Hello, it’s Adele… Finally.

A diferença de idade entre eu e Adele é de dois anos. Quando ela surgiu com o “19”, eu ainda era uma adolescente meio chata que achava saber muita coisa do mundo mas não sabia a metade – e na época, não tinha aproveitado o álbum (Só conhecia “Chasing Pavements” e pronto). Aos poucos, fui ouvindo o debut da britânica tímida que tinha uma aparência fora dos padrões do pop e compunha sobre seus sentimentos de uma forma confessional, e que conseguia atrair um público além da minha faixa etária. A sua voz, que ecoava alguém de muito mais idade, não tinha me cativado tanto quanto eu esperava (especialmente por, na época, vir bombardeada de informações sobre a Adele ser vendida como uma “nova Amy Winehouse” pelas vozes parecidas – o que é uma injustiça e uma inverdade para ambas as artistas). Mas eu precisava de tempo.

E tempo, para Adele (e pra mim), é algo que muda, movimenta, catalisa, sepulta as coisas.  Quando eu estava me acostumando com a versão fabulosa de “Make You Feel My Love”, ela aparece com um soco no estômago – “Rolling in The Deep” e todas as emoções de um amor fracassado, traições e resignação pelo fim, tudo envelopado num dos melhores álbuns pop da década, o “21”. Nesse período eu acompanhava melhor música e era uma universitária um pouco mais consciente dos meus (parcos) privilégios, tentando me descobrir como “adulta” em meio às primeiras escolhas profissionais e pessoais. Nunca tinha passado pelas emoções absurdas vividas pela Adele no CD, mas a história dela, a interpretação e as letras tinham um caráter universal. Algum dia, em algum ponto da minha vida, eu poderia passar por alguma decepção amorosa e aquele seria o álbum pra me ajudar na cura disso. “21” está guardadinho com esse objetivo (que espero, fique no campo da hipótese).

Após a trajetória meteórica e brilhante de prêmios, reconhecimento e #1’s, Adele deu um descanso da voz e de todas aquelas emoções. Um marido, um filho, e todas aquelas coisas comuns e tradicionais que as pessoas definem como “vida de adultos”. E quando ela volta calmamente, sem muito esforço, com poucas mensagens e a carta sobre o motivo do seu novo álbum se chamar “25”, o que a Adele escreveu deu um estalo na minha mente. Como se o que ela falasse e o que eu sentisse, mesmo com esses dois anos de diferença, finalmente fizesse sentido pra mim. Quando ela diz: “I miss everything about my past, the good and the bad, because it won’t come back“, é como se ela estivesse falando de mim, das coisas que eu sempre senti falta, das histórias do passado, de não ter responsabilidades, de tudo ser mais simples, de não andar numa corda bamba entre as máscaras de quem você é e de quem você precisa ser diante dos outros. Aí eu entendi que esse álbum “25”, pode ser pra mim, finalmente. Que eu finalmente posso aproveitar plenamente o que Adele tem pra me oferecer porque ela escreveu no momento em que vivo atualmente, com as dúvidas e certezas de quem ainda se recusa a perceber que se tornou adulta.

Mas é hora de falar de “Hello“, o poderoso novo single da britânica, composto junto com Greg Kurstin, conhecido pelos trabalhos com P!nk e Kelly Clarkson. Ao contrário das produções mais acústicas do “19” e das batidas mais marcadas que fizeram parte do inconsciente coletivo do “21”, “Hello” tem uma produção simples, com algo orquestrado. Uma balada pop com tons épicos e uma letra confessional, pode parecer destinada a um ex-namorado, sobre conversar a respeito do passado e se perdoar – mesmo que o rapaz não esteja tão disposto a isso. No entanto, outra hipótese diz que a música se refere ao pai de Adele, que abandonou a família quando ela era pequena, e os dois estavam ensaiando uma reaproximação. Essa habilidade de, com simplicidade, compor músicas que se relatem a qualquer situação e sejam identificáveis com qualquer um, tornam a música da Adele universal – e como esse apelo atinge a todas as idades. Quem nunca teve que lidar com relações fragmentadas? Com alguém com quem você não se dá há algum tempo e sente a necessidade de retomar o contato, nem que seja pra pedir perdão?

A interpretação da Adele ajuda muito nisso – com sua voz evocativa, que supera os seus atuais 27 anos, ela parece vinda de um outro tempo, uma mulher de mais idade rememorando um passado que pode servir a todos nós.  O vocal da britânica, que começa como se fosse um bate-papo cantado nas estrofes, explode num refrão maravilhoso, mostrando que a voz da Adele está tinindo, melhor do que nunca, e como vinho.

De fato, a melodia da canção explode mesmo no último refrão após a bridge, mas o vocal da britânica já faz todo o trabalho de te situar lá atrás.

E como ser #1 é o que a gravadora quer, no fim das contas, já foi lançado logo o vídeo de “Hello”, dirigido por Xavier Dolan. É Adele sendo Adele – clássica, emocional e timeless.

 

 

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