surpresas na escolha dos indicados das categorias de Rap? O Grammy pode dar espaço a indicados mais “acessíveis” ao grande público? Ou este ano não tivemos nenhuma grande controvérsia a la Iggy Azalea ou Macklemore?


O próximo post do nosso esquenta vai falar sobre um dos momentos mais vergonhosos de toda a história do Grammy. Tem alguma ideia do que seja? Segure as teclas e confira amanhã!

 

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5 comentários sobre “Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [2]

  1. Acompanho o blog desde Julho do ano passado – quando houveram suas primeiras previsões para o Grammy – e desde então leio matéria por matéria que você publica, conferindo praticamente todo dia se há alguma nova postagem. É, sem dúvida, o melhor blog sobre música em circulação na Internet br (É fácil se você comparar com os que atraem mais público, sem modéstia haha)
    Enfim, acompanhei o novo especial desde ontem e, quando li o primeiro, me lembrei diretamente de um Grammy que, com certeza, foi um dos mais polêmicos dos 90’s: a de 1996. A consagração da Alanis e as 6 indicações frustradas da Mariah (que havia tido seu maior reconhecimento pela Academia com o “Daydream” desde o debut em 1990, que levou 2) em pleno casamento com o Tommy – ainda com todos os problemas de produção de vários álbuns que foram indicados – já faz daquela edição uma das mais memoráveis.
    Quis dar essa sugestão de post desde ontem, porque acho que seria bem interessante. 😉
    (Aliás, acho que a única controvérsia na categoria Rap desse ano será a não indicação da Azealia Banks)

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