Previsões para o Grammy 2016

UPDATE: você pode conferir as previsões atualizadas (chamadas de “The Madness Edition”) aqui

A temporada de especulações sobre o Grammy do ano que vem começou! Jornalistas americanos como Paul Grein já fizeram suas previsões em JUNHO, mas seguindo a linha temporal do ano passado, decidi fazer as previsões por agora. O material já é vasto e os possíveis indicados estão meio que na cara, então acho que teremos pouquíssimas surpresas daqui até o final do ano. O período de eligibilidade para o Grammy vai de 1º de Outubro de 2014 até 30 de Setembro de 2015, ou seja, as bandas e os artistas que lançaram singles e álbuns nesse meio tempo podem submeter suas canções para a bancada do Grammy e torcer para que as escolhidas entrem no corte final.

A minha análise se restringe ao pop field, onde as cartas já estão lançadas desde o lançamento do “1989”, pra ser bem honesta, mas a depender do que as gravadoras mandem, podemos ter surpresas.

(lembrando que eu upo as previsões após o dia 30 de setembro com novas possibilidades porque até lá, muita água pode rolar)

A pergunta que não quer calar é: em quem já podemos apostar nossas fichas? Clique em “continuar lendo“!

Melhor Álbum Pop

A questão aqui é bem evidente: eu vejo um contender fortíssimo e favoritíssimo e uns poucos fazendo figuração pra compor a categoria.

Prováveis indicados

“1989”, Taylor Swift
“Title”, Meghan Trainor
“Uptown Special”, Mark Ronson
“How Big, How Blue, How Beautiful’, Florence + the Machine
“Nick Jonas”, Nick Jonas

Lista de espera

“Rebel Heart”, Madonna
“Everything is 4”, Jason Derulo
“Reflection”, Fifth Harmony

Cover CD Taylor Swift 1989Por incrível que pareça, foi difícil formar o line-up dos prováveis indicados, muito por conta de como determinados trabalhos podem ser vistos pela Academia em determinado gênero, e também por causa do sucesso e apelo do artista durante o período. Além disso, 2015 não foi um ano de lançamentos fortes no pop mainstream, como em 2013, por exemplo. Britney Spears flopou; Rihanna ainda não lançou o CD (e ninguém sabe quando exatamente a barbadiana vai fazê-lo); ninguém sabe quando a Adele vai lançar alguma coisa; Lady Gaga ainda nem lançou single e Katy Perry está em fim de era.

Por isso, listar esses prováveis indicados parece uma missão bem árdua, pela pouca variedade de lançamentos e pela maioria ser de artistas que o Grammy normalmente não se importa muito. No entanto, entre a seara de álbuns do período de eligibilidade, eu confio no “1989” como lock evidente e provável vencedor. O álbum mais bem sucedido de 2014-2015, deu a Taylor Swift três #1, posição de power player na indústria e mais críticas positivas para a sua discografia. Como Swift é uma queridinha da bancada, nada mais óbvio que ela entre no corte final (e vença).

Dessa lista, além do “1989”, o único que eu imagino entrar no corte final é o “Title”, da Meghan Trainor. O álbum é bom (apesar das críticas mistas), coeso, com identidade, trouxe hits para a cantora/compositora e ainda teve uma de suas músicas, “All About That Bass”, indicada no Grammy do ano passado (lembrando que não há problema se a faixa foi indicada e o CD ser indicado um ano depois, a questão é se o CD ganhasse no ano anterior e uma faixa daquele álbum fosse indicada – geralmente a gravadora submete a annoying “versão ao vivo” pra tentar o gramofone).

O resto pra mim são possibilidades que podem cambiar com a turma da lista de espera. “Uptown Funk” será forte o suficiente para levar o álbum em que está contida, “Uptown Special”, para a categoria de “Melhor Álbum Pop”? Mesmo sem a insana repercussão e buzz dos anos anteriores, Florence + The Machine pode colocar o “How Big, How Blue, How Beautiful” no corte final? Será que Nick Jonas pode superar o ranço de “ex-membro de boy band” e levar seu trabalho bem criticado com dois hits à indicação na categoria de Álbum Pop?


Por isso eu considero a lista de espera mais uma “lista de indicados extensa” do que uma série de “reservas”. Não se pode colocar a Madonna de fora de qualquer premiação, e o “Rebel Heart” pode ser a chance da Rainha do Pop se apresentar de novo na premiação ano que vem. No entanto, o desempenho terrível dos singles e a própria resistência dos jurados – se você for um act pop feminino mais experiente que tenha realizado um comeback histórico a la Mariah, Tina, Cher ou a própria Madonna, terá uma chance – à idade da Madonna pode tirar da Rainha do Pop suas chances de entrar no corte final.

Jason Derulo nunca foi queridinho da Academia. Mas o excelente desempenho de “Want To Want Me” e a boa recepção do álbum, que é bem mais coeso que o trabalho anterior, podem ajudá-lo a entrar na lista em Melhor Álbum Pop.

Já as meninas do “Fifth Harmony” estão na cota “teen”. Lembra-se da Ariana Grande este ano? Então, se não fosse o sucesso top 20 “Worth It”, acho que nem teria incluído a girlband aqui na lista de espera, mas acredito que elas podem atender à necessidade do Grammy em atrair audiência jovem, com um grupo com apelo dos fãs adolescentes; e também popularizar os indicados com artistas que se não são unanimidade entre os críticos, não são considerados pela crítica especializada como “ruins” o suficiente para rebaixar o nível da premiação. It’s the 80’s all over again.

Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo

Acho que essa categoria fará a linha “surprise, bitch!” que ocorreu em anos anteriores. Ano passado, muita gente sequer esperava “Bang Bang” ter entrado no corte final, mas a música entrou e deu a Jessie J uma inesperada indicação ao Grammy. Aqui, a situação me parece aberta a indicados curiosos numa categoria em que tudo pode acontecer.

Possíveis indicados

“Somebody”, Natalie La Rose feat. Jeremih
“Uptown Funk”, Mark Ronson feat. Bruno Mars
“Sugar” (live) Maroon 5*
“Love Me Harder”, Ariana Grande & The Weeknd
“FourFiveSeconds”, Rihanna feat Kanye West and Paul McCartney

Lista de espera

“Fifty Harmony”, Worth It”
“Like I’m Gonna Lose You”, Meghan Trainor feat. John Legend

Foi trabalhoso encontrar prováveis concorrentes – tive que recorrer à minha memória e aos dados da Billboard para compor a lista de prováveis indicados (uma prova da pouca rotatividade de músicas memoráveis, além da maior quantidade de sucessos solos, e você logo verá por que). Acredito até mesmo que os indicados não vão fugir dessa lista, porque são as canções mais marcantes que se enquadram na categoria – e de certa forma, as mais interessantes em produção e performance.

Aí você se pergunta: “Somebody”? Música de uma novata no jogo? Pois é, o hit da Natalie La Rose com o refrão Cover Natalie La Rose Somebodyindefectível do Jeremih é um dos samples mais bem colocados no ano e uma das músicas mais bacanas já lançadas no período. Produção simples e efetiva, com uma performance cheia de personalidade da Natalie, pode parecer uma música até avulsa para concorrer ao Grammy, mas não duvido nada de que a bancada possa indicar (se a música for submetida pela gravadora). Foi um sucesso, é um estilo que esteve em evidência no período de eligibilidade, e mesmo que a artista principal seja uma novata, a música tem força o suficiente para alçar voos mais altos. Acho uma provável indicada.

Até prova em contrário, música lock em Performance Pop por Duo ou Grupo é “Uptown Funk”. Tudo bem que você deve estar se perguntando: mas o Mark Ronson não deveria, sei lá, cantar nessa performance? Pois bem, a prerrogativa pra considerar a indicação é o Quincy Jones – em 1989, o lendário produtor lançou o álbum “Back on the Block”, com vários artistas famosos como Ray Charles e Chaka Khan, e levou o Grammy de Álbum do Ano, além de vitórias em categorias como Performance de R&B em Duo ou Grupo e Performance de Hip-Hop em Duo ou Grupo. Ou seja, o precedente existe, e a música tem fortes chances de ser indicada – é um hit massivo e histórico, tem um trabalho de produção impecável, misturando o funk setentista com o balanço pop atual e o sentido de homenagem ao passado, casado com a instrumentação definida, a interpretação agressiva do Bruno Mars e uma das músicas mais inescapáveis da década. Don’t believe me? Just watch!

Ter colocado “Sugar” versão live foi uma espécie de “boninhada” que eu incluí entre os prováveis candidatos. É a cara das gravadoras submeter as bizarras versões “ao vivo” que não diferem em nada das originais só pra cavar uma indicação. Como o “V” foi lançado antes do período de eligibilidade referente a 2016 e “Sugar” foi um sucesso dentro do período que comporta os indicados de agora, acredito que a gravadora pode se utilizar desse estratagema para angariar uma indicação. Deixei em asterisco porque não sei se as regras do Grammy, que mudam a cada manhã, incluiriam esse tipo de indicação de um álbum que sequer foi indicado ao Grammy no ano anterior. Se isso ocorrer, talvez até a versão original possa entrar no balaio. Sinceramente? Se “Animals” tivesse sido lançada no período de eligibilidade, eu apostaria minhas fichas nela. Mas “Sugar” é tão sem graça e comum que acho que só pode entrar aqui pela força da banda mesmo do que possíveis qualidades da canção.

Aí você se pergunta: “Ariana Grande de novo?”. Pois bem, a moça dos Donuts tem chances fortes de entrar na disputa com “Love Me Harder”. Apesar de fazer parte de um álbum indicado ao Grammy no ano anterior (o “My Everything”), o trabalho em questão não levou prêmios, o que colabora com a possibilidade de uma faixa lançada entre outubro de 2014 e setembro de 2015 possa passar pelo corte. (precedente? Christina Aguilera indicada a Álbum Pop por “Back To Basics” em 2007, ganhando Pop Performance no mesmo ano por “Ain’t no Other Man”; e em 2008 indicada por “Candyman”, do mesmo CD) E LMH pode ser essa música. Com uma produção elegante e polida, ambientação adulta e sensual, e os vocais equilibrados da Ariana com o Abel (que a essas alturas está na crista da onda nos charts e pode beliscar indicações solo para o ano que vem), a faixa tem tudo para entrar no corte final aqui. Temos uma jovem artista com uma faixa mais madura, bem criticada de um álbum bem recebido, num dueto com um artista em ascensão e com possibilidades também de ser contemplado com indicações. É a combinação perfeita.

A categoria de “Melhor Performance Por Duo Ou Grupo” também é uma categoria de peso – quem tem peso, nome e relevância pode entrar, mesmo que a canção não mereça. Eu particularmente adoro “FourFiveSeconds” – acho um risco que a Rihanna tomou, uma música simples, despretensiosa e gostosíssima, mas a gente sabe que não foi o sucesso que se esperava – e evidentemente, o Grammy indica e premia sucessos. Mas a junção dos três nomes  envolvidos na música – a barbadiana, Kanye West e Sir Paul McCartney – pode tornar uma música com desempenho aceitável (mesmo tendo ficado no top 10 da Billboard, mas em comparação com outras eras da RiRi, podemos chamar de decepcionante) num indicado forte ao Gramofone.

(Essa categoria parece mesmo um balaio de gatos, e a Taylor Swift poderia ganhar uma indicação aqui pelo remix de “Bad Blood” com o Kendrick Lamar. A música fez sucesso, é bem produzida, empolgante, e os versos do Kendrick estão bem colocados na canção, dividindo igualmente as partes dele e as da Taylor. Parece até que a música nasceu pra ter a participação de um rapper. No entanto, deixei a música em asterisco por uma razão e só ela: por ser remix, a faixa teria de entrar em Melhor Gravação de Remix, Não-Clássico. Ou seja, não sei se a gravadora arriscaria tanto por… Ou não, vá saber se eles querem a Swift ganhando recordes)


A lista de espera é pequena pelos motivos que já falei: a falta de lançamentos em duo ou featuring de peso para animar o ano que vem passando. As duas músicas que incluí são apenas chutes lançados ao vento. “Worth It”, da Fifth Harmony, entra nesse balaio até com mais facilidade que uma indicação a Álbum Pop. Seria até ousado da bancada dar uma indicação a uma girl band, parte de um estilo ridicularizado por muitos. O problema é que os prováveis indicados são mais fortes e mais relevantes que WI. Pelo menos “Somebody” alcançou o top 10 enquanto “Worth It” empacou no #14.

Já “Like I’m Gonna Lose You” é literalmente um chute no escuro. A música sobe bem devagar nos charts americanos, apesar de já ter sido lançado o clipe, mas se a gravadora da Meghan for esperta e querer uma quantidade grande de indicações para a loirinha, deveria investir nessa indicação. Afinal de contas, a Meghan já foi indicada nas categorias principais no último Grammy, John Legend é um artista respeitado e a música é uma graça, outra que prima pelo equilíbrio entre os vocais dos cantores. Pra mim, a faixa só entra no corte final se ‘Title” ficar entre os indicados, e outras músicas do catálogo conseguirem indicações.

Melhor performance pop solo

Aqui a briga vai ser boa! Eu já coloco a Taylor Swift como lock, mas o ano foi tão bom de músicas solo fortes que eu acho que o corte final vai ser briga de cachorro grande – e nem mesmo os favoritos poderão escapar.

Prováveis indicados

“Want To Want Me”, Jason Derulo
“Blank Space”, Taylor Swift
“Earned It”, The Weeknd
“Thinking Out Loud”, Ed Sheeran
“Lips Are Movin”/”Dear Future Husband”, Meghan Trainor
“Love me Like You Do”, Ellie Goulding

Lista de espera

“Can’t Feel My Face”, The Weeknd
“Jealous”, Nick Jonas

Cover The Weeknd Earned ItEu acredito muito que a bancada do Grammy pode dar um empurrãozinho para caber tantos indicados fortes – e algumas injustiças poderiam ficar de fora. “Want To Want Me”, do Derulo, pra mim tem chances altas de entrar no corte final. Apesar dele não ser sequer um queridinho dos jurados, a música foi muito bem sucedida, o CD recebeu boas críticas e a música em si é mais bem trabalhada e bem produzida que outros singles do rapaz. Mas creio que WTWM terá mais chances se a música entrar em Gravação do Ano (eu concordo com o Paul Grein – Derulo tem chances e não ficaria surpresa se conseguisse).

Taylor é lock. Se existem duas certezas no Grammy, uma delas é que a Taylor Swift será indicada (a outra é que ao menos em Gravação do Ano “Uptown Funk” entra). Em Performance Pop Solo, a grande highlight do “1989” é favoritíssima ao prêmio. Faixa excepcional, misturando pop com synth e uma letra esperta com uma interpretação divertida e até irônica da Taylor, tem tudo para levar o gramofone, e merecidamente.

Mas o ano não foi só de Taylor Swift – 2015 teve o boom das trilhas sonoras, e pelo menos duas músicas que fizeram parte de filmes famosos este ano podem chegar ao corte final: são os hits “Earned It” e “Love Me Like You Do”. Bem recebidas por público e crítica, top 10 no hot 100, elas tem o apelo suficiente para chegar ao corte final. Eu particularmente acho que “Earned It” merece bem mais que LMLYD, porque vejo a produção e o trabalho vocal do The Weeknd mais interessantes que o da Ellie – eu acho a música dela bem genérica, até certo ponto: não tem uma explosão, fica ali no mesmo ponto o tempo todo; mas só de ter sido sucesso acho que ela pode entrar.

Como o Ed Sheeran concorreu e não levou, as regras do Grammy indicam que ele pode colocar sua música do “x” pra concorrer – no caso, o megahit “Thinking Out Loud”. Midtempo/baladinha linda, elegante e gostosinha de ouvir, o hino dos casamentos deve ter embalado muitos romances neste ano e essa indicação viria bem a calhar: pelo menos dá a oportunidade da melhor música do álbum brilhar. Na verdade, TOL é a única coisa boa de um álbum tão chato quanto o “x”, que não mereceu nenhuma das indicações para o Grammy deste ano.

E por último, mas não menos importante, eu deixei uma provável indicação da Meghan com uma das duas músicas do “Title” porque não sei como a Epic vai agir na submissão dos indicados. Colocar “Lips Are Movin” na roda seria bom porque foi mais hit que DFH, mas a música é um copy+paste de “All About That Bass”, indicada este ano. “Dear Future Husband” ao menos é diferente e tem uma elaboração mais única em sua produção e trabalho vocal da Meghan, mas não fez tanto sucesso quanto LAM e se for submetida, seria muito difícil entrar no corte final, com a qualidade dos indicados. Mas não descarto a loirinha nessa confusão. Principalmente se o “Title” entrar no corte final de álbuns.


A lista de espera tem músicas fortes, que podem ser indicadas a depender dos movimentos que ocorram no pelotão da frente – ou da mania que o Grammy tem de surpreender todo mundo.

Se o Hozier apareceu aos 45 do segundo tempo em Canção do Ano no último Grammy por “Take me to Church”, por que o The Weeknd não entraria na dança? A música é sensacional, essa pegada funk anos 80 é brilhante, a performance emulando o Michael Jackson empolga e a música é um hit, com grandes possibilidades de ser #1 na Billboard. E eu apostaria no Abel concorrendo com as duas músicas. Por que não?

Já o Nick Jonas é uma indicação que depende muito dos movimentos. Eu acredito que ele tenha mais chances de entrar no corte final de Álbum Pop do que em Performance Pop porque a concorrência em álbum tá menos punk. Aqui tem muita música boa e bem sucedida, muitos hits, tem #1, então a coisa fica mais complicada para o Nick. Mas “Jealous” é uma canção excelente, com uma vibe agradável, inspiração oitentista e interpretação inspirada do ex-Jonas Brothers. Se entrar no corte final, não ficaria surpresa, e sim feliz 🙂

General Field – possibilidades

Record of The Year
(aqui o prêmio vai para o cantor e o produtor da faixa)

Essa é a categoria dos hits. Os grandes sucessos do ano que passou – e que são considerados suficientemente Cover Mark Ronson feat. Bruno Mars Uptown Funkinteressantes para superar a média de seus concorrentes no field específico – entram aqui e tem a chance de levar um dos prêmios mais importantes da noite, um dos Big Four. Normalmente o Grammy inclui nesta categoria pelo menos um indicado de cada field. Ou seja, tem sempre um concorrente do pop, do rock, do R&B/hip hop, do country e outra música de impacto que pode ser de qualquer um desses fields; tudo com o objetivo de ser “democrático” e abranger a maior quantidade de estilos possíveis.

O Grammy deste ano foi bem inusitado pelo caráter extremamente pop dos indicados – o que não creio que vá se repetir este ano. A possibilidade de formações mais variadas se deve por muitos hits surpreendentes que surgiram no decorrer do período de eligibilidade, e podemos ter surpresas aqui também. A única certeza que eu tenho aqui é que “Uptown Funk” é lock (e favorito).

A minha lista de prováveis indicados ficaria mais ou menos assim:

“Uptown Funk”, Mark Ronson feat. Bruno Mars
“Blank Space”, Taylor Swift
“Girl Crush”, Little Big Town
“Earned It”, The Weeknd
“See You Again”, Wiz Khalifa feat. Charlie Puth

– UF é lock e favoritíssima a levar o prêmio. A música recebeu aclamação universal desde o lançamento e é um dos maiores hits da década. É certo entrar no corte final.
– “Blank Space” é a faixa mais celebrada do “1989”, e se tem uma música que merece a indicação a Gravação do Ano, essa música é BS.
– “Girl Crush” talvez seja a música country mais discutida e comentada desse período de eligibilidade. A faixa teve uma história polêmica e acusações de boicote, e a bancada adora premiar um Country.
– “Earned It” é hit e funcionaria bem por aqui, na lógica da celebração do ano das soundtracks. A produção é esmerada, elegante, sensual e obscura na medida certa.
– Cumprindo a cota hip hop (mesmo que numa pegada extremamente pop), “See You Again” é um indicado certo, e ouso dizer que até mais forte que “Blank Space” na categoria. Aliás, outra música de soundtrack.

(outros que podem entrar na lista são “Want To Want Me”, do Jason Derulo; “Shut Up and Dance”, do Walk the Moon”; “Love me Like You Do”, da Ellie Goulding; “Thinking Out Loud”, do Ed Sheeran; “Jealous”, do Nick Jonas; “Lips Are Movin” ou “Dear Future Husband” da Meghan Trainor; “Trap Queen” do Fetty Wap; e “Honey I’m Good”, do Andy Grammer)

Song Of The Year
(aqui o prêmio vai para os compositores da canção)

Cover Wiz Khalifa feat Charlie Puth See You AgainGanhar Canção do Ano é ter a carteirinha de “compositor premiado”. Uma das categorias mais disputadas, já premiou grandes canções e consagrou gente importante na indústria. E aqui também o conceito é pegar as canções mais representativas de cada field e juntar entre os indicados. Aqui, algumas certezas são um pouco menos claras, mas a diferença entre os indicados a Gravação do Ano é bem pequena. Geralmente não há diferenças.

Depois de muito ponderar, eu acho que pelo menos dois ou três dos indicados podem sair dessa provável lista:

“Blank Space”, Taylor Swift
“Girl Crush”, Little Big Town
“Coffee”, Miguel
“See You Again”, Wiz Khalifa feat. Charlie Puth
“Shut Up And Dance”, Walk the Moon

– BS é favorito, seja pela letra divertida e irônica sobre os relacionamentos da Taylor Swift, seja pelos nomes envolvidos – além da própria Taylor, reconhecida compositora, a faixa tem dedo do mito pop Max Martin.
– “Girl Crush” tem uma letra que gerou polêmica no conservador mundo country – e a construção elegante, sempre característica desse estilo, tem bom retorno com a bancada.
– “Coffee” é parte de um dos álbuns mais aclamados do ano, o “Wildheart” do Miguel. Como o próprio Miguel já foi indicado anteriormente nesta mesma categoria (em 2013 com “Adorn”)… Então as possibilidades existem.
– Mas o principal rival da Taylor aqui é a canção-tributo a Paul Walker, “See You Again”. O rap do Wiz é até fácil e simples, mas casando com o poderoso refrão, é uma música atemporal.
– “Shut Up And Dance” seria a cota mais rock da indicação. A letra é simples e eficiente, e a música é empolgante. Poderia entrar em Gravação? Talvez, mas a concorrência lá é forte demais.

*mas onde está “Uptown Funk” aí, Marina? Apesar da letra não ser um primor de elaboração, apenas o fato da faixa ser um smash merecia a entrada aí. No entanto, a música tem 11 (ONZE!!!!!) compositores, e o Grammy meio que torce o nariz pra tanto dedo na canção (lembrando que UF tem samples, por isso essa quantidade de créditos). Mas se DEZ PESSOAS já foram indicadas por “We Belong Together” em 2006, onze é só um compositor de diferença gente

(outros que podem entrar na lista são “Want To Want Me”, do Jason Derulo; “Love me Like You Do”, da Ellie Goulding; “Thinking Out Loud”, do Ed Sheeran; “Chains” ou “Jealous”, do Nick Jonas; “Lips Are Movin” ou “Dear Future Husband” da Meghan Trainor; e “Trap Queen” do Fetty Wap; e “Honey I’m Good”, do Andy Grammer)

Best New Artist

Essa deve ser a categoria mais estranha do Grammy. Eu simplesmente nunca sei quem pode e quem não pode Fetty Wapconcorrer. Após a “Questão Lady Gaga” (quando a Mother Monster não pôde concorrer a Artista Revelação em 2010 porque já tinha concorrido por Best Dance Recording no ano anterior), o Grammy decidiu considerar artista revelação aquele que imprimiu sua identidade musical no período de eligibilidade. Mesmo assim, alguns dizem que artistas como Meghan Trainor, por exemplo, não podem ser indicados porque – no caso da Meghan, ela lançou três álbuns independentes antes de estourar. (nem vou dizer o caso maluco da Amy Winehouse que tinha um álbum premiado na Inglaterra antes de estourar nos EUA).

Enfim, mexendo um pouco aqui e ali e tentando entender a lógica da bancada, os indicados ao Grammy de Artista Revelação podem ser um grupo bem interessante de candidatos – ou permitir a adição de uns nomes aleatórios argumentando “diversidade de talentos”. Essa deve ser a única categoria em que eu posso citar os indicados sem a necessidade de completar os nomes de todas as probabilidades (\o/), por isso pode ficar mais ou menos assim:

Hozier (cota rock, apesar do resto dos singles não ter feito o mesmo barulho que “Take me to Church”, ele anda bem cotado nas apostas de primeiro semestre) (mas dizem as más línguas que ele também não pode ser elegível, então fica a cargo da bancada mesmo)
Fetty Wap (cota de hip hop, o cara já tem três hits nos Estados Unidos e pode muito bem emplacar “Trap Queen” no Grammy)
Fifty Harmony (cota pop/teen, na mesma tradição dos Jonas Brothers, Justin Bieber e Britney/Christina, elas não tiveram um momento como os supracitados, mas elas tem alguma chance. Mais aqui do que em categorias pop)
cota country da vez (porque SEMPRE tem um Country nessas listas)
cota R&B/urban (se a Natalie La Rose já tivesse mais visibilidade além do que ela fez em “Somebody”, ela entraria fácil aqui. Acho uma artista bem promissora e com mercado)

Album of the Year

Cover CD Kendrick Lamar To Pimp a ButterflyMais conhecido como “a cereja do bolo”, a premiação de Álbum do Ano normalmente segue o padrão das indicações no General Field. Mesmo assim, a bancada do Grammy adora surpreender ou esnobar algum álbum, ou tirar um CD da cartola pra guardar de safe choice se a opção mais pimpada for “problemática” para eles. No entanto, a lógica da premiação está bem óbvia, e diante de um ano bem contundente em lançamentos de vulto, criticamente aclamados (que em sua maioria, compõem a lista final de indicados), acho que não há como o Grammy errar.

Acho que as minhas únicas certezas aqui são de que a Taylor e o Kendrick Lamar entram no corte final, e que teremos uma banda ou artista indie compondo a lista.
Vou deixar pelo menos algumas possibilidades no ar:

“1989”, Taylor Swift
“Title”, Meghan Trainor”
“To Pimp A Butterfly”, Kendrick Lamar
“Black Messiah”, D’Angelo
“Sound & Color”, Alabama Shakes

(aqui tem todas as cotas possíveis e prováveis: o álbum pop mais aclamado do ano, o álbum de hip-hop que justamente trouxe reflexões e vem influenciando fora das esferas musicais; a cota R&B de um álbum vindo de um artista importante para o gênero após um hiatus de 14 anos; e a cota rock/indie da lista, a famosa safe choice do Grammy. O álbum da Meghan é justamente a carta mais fraca do baralho – depende MUITO dos singles serem indicados no General Field)

ou

“1989”, Taylor Swift
“Uptown Special”, Mark Ronson
“To Pimp A Butterfly”, Kendrick Lamar
“Black Messiah”, D’Angelo
“Sound & Color”, Alabama Shakes

(aqui o modificador é a possibilidade de “Uptown Funk” empurrar o álbum onde está contido até o Álbum do Ano. Pode acontecer? Pode. Tem precedente? Quincy Jones says hello.)

ou

“1989”, Taylor Swift
“Uptown Special”, Mark Ronson / “Title”, Meghan Trainor”
“To Pimp A Butterfly”, Kendrick Lamar
“Wildheart”, Miguel
“Sound & Color”, Alabama Shakes

(aqui o modificador é na cota de R&B. O álbum do Miguel também foi aclamadíssimo e pode entrar na vaga final – se uma das músicas do álbum for indicado no GF, as possibilidades são grandes)

*wild cards: “The Pinkprint”, Nicki Minaj; “Hozier”, Hozier; “Nick Jonas”, Nick Jonas

Outros fields

Best Song Written for Visual Media: essa categoria vai ser CHOQUE DE MONSTRO, com a vencedora do oscar “Glory” provavelmente concorrendo com “Love me Like You Do”, “Earned It” e “See You Again”. Nem eu sei quem ganharia.

Rap Field: acho que Fetty Wap tem chances de entrar no corte final com “Trap Queen”; mas Kendrick Lamar me parece que vai dominar completamente as categorias de rap (e ganhar no próprio field, o que é meio caminho andado para uma vitória em Álbum do Ano). Ainda tem a Nicki, com o elogiado “The Pinkprint”, Drake com “If You’re Reading This It’s Too Late” – aliás, será que o Grammy premia mixtapes?; o “At. Long. Last. ASAP”, do ASAP Rocky; e o “Dark Sky Paradise”, do Big Sean. O ano pro Hip Hop foi bem animado.

Enfim, não leve em consideração essas previsões como verdade absoluta. É uma série de chutes e suposições, com um pouco de pensamento positivo e doses de realismo. Apesar do ano ter tido bons lançamentos, os poucos hits do período, aliado com o fracasso de grandes nomes, acabaram colaborando com uma série de indicados com poucas possibilidades. Por isso, não me surpreenderia se no final do ano, quando os nomes fossem revelados, os indicados se repetissem aos montes. Daqui até setembro muita coisa pode ser lançada, e alguns dos álbuns que ainda não ouvimos podem ser muito bons ou muito ruins (tipo o “Beauty Behind Madness” do The Weeknd, que pode entrar nessa dança aí), o que pode mudar até mesmo os indicados que eu organizei aqui neste post imenso.

Vou repetir o que disse ano passado:  esta série de previsões é um norte – seja para torcer, seja para temer, ou mesmo pra fazer as próprias previsões, ou lembrar daquele álbum que estreou ou aquela música que bombou e que poderia estar no Grammy 2016.

Quais seriam as suas previsões?

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11 comentários sobre “Previsões para o Grammy 2016

  1. Achei muito Fraca essa Previsão, Jessie J pode concorrer com Flashlight e tem chances de ganhar, album do ano não gira em torno da Taylor Swift, Fez Sucesso, mas não significa qualidade, mas como ela é a Queridinha da Acadêmia, já sabemos né, mas temos Sia maravilhosa cantora e compositra que podem ser indicada com o 1000 Forms of Fear e com Elastic Heart, Lana Del Rey também pode ser indicada com High by the Beach e por ai segue varios outros artistas bem que merecem reconhecimento tanto quanto a Taylor.

    • A Sia não pode ser indicada com o álbum por causa do período de elegibilidade (o 1000 Forms foi lançado em Julho de 2014, teria que ser indicado para o Grammy 2015). Elastic Heart até pode ter chances, mas são muitos indicados que tiveram mais força que EH no período válido para o Grammy 2016. A mesma coisa vale para a Jessie e a Lana, que ainda penaram porque não conseguem fazer o somatório completo de sucesso + qualidade + impacto na cultura pop que estão relacionadas aos indicados e vencedores do Grammy.

  2. Concordo na maior parte. No entanto acho que insistiu demasiado em meghan trainor e nick jonas e esqueceu do britânico James Bay que tem fortes chances de ser nomeado no album pop, ou com Hold Back The River em melhor performance pop solo.
    Também acrescentaria a MAGNIFICA “Lay me down” feat John Legend na melhor performance de duo ou grupo, eu sei que não teve muito sucesso ( mas foi top10 na hot 100 ) no entanto a qualidade e o facto de a musica pertencer ao sam smith ( o grande vencedor do ano passado) devem levar à sua nomeação, eu pelo menos adorava.

    • Eu não incluí o James Bay porque apesar dele ter feito um certo barulho, eu fiquei com a impressão de que eles 1. não iam pimpar outro britânico como eles pimparam o Sam Smith; 2. e como ultimamente eles andam valorizando muito o impacto da música e do artista, eles podem levar isso em consideração.

      Sobre Lay me Down, eu até tinha pensado na música, mas eu tinha lido em uma das pesquisas que remixes de faixas vindas de álbuns vencedores do Grammy eram inelegíveis. Mas “inelegível” é um conceito extremamente tênue pra bancada, sinceramente.

      Acho que a gente pode sentir realmente o que pode acontecer com as indicações quando começarem a vazar as listas com as submissões das gravadoras.

      • A verdade é que o James Bay está mesmo em alta no UK e na maior parte da europa ( o album acho que ainda nem saiu do top 10 uk desde que foi lançado) mas por outro lado ainda não fez barulho nenhum nos Eua, portanto depende da visão da bancada dos Garmmys, mas se for pela qualidade não tenho dúvidas que ele merecia pelo menos uma nomeação ao melhor album pop ( onde a concorrência é mais fraca)

        Quanto à Lay me down não sabia desse “caso”, mas seria uma pena, mal ouvi a musica pensei logo que era material merecedor de Grammy ( para mim é a melhor musica do Sam, e eu adoro-o portanto… ) .

        Sabe por que altura é que vazam as listas???

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