Tinashe – Player (feat. Chris Brown)

Cover Tinashe Player feat. Chris BrownO segmento R&B feminino acabou se tornando um local de nicho: ou você fica restrita às rádios do gênero, esperando uma oportunidade de lançar um single crossover para ser ouvido pelo grande público; ou os nomes antigos tentam misturar R&B e pop para recuperarem o público perdido.

Ou você é a Beyoncé.

Ou você não tem definição e está numa categoria só sua, tipo a Janelle Monaé.

Quando a Tinashe surgiu como um furacão, com a deliciosa “2 On”, além das letras sensuais e o clima sexy do debut “Aquarius”, ela foi vista como um dos sopros de renovação do gênero. Ao contrário do estilo “diva do vozeirão”, já consagrado pela Bey, a jovem cantora e compositora bebe da fonte dançante, das vozes com menos potência, a fonte de uma Ciara, que no fim é a inspiração vinda da Janet Jackson.

Bonita, talentosa, ótima compositora, com presença de palco invejável e ótimas coreografias, Tinashe estava pronta para estourar. No entanto, talvez pelo conteúdo menos palatável das músicas ou pelo fato das músicas serem “pouco crossover”, o grande público não seguiu as críticas elogiosas dos grandes sites e revistas. Por isso, a própria Tinashe decidiu, em seu segundo álbum, lançar um CD com potenciais sucessos e se tornar um nome forte na popsfera.

Além de ter se unido com o midas pop, Max Martin (e o Dr. Luke), Tinashe optou por lançar como lead-single do “Joyride” (o nome do segundo CD) uma faixa mais pop com featuring de um dos nomes mais conhecidos do cenário urban/R&B, o controverso Chris Brown. Ou seja – uma faixa com apelo universal mas sem alienar a fã-base: “Player

A faixa consegue ser mais pop que qualquer coisa do “Aquarius”, que tinha uma ambientação muito específica, em som e letras. Bem mais pop que os singles mais pop da Tinashe (“2 On” e “All Hands on Deck”), tem uma estrutura que começa numa pegada meio mid-tempo urban/R&B e explode num refrão pop dance-y (que me lembra muito esse electro-R&B oitentista que andou hitando em 2014-15 tipo “Love Me Harder” e “Good Thing”), uma atmosfera sexy sobre romance e sexo mas de uma forma palatável e a depender da radio edit, não perde o sentido da música – todo mundo pode ouvir. Aqui, Chris Brown não aparece na sua versão cantor (exceto no refrão, onde dá pra ouvir a voz de fundo do rapaz), e sim numa pegada mais “rapper”.

“Player” consegue cumprir bem o objetivo de apresentar uma Tinashe mais pop mas sem perder seu crédito urban R&B, até mesmo com um featuring bem colocado do Chris Brown (que não é exatamente um dos meus artistas favoritos), que aparece não como um convidado “forçado” na música, e sim um complemento à relação que é contada na primeira parte da canção pela Tinashe. A faixa é grower e tem chances de hitar muito nas rádios R&B – além de fazer boa figura nas rádios pop, já que 2015 é o ano em que ninguém sabe exatamente o que tá hitando de verdade – já teve pop puro, R&B, hip hop, funk, EDM e até dance tropical. Evidentemente, se a gravadora colocar a moça nos principais programas, nas premiações e até divulgando na feirinha da esquina, já que 1. a Tinashe só é conhecida de um público de nicho; e 2. a música não é exatamente a explosão que se espera da moça.

A estrutura de “Player” é muito esquisita – parece que são três músicas em uma (como se ela e os produtores pensassem em algo que misturasse as influências R&B/urban dela com uma pegada pop pra chamar o grande público mas ao invés de fazer isso numa música só, pegaram colagens de melodias diferentes que custam a funcionar como uma unidade), o refrão é grower mas pop demais pro resto da canção, e eu sinceramente não consigo imaginar uma coreografia destruidora pra essa música como a gente já viu outras vezes da Tinashe. Eu tô tentando gostar muito da música, tentando achar incrível, mas fiquei com a sensação de que podia ser melhor como o “estouro” dela no mercado pop.

(e não, essa não é produção do Max Martin). (e sim, é produzido pelo Max Martin. Não foi um dos melhores momentos dele, aliás)

(pior que eu sei que vou ouvir horrores a faixa, cantar juntinho o pré-refrão, mas sempre com a sensação de que “podia ser melhor”)

E você, gostou de “Player”?

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