Previsão Video Music Awards 2015 [3] Melhor Vídeo de Rock

O rock foi um dos gêneros que mais sofreu com as atuais mudanças na música mainstream. Sempre entre os estilos mais ouvidos – e fortalecidos – pelo consumo nas rádios e a forte fã-base, atualmente está restrito a um nicho, pela própria ascendência e dominação do pop sobre todos os outros gêneros, que “popficou” tudo pela frente, até mesmo despersonalizando gêneros (veja o que o R&B vem sofrendo até hoje). O rock se fechou para não correr muito esse risco, e mesmo assim, pelo grande público não compreender exatamente o que é o rock e suas vertentes (e por muitos consumidores específicos focarem exatamente em tipos específicos – e mais tradicionais – e deixarem de lado possíveis “experimentações” dentro do rock), até mesmo jurados e bancadas de award penam para determinarem o que é exatamente rock ‘n roll.

O fato é que – entra ano, sai ano, entra modinha e sai modinha, a categoria de Melhor Vídeo de Rock sempre está no VMA marcando presença, mesmo que os indicados não sejam os preferidos do público, e mesmo que um dos concorrentes seja com um vídeo lançado há dois anos (!), o que mostra bem o quanto a bancada está “inteirada”. Mas é o que temos… Pelo menos a lista deste ano mostra alguns nomes que fizeram certo barulho e não deixaram o gênero sumir em 2014-15.

Primeiro os indicados:

BEST ROCK VIDEO
Hozier – “Take Me To Church”
Fall Out Boy – “Uma Thurman”
Florence + the Machine – “Ship To Wreck”
Walk the Moon – “Shut Up and Dance”
Arctic Monkeys – “Why’d You Only Call Me When You’re High?”

Agora a análise!

 

Hozier – “Take Me To Church”

Eu lembro a primeira vez que ouvi “Take Me To Church” – foi acompanhando esse vídeo, um dos mais contundentes, brilhantes e poderosos do ano passado. A música viralizou muito por causa do clipe: a história de um relacionamento homossexual entre dois rapazes e a reação homofóbica contra esse amor. Em meio a discussões sobre os direitos civis da população LGBT, o vídeo do Hozier entrou de cabeça como um reflexo dos tempos que corriam (e ainda correm), e como música e vídeo casam tão bem.

Eu gosto muito de TMTC, e acho um dos vídeos do ano pra mim. É até surpreendente que a MTV não tenha incluído o trabalho entre os indicados ao prêmio principal – valeria bem mais que incluir mais um vídeo da Taylor Swift pelo buzz. Acho que tem uma força e atemporalidade que traz uma mensagem para além da música e entra num aspecto social e cultural que ressoa em qualquer época, sem contar com o esmero da produção, da fotografia em preto e branco, além da direção (capitaneada por Brendan Canty e Conal Thomson) com uma pegada de filme indie. Outro aspecto importante e que a MTV valoriza é o fato da música ter sido um assombroso sucesso. Hozier alcançou a segunda posição no Hot 100 da Billboard, ficou em primeiro lugar nas rádios Rock americanas e ainda foi indicado ao Grammy de Canção do Ano. São por aspectos como esse que coloco “Take Me To Church” como um merecido favorito à categoria.

 

Fall Out Boy – “Uma Thurman”

Eu lembro da primeira vez que vi um vídeo do Fall Out Boy – era “Dance Dance”. Estava começando a acompanhar música mais que como ouvinte, acompanhando as velhas comunidades do Orkut ❤ , favoritando sites, lendo revistas e tentando me atualizar o máximo que podia. Eu sempre me lembrava dos vídeos do FOB como bem humorados, das músicas sempre upbeat, dos títulos imensos dos singles e de como eles conseguiram superar os colegas que estouraram na mesma época, mantendo uma identidade que eu, apesar de não ser ouvinte do grupo, conseguia enxergar que era algo bem deles. E esse vídeo divertidíssimo é muito a cara do Fall Out Boy! “Uma Thurman” segue o dia de uma menina que ganha um concurso para ser assistente da banda e tem que lidar com os egos, rotinas, exigências e humores dos membros da banda – com direito a ler livros de álgebra, trazer pintinhos e coelhos pra animar o Patrick Stump e participar de uma batalha de paintball! (onde me inscrevo?) Tem até referência ao fim do impedimento do casamento homossexual no Alabama no final do clipe, o que mostra uma banda inteirada do que acontece na sociedade.

A faixa, que tem sample da música de abertura da série “Família Monstro”, tem uma pegada bem tarantiniana – o que inspirou os rapazes a citarem a atriz conhecida pelos filmes do cineasta na faixa. O vídeo tem uma estrutura meio documental, meio reality show, que faz a história da assistente parecer próxima da “realidade”. No final, é bem gostosinho de assistir e deixa uma sensação de “quero mais”. No geral, UT é um ótimo vídeo e vale a pena assisti-lo algumas vezes, mas eu não sei até que ponto apenas “ser ótimo” vale a pena para determinar a vitória. A música foi top 30 na Billboard e chegou à segunda posição nas rádios Rock – além de ter surpreendido muita gente quando chegou à primeira posição no iTunes; e com uma fã-base sólida, o Fall Out Boy até poderia ter chance de ficar com o Moonman, mas em comparação com a concorrência, “Uma Thurman” parece inócuo, até bobo.

 

Florence + the Machine – “Ship To Wreck”

O segundo single do “How Big, How Blue, How Beautiful”, terceiro álbum da banda indie britânica Florence + The Machine é acompanhado por esse vídeo que posso dizer no mínimo intrigante. Como parte de uma historinha contada pela Florence Welch (e que é bom você ter acompanhado os outros vídeos lançados antes pelo grupo pra entender o turbilhão que está passando pela cabeça dessa mulher), desta vez “Ship To Wreck” mostra uma Florence autodestrutiva em seus relacionamentos, sempre oscilando entre uma pessoa “ideal” e alguém a ponto de explodir. O vídeo, dirigido por Vincent Haycock, tem tudo a ver com a música, ainda é acompanhado por uma coreografia do tipo contemporânea, urgente, nervosa, expressiva, dentro de um ambiente tão íntimo e ao mesmo tempo fechado e místico como a casa do vídeo (que aliás, é a casa da própria Florence – por favor, alguém me leva pra lá, é tão bonitinha!).

A ideia e execução de STW são muito boas, sério. Eu gosto muito da coreografia, da interpretação da Florence, como o trio música-vídeo-coreografia funcionam e interagem bem; e o conceito percebido através dos vídeos anteriores. Em resumo, um vídeo bem produzido, esmerado e cheio de significados. E, evidentemente, intrigante. Nunca é fácil jogar pro mundo inteiro ver seus sentimentos e dúvidas na roda. No entanto, “Ship To Wreck” carece daquele impacto, daquele barulho, daquele soco no estômago que te deixa jogado, daquele salto no escuro que te coloca no vazio – e entre os indicados, apenas “Take Me To Church” me passou. É um ótimo vídeo, mas não tão bom o suficiente pra tirar o Moonman do Hozier. Só se o fato da Florence + The Machine ser mais “popular” entre a audiência contrabalançar em algum aspecto, mas eu não acredito muito nisso.

 

Walk the Moon – “Shut Up and Dance”

Eu tenho um fraco pelos anos 80. Apesar de ter nascido e crescido nos anos 90, sempre tive fascinação pela década anterior, e quando qualquer vídeo ou música tem inspiração nesse período, eu tendo a gostar do trabalho, a menos que seja uma porcaria. O que não é o caso da grudentíssima “Shut Up And Dance”, o top 10 da banda Walk The Moon. Eu não sei se os caras imaginavam o sucesso, mas o fato é que todo verão, o público americano sempre escolhe a banda/cantor indie da vez pra adotar e fazer hitar. Foi o caso dessa música, super upbeat pop/powerpop/rock com synths e jeitão anos 80 que ganhou um vídeo igualmente inspirado na década, com direito a animaçãozinha de videogames em 8 bit, figurinos toscos, ambientação oitentista e um clima de filme adolescente do período. Sem contar com as danças awkward e o ar despreocupado da canção. Tudo pronto pra hitar!

Na minha terra, eu chamaria SUAD como “azarão”. Foi hit recente no Hot 100 (o peak foi #4), é uma música ainda fresca na mente das pessoas (lembrando que o grupo vai cantar no pré-show do VMA), o vídeo é bem produzido, apesar da execução simples, mas não faz feio em relação aos concorrentes, mesmo com uma certa despretensão. O extremo oposto da contundência de Hozier ou do caráter artístico da Florence Welch, por exemplo, “Shut Up And Dance” é um candidato mais “safe” pra levar o prêmio: hit, música agradável, e um vídeo que se não é o melhor, pelo menos é agradável. Não duvide das artimanhas da MTV em não querer se comprometer! “Take me to Church” é favorito, mas aqui está a chance mais próxima do Moonman ir pra outras mãos.

 

Arctic Monkeys – “Why’d You Only Call Me When You’re High?”

O famoso “vídeo de 2013” indicado pela “antenada” bancada da MTV para Melhor Vídeo de Rock, o clipe é uma pequeno guia de “não beba demais porque senão você vai ver coisas bem esquisitas”. Dirigido por Nabil Elderkin, o vídeo mostra as tentativas incessantes do vocalista Alex Turner em conseguir falar com uma jovem chamada Stephanie, antes durante e depois de tomar alguns copos de bebida a mais, e como, durante as suas caminhas por Londres em busca da moça, ele a observa em todos os lugares, seja fazendo sexo com estranhos na rua ou nua, na garupa de uma moto. O final é ótimo – ele chega até a casa da moça (ou ao lugar onde ele pensa ser a casa dela), mas a Stephanie mora realmente do outro lado da rua, lê as mensagens do Alex e ignora solenemente.

Trata-se de mais um vídeo esmerado e bem produzido para uma boa música, o terceiro single do álbum “AM”, e que funciona bem com o ritmo do clipe – que aliás, não precisou usar de psicodelia e exageros pra mostrar o estado de alucinação do rapaz durante a narrativa. Pelo contrário: os efeitos utilizados ficaram bacanas, com um desfocado discreto e as imagens passando bem rapidamente – até pra criar a sensação na gente de que talvez aquelas alucinações sejam verdadeiras mesmo. A produção é boa e “Why’d You Only Call Me When You’re High?” consegue te deixar focado até o final pra saber se Alex vai conseguir achar a mulher/falar com ela/ou vai acordar de ressaca no final. Agora, para levar o Moonman… Olha, eu ainda me choco com o fato da MTV ter colocado na lista de indicados um vídeo de 2013, o que mostra bem o interesse da emissora na categoria; e também as chances da produção em ganhar o prêmio. Aqui, o Arctic Monkeys deve ter sido incluído só pra “compor”, tipo: “vamos colocar aqui uma banda respeitável só pra completar a lista e ninguém dizer que a MTV não se importa mais com o rock ‘n roll”. (Y) Essa é uma indicação que pelos motivos mais bizarros possíveis, não vai pra lugar algum.

 

Conclusão

Quem eu acho que vai ganhar: eu vou até repetir “depende da vontade da MTV”, mas acho que pelo impacto, viralização do vídeo, qualidade da produção e o sucesso assombroso da música, leva “Take Me To Church”. Não dá pra fugir muito disso. E o “azarão” da vez não me parece tão forte assim pra tirar o Moonman do Hozier.

Quem deveria ganhar: Dá pra ver pela análise que eu tô torcendo por “Church” né? Não apenas pelo vídeo ser bom, bom, excelente de verdade, mas porque teve um impacto muito forte, e o clipe bombou não por algo que poderia ser meme, e sim por um assunto sério, urgente e relacionado com a música, que emplacou junto.

 

A próxima análise será Melhor Vídeo Pop, em que o duelo de titãs Blank Space x Uptown Funk será testado aqui. Até lá!

 

 

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