Não vai mudar o mundo, mas é bem legal – “Everything is 4”, Jason Derulo

Cover CD Jason Derulo Everything is 4A minha impressão sobre a carreira de Jason Derulo sempre foi de alguns sucessos, mas de uma certa personalidade que mais parecia um lado B de outros artistas. Via o rapaz como um act substituto do Chris Brown, e ficava me imaginando porque mais um Chris Brown no mercado. No entanto, por conta das confusões deste último, e a estabilidade do Derulo durante sua trajetória – especialmente na Inglaterra, onde o cara tem vários #1 e excelentes peaks com outros singles, Jason se tornou um nome importante no cenário; especialmente após o sucesso viral de “Talk Dirty”, que foi hitar por último nos EUA e colocou o rapaz entre os hitmakers da atualidade.

Derulo conseguiu cumprir a lacuna que o Chris Brown deixou – daquele act R&B/urban/dançarino com forte apelo crossover e uma imagem mais agradável. No entanto, ao contrário de Brown, que de certa forma tem um apelo enorme entre o público urban, Jason Derulo tem apelo forte nas rádios pop, especialmente porque durante a carreira, os singles deles sempre tiveram essa identidade mais pop que o faz diferenciado dentro da cena masculina de black music. Ele não precisa “se entregar ao pop” – ele tem o pop em seu DNA.

Por isso que após o sucesso estrondoso dos singles “Talk Dirty” (que permitiu um relançamento do álbum “Tattoos” com faixas na pegada de TD) e “Wiggle” (do relançamento chamado “Talk Dirty”), o que se pensava era: o que Jason Derulo vai trazer? Um novo “Talk Dirty” ou algo diferente? Bem, com um hitaço como “Want To Want Me”, bem diferente dos singles mais urban do último álbum, o “Everything is 4”, seu novo álbum, está com boas expectativas. Previsto para lançamento dia dois de junho, vazou nesta terça-feira.

Será que Jason tem mais músicas com potencial neste CD? Confira no faixa-a-faixa!

 

“Want to Want Me” – a música que abre o CD e primeiro single do novo álbum, tem uma pegada bem diferente dos singles bem mais urban do último álbum. Adoro essa pegada R&B/post-disco oitentista, com a letra safada. Na primeira ouvida, o refrão cheio de falsetes pode parecer meio chato, mas na segunda ouvida você está viciada e aí, já foi. Selo #hit de qualidade, e talvez uma das músicas mais bacaninhas do verão americano. Pode ser #1 na Billboard.

“Cheyenne” – menos radiofriendly que a faixa de abertura (e mais romântica), usa mais sintetizadores (além de uma guitarrinha levemente grooveada ao fundo) que dá um clima igualmente oitentista. Lembra outras faixas pop com pegada R&B e meio synth oitentista como “Do What U Want” e “Love Me Harder”.

“Get Ugly” – cheiro de hit viral nervoso no ar! Aquela música urban quebração com potencial pop crossover – e ainda termina num “remix” mais eletropop feito pra destruir nas boates da vida – e se Derulo não lançar isso logo com alguma dancinha bem viral, é hora de repensar seus conceitos do que você quer da vida. Uma das highlights do CD.

“Pull-Up” – como Derulo precisa de um plano B de hit viral, temos “Pull Up”, que tem uma estrutura bem parecida com a da faixa anterior, mas sem os mesmos resultados. Onde “Get Ugly” é simples e apela pra todos os públicos, “Pull-Up” é mais uma “Wiggle”, tentando forçar a barra pra hitar (e olha que até pode, porque o Jason tá em alta). Mas se era para ter outra música na mesma linha, não era legal colocá-la justamente em seguida da outra faixa com pegada urban/pop. Em “Pull Up” rola até trap!

“Love Like That” (feat. K. Michelle) – aqui é onde a tracklist do álbum começa a ficar esquisita, com uma sequência de quatro featurings. O primeiro, com K. Michelle (uma artista de R&B em ascensão na cena), é muito boa! Um R&B meio slowjam, com uns efeitinhos de voz e uma letra super sensual, sobre duas pessoas que tem um caso – sendo que ela é comprometida e o cara (o Derulo) é amigo dela, tem uma ambientação que parece descortinar a cada verso, pra chegar no refrão que se repete (e fica na sua cabeça) – sem contar o break safadíssimo. Jason escolheu uma ótima cantora, de voz potente e marcante, para esse featuring, que é uma das highlights do álbum, e que pode ser um single pro inverno (já imaginando as cenas shirtless dele porque sim). (poderia ficar depois de Get Ugly? sim)

“Painkiller” (feat. Meghan Trainor) – Jason Derulo tá bem de featuring hein? Agora é com a Meghan Trainor, que tem faro pop, e essa música é bem pop – com algo de R&B, umas percussões bem no fundo do “You put it down” e a sensação de que o Jason sabe usar seus featurings, dando espaço para eles brilharem junto com ele na canção. “Painkiller” não é exatamente a melhor faixa do CD (na verdade, até esperava mais de dois estilos diferentes de cantores), mas é bem divertida e a Meghan esbanja carisma aqui numa música com uma certa dose de duplo sentido. (sobre a posição da faixa na tracklist, tem cara de música pra ficar no final do álbum, não no meio)

“Broke” (feat. Stevie Wonder & Keith Urban) – featuring de fucking Stevie Wonder e Keith Urban, um dos principais nomes do country? Jason tá com tudo hein! Eu estava esperando pra chegar nessa delicinha de música, que merecer ser single pra ontem, pra capitalizar em cima dessas participações. Aqui Stevie toca sua indefectível gaitinha, canta uns versinhos e Keith Urban acompanha num violão cheio de cadência, e os três entregam uma canção sensacional sobre um cara que tá de olho numa menina, mas sabe que ela só pensa em dinheiro – por isso, é melhor ficar pobre mesmo. Misturando pop, R&B e porque não, um tiquinho de country na levada do violão + a gaita, só falta bater os pés no chão para todo mundo cantar o refrão e ser feliz. Selo #hit de qualidade, e Derulo precisa lançar isso logo!

 “Try Me” (feat. Jennifer Lopez & Matoma) – como eu disse, Jason tá com tudo! E essa faixa tem cara de hit gostosinho pra ouvir num fim de tarde de sol junto com a pessoa amada esperando a noite começar. Midtempo puxada pro up, bem pop mas com um gostinho de retrô, é o tipo de música que aliás, era pra J-Lo estar fazendo, não aquelas canções bisonhas que ela anda entregando por aí. “Try Me” é simples, eficiente, tem Derulo mostrando que sabe aproveitar os featurings e pode ser um hit pra Jennifer. (aliás, outra música que poderia estar em outro lugar na tracklist: “Pull Up” vinha pra cá e “Try Me” podia vir antes de “Get Ugly”, até pra transição de sonoridade ser mais suave)

“Love Me Down” – Derulo volta a uma faixa solo com uma música que não é tão radiofriendly quando as duas anteriores, mas tem uma personalidade bem marcante, com seus primeiros versos mais moderninhos, pop com uma pegada mais urban/R&B e o refrão bem puxado pra um disco-funk oitentista. Os falsetes estão muito bem colocados, numa vibe quase Michael Jackson, e o groove da guitarra é empolgante. Não tem cara de single, mas tem algo de gostosinho nessa música que dá vontade de ouvir outras vezes. Gostei bastante.

“Trade Hearts” (feat. Julia Michaels) – Jason Derulo também é um homem sensível, e nesta balada ele se une a outra voz feminina marcante – desta vez a da cantora e compositora Julia Michaels – para uma música sobre relacionamento com um refrão com versos bem bacanas como “I wish I could trade hearts with you” e “Cause there’s some things I just don’t understand / Like how hard a woman loves a man” e uma melodia mais épica, com violinos e uma bateria bem marcada – uma dessas baladas pop com foco nas rádios AC. E de novo Derulo usando bem seus featurings, que são praticamente duetos.

“X2CU” – a sigla para “ex to see you” é até uma faixa simpática. A música que encerra o álbum numa sensação de “vingança” (seria contra a ex-noiva de Derulo, Jordin Sparks? Mistérios…) tem suas qualidades, como a letra engraçadinha e a pegada dance-pop com aquele gostinho de retrô. Mas o resultado final é uma música um tanto sem graça pra encerrar o álbum (ou até pra fazer parte de um CD que tem uma certa coesão, mesmo com os estilos diferentes que funcionam aqui). Eu teria colocado “Trade Hearts” pra fechar o álbum com dez músicas e ficaria bem contente.

 

“Everything is 4” não é o melhor álbum do ano nem vai mudar a sua vida. Pelo contrário, Jason Derulo quer te fazer dançar, sensualizar e se divertir, no que talvez seja um dos CDs mais divertidos do pop em 2015. Misturando de forma gostosa pop, R&B, eletrônico e um pouco de post-disco oitentista, além dos featurings altamente bacanas (e nas meninas que cantam, como ele sabe usar suas vozes! Elas participam da faixa, são praticamente duetos) e com potencial, Derulo tem várias faixas com potencial, que podem mostrar diversas faces de um álbum que tem uma coesão bem bacaninha, incluindo liricamente. Com as faixas mais sexy, outras sobre relacionamento e uma ou outra sobre festa (porque ninguém é de ferro), Jason vai crescendo cada vez mais na carreira e construindo uma trajetória sólida rumo ao topo.

O curioso é que as faixas funcionam tanto para o mercado americano quanto para os ingleses, que dão um grande suporte ao trabalho dele. O pop britânico tem algo de diferente em relação aos EUA (é só ver como o trabalho de uma Cheryl Cole, por exemplo, parece distante do ouvido médio americano, mesmo tendo alto potencial de hitar) e Jason consegue ultrapassar até mesmo essas barreiras.

E com um ano meio fraco para o mainstream pop como vem sendo 2015, é melhor prestar atenção ao Derulo, porque ele pode tirar alguns outros hits top 10 (ou por que não outro #1?) daí.

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