JoJo em dose tripla com o Tringle

Joanna Levesque foi uma das primeiras artistas de quem eu realmente gostei, de verdade, e a primeira cantora pop cuja carreira comecei a acompanhar.  Tinha a mesma idade que ela na época (comecei a acompanhar no fim da era do primeiro CD self-titled – lembro até mesmo de alguém recomendando o som dela no falecido Orkut, aí fui caçar e ouvi tudo), então me sentia identificada – ela também fazia o gênero de música que eu curtia, tinha um jeitão normal, e uma voz poderosa para alguém tão nova. Fazia esforço pra baixar os álbuns, acompanhar lançamento de singles, torcer pra que conseguisse indicação ao Grammy…

Mas ser fã de JoJo não é igual a ser fã de outros artistas. A carreira da menina prodígio do R&B, que com 14 anos já tinha um hit marcante, “Leave (Get Out)” e aos 16 possuía outro hit crossover com “Too Little Too Late”, foi boicotada pela própria gravadora, Blackground Records, que impediu o lançamento de outros singles futuros, álbuns inteiros, e até mesmo quando JoJo conseguiu uma forma de lançar “Disaster”, single do defunto “Jumping Trains” (que seria o terceiro álbum, cujo nome antes era “All I Want Is Everything”), o lançamento não foi pra frente ainda por questões judiciais com a gravadora, que simplesmente impedia que ela lançasse qualquer material.

Uma história que durou quase uma década, e nesse período, JoJo construiu uma reputação com uma base de fãs independentes e outros fiéis, que ainda esperavam um lançamento mainstream para mostrar que aquela garota talentosa de 2004-2006 ainda era relevante e faria barulho hoje em dia. Essa reputação foi construída através de mixtapes elogiadas como “Can’t Take That Away From Me” e “Agape” (bem mais experimental que a primeira), animando muita gente a respeito do que a JoJo ia trazer de material se estivesse numa grande gravadora.

E no ano passado, finalmente a longa jornada de Joanna Levesque teve fim. Finalmente liberada do contrato com a Blackground após um acordo entre as duas partes, ela assinou um contrato com a Atlantic Records, e passou todo o tempo gravando e compondo para enfim lançar o terceiro álbum. JoJo ainda lançou outra mixtape, #LoveJo, com covers famosos, até como aperitivo para o que viria a seguir.

E veio. No formato de TRINGLE.

Cover JoJo Tringle O formato de “tringle” é o lançamento simultâneo de três singles, de uma vez. Serão lançados em rádios diferentes, terão vídeos específicos, tudo como manda o figurino, mas ao invés da JoJo voltar com uma música só, acredito que a ideia era colocá-la em todos os formatos possíveis para sedimentar o comeback. Só que, para fazer uma estratégia dessas, você tem que ter MUITA confiança na escolha das músicas.

Felizmente, as faixas são incríveis, e mostram um vocal marcante, característico, potente e maduro da Joanna – além de uma bem-vinda versatilidade:

  • When Love Hurts – um club banger, dance bem noventista, lembra algo como “Walking On Air”, mas com um ar menos vintage. Elegante e bem produzida, a letra trata de um relacionamento com sua sorte de problemas, onde ela sabe que quando amar machuca, é quando é real. O refrão é lindo e forte, e essa pegada mais dance foi muito bem vinda pra JoJo, numa seara COMPLETAMENTE nova pra ela. Pensei que iria odiar no primeiro acorde, mas me vi dançando no meio do refrão!
  • Save My Soul – mantendo a tradição de mid-tempos da Jo (oi “Too Little Too Late”, “Disater”, “Forever in Your Life” – essa é uma unreleased sensacional que tá na net, google it!), essa tem um flavor moderninho (a batida me lembra muito essa pegada R&B/pop com vibe oitentista como “Love me Harder”, ou mais pop como “Style”, ou “Good Thing” – só que no caso de SMS, mais puxado pro pop que pro R&B). A letra trata de um relacionamento abusivo e bem destrutivo (JoJo, vc tá com algum problema amiga? me ajuda a te ajudar!). O refrão é bem grower (de primeira você pensa “hã?”, mas aos poucos vai te conquistando a cada ouvida), e o na na na na na yeah fica na cabeça.
  • Say Love – quando disseram que essa seria uma fan favorite, não mentiram. ESSA É AQUELA FAN FAVORITE DA VIDA! A balada pop/R&B sofrida (sdds “Never Say Goodbye” do primeiro álbum!) em que a Jo pede ao boy que diga “eu te amo” e o incômodo dela em mesmo sabendo que o ama, não se sente tão bem assim ao lado dele (você tá bem mesmo? sério, me manda um snap), com um refrão marcado anos 90 e o final acapella pra matar todo mundo e cortar os pulsos com a faquinha de plástico! QUERO CHORAR!

Deu pra ver que eu amei tudo né? Como fã, estava preocupada em detestar tudo e querer a JoJo em casa fazendo mixtapes que ninguém iria ouvir, mas a escolha mais pop/R&B com esse pacote levemente vintage (e a departure dance em “When Love Hurts”) foi certeira para trazer novos fãs, não alienar os antigos e ainda manter a base mais indie que ela ganhou ao longo dos anos. Além disso, as músicas são boas demais, comerciais, fresquinhas para as rádios e adultas – ou seja, ao contrário de “Disaster”, ela não ficou nos 16 anos e mostra que cresceu.

Falando em estratégias de venda, a gravadora foi inteligente em escolher WLH como single de divulgação massiva. A música é a mais comercial, mais radiofriendly sem ser genérica, e funciona bem na rádio. É uma música fácil, chiclete, rapidinha e deve funcionar muito bem ao vivo (já imaginando os agudos e whistles da Jo). Com certeza eles vão lançar SMS numa rádio AC e Say Love nas rádios R&B (ou o contrário, as duas funcionam bem em ambos os fields); mas o que interessa é que o Tringle (que é praticamente um EP de abertura de trabalhos) é uma jogada genial de comeback. Uma pessoa que ficou praticamente oito anos fora da mídia mainstream e que talvez quase ninguém lembrasse mais precisa de algo chocante e direto ao ponto para ficar na boca do povo outra vez. No caso da JoJo, mostrar a versatilidade do som através de três singles com potencial – e que mesmo diferentes, partem de um conceito bem parecido (percebeu como um relacionamento destrutivo permeia em menor ou maior grau as três músicas?) é uma ideia fantástica – e fico feliz que a Atlantic tenha comprado a ideia. Por isso que eu adoro essa gravadora!

E o que você achou desse estouro em formato de comeback?

 

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