Kelly Clarkson sabe o que quer em Piece by Piece

Cover CD Kelly Clarkson Piece by PieceEnfim, o “Piece by Piece” da Kelly Clarkson já está rodando pela internet, e a gente não poderia deixar de ouvir o sexto CD da primeira vencedora do American Idol.

Apesar do desempenho moderadíssimo (pra não dizer apagado) do lead-single “Heartbeat Song”, o álbum ainda tem algumas cartas na manga (como uma composição da Sia e o featuring do homem do momento, John Legend). O que esperar desse novo trabalho da Kellyzinha? Confira a resenha da versão standard após o pulo!

“Heartbeat Song”– já resenhada, continuo achando com cara de hit, com refrão grudento e a produção ainda precisa de polimento. Acredito que a falta de barulho nas rádios, iTunes e no Hot 100 se deve à divulgação porquíssima nos States – ou o fato dela querer se concentrar mesmo no hot AC

“Invincible” – midtempo escrita pela Sia, mostra uma Kelly com um vocal poderosíssimo na bridge (socorro) e uma letra bem interessante sobre superação após um relacionamento problemático (não precisa ser amoroso, pode ser qualquer situação). Dá pra ouvir os “oh oh ohs” da Sia no refrão. Mesmo assim, a faixa é bem qualquer coisa – a australiana já entregou coisas melhores para outros artistas.

“Someone” – Depois de uma faixa meio decepcionante, chegamos ao primeiro grande highlight do álbum: “Someone” tem cara de música pra cantar em arena, com isqueiro aceso pra cima, um pop/rock a la Coldplay, com um refrão lindo e uma construção bem bacana – outra letra focando em relacionamentos, mas daquele jeito bacana que só tem nas músicas da KC: desta vez, é aquele adeus após uma paixão meio caótica dos dois lados. Poderia ser um quinto single pra fechar os trabalhos do CD e bombar nas rádios Adult Contemporary.

“Take You High” – Preciso de alguns minutos para o processar o refrão processado eletrônico dessa música pós-pré-refrão com violinos. Digo apenas que a música é incrível, um midtempo pop de primeira qualidade, com uma letra linda, a voz da Kelly no ponto, sem exageros (deve ser o álbum em que ela menos grita desde que começou a carreira) e será altamente remixada nas boates por aí. E nada mais me lembro. Mas que a música é incrível é. A segunda highlight do álbum.

“Piece by Piece” – a primeira faixa do álbum escrita pela Kellyzinha é bem marcante, seja pela percussão marcada, seja pela letra: acredito que tenha a ver com a separação dos pais e a percepção dela como mãe de que ela não vai deixar a filha de lado se algo de ruim acontecer com seu casamento. Não é exatamente uma “Because of You”, mas é uma faixa bacana e com uma letra forte.

“Run Run Run” (feat. John Legend) – John Legend is the new Nicki Minaj/Iggy Azalea/(insira aqui outro artista que do nada começa a ser featuring de todo mundo que aparece) né? Nada contra, acho ótimo, principalmente se o featuring é para uma música inspirada como essa, que apesar do refrão bizarro (o “run run run” ad eternum me fez rir no meio da audição), é linda – principalmente quando você pensa que a música vai ficar só no piano e aí, no final, explode numa pegada mais pop/rock que pede pra você cantar junto. Uma das highlights do álbum, e pode ser até single (o quarto single, música de fim de ano, pra aproveitar o featuring né).

“I Had A Dream” – Ouvindo a faixa, me lembrei da velha Kelly mais pop/rock, e a letra meio auto-ajuda a la “…Stronger” é bem interessante. Eu até gosto da faixa, apesar dela ser meio quebrada em relação ao resto do álbum, que tem uma sonoridade mais linear, com produções mais “limpas” e vagamente sintéticas, enquanto essa faixa é mais orgânica. Mesmo com essa quebra, é uma música forte. Podia ser single numa boa.

“Let Your Tears Fall” – outra faixa na linha “autoajuda”, desta vez a sonoridade volta aos eixos do álbum. No entanto, é uma faixa bem “filler” do CD. Ou seja, a boa e velha encheção de linguiça pra compor. Pra quem já chegar com quatro pedras na mão, uma informação importante: em todo álbum da Kelly tem umas duas ou três faixas só pra encher (tanto que os trabalhos dela sempre tem muitas canções na tracklist, e eu me vejo sempre tirando duas faixas que considero desnecessárias – o que seria o caso dessa e de “Invincible”). Acho que o único CD mais redondinho nisso é o “Stronger”.

“Tightrope” – mais uma baladinha romântica do CD piano-based, tem uma letra bacana sobre um relacionamento em que as duas partes sabem que são meio confusas, mas conscientes de que esse amor pode dar certo (ou não). Apesar de ficar esperando aquela explosão que aconteceu em “Run Run Run”, fiquei contente ao mesmo tempo em saber que a Kelly não ia repetir o mesmo truque no mesmo álbum. 😉 Boa música, não para ser single. Tá no limite para que eu considere filler.

“War Paint” – outra highlight do álbum, é uma prima de “One Minute” (do “My December”), “If I Can’t Have You” (do “All I Ever Wanted”) de “(What Doesn’t Kill You) Stronger” (do “Stronger). A faixa é forte, tem um refrão que gruda e podia ser single mais ali, perto do verão. A letra é bacana, a pegada pop/rock com ecos de dance-pop consegue ser moderninha mas cheirando a 2009/10 e a voz da Kelly está como nos velhos tempos. Delicinha de música.

“Dance With Me” – ou “aulinha prática de como fazer uma música dançante sem ser dançante”. Kelly acerta mais uma vez com uma espécie de “continuação de gênero” de “War Paint” com uma das músicas mais fodas do catálogo da moça. Já disse mais fodas do catálogo da moça? Refrão grudentíssimo, bridge épica (com um coral a la anos 80), pegada dance-pop e pop/rock com uma letra forte sobre amor na pista sem parecer repetitivo e todo o ar retrô e “última dança antes do amanhecer” coloca essa música como uma das melhores do CD (se não a melhor) e se essa louca não lançar, vou até onde ela mora e sacudo a Kelly até ela tomar juízo!

“Nostalgic” – Continuando a pegada mais dance-pop das últimas duas faixas e com mais gritos e agudos da Kellyzinha (e eu que pontuei o vocal mais controlado da moça pelo álbum), “Nostalgic” permanece com a nostalgia, tanto na letra de “lembranças de um relacionamento antigo que passou” quanto na pegadinha oitentista adorável. Eu ouvi a música acompanhando a letra e me vi pensando em coisas antigas e momentos do passado enquanto ouvia a própria Kelly. Missão cumprida com louvor 🙂

“Good Goes The Bye” – a última faixa da versão standard do CD, fecha com dignidade o “Piece by Piece”, principalmente porque retoma a sonoridade mais puxada pro sintético que permeou 80% do álbum. A faixa não é uma das mais inspiradas da tracklist, mas é um fechamento mais válido do que uma baladinha que está no meio da tracklist. Além disso, a faixa é curtinha, quando você começar a curtir, já acabou. 😦

“Piece by Piece” é mais um álbum com a cara da Kelly, ao mesmo tempo que investe em elementos novos na carreira da moça e prova alguns pontos importantes para o direcionamento da carreira dela. A produção é coesa, fechada, com uma sonoridade linear, com letras focando em amor e relacionamentos, além de uma ou outra faixa de autoajuda e os mandatórios fillers. No entanto, a diferença deste álbum em relação aos outros trabalhos da Kellyzinha é o fato dela sair um pouco da zona de conforto pop rock e correr atrás de uma sonoridade mais pop, com uma produção menos orgânica, menos focada em guitarra e baixo e com produções mais “limpas” e com sintetizadores aqui e ali, além de alguns vocais processados. A voz da Kelly também está mais controlada no CD. Essa lógica só se quebra nas três faixas mais dançantes do CD (“War Paint”, “Dance With Me” e “Nostalgic”) em que vemos a Kelly old school aparecer em três highlights seguidas dentro do álbum.

Eu não sei se você percebeu, mas quando citei as faixas com potencial de single, não citei que elas poderiam ficar eras em primeiro na Billboard ou num top 10. Comentei que algumas delas eram necessárias ou poderiam fazer barulho no Hot AC. A conclusão que cheguei ao ouvir o “Piece by Piece” foi que Kelly Clarkson chegou a um ponto em sua carreira em que escolheu exatamente que caminho deve seguir e que público agradar. Esse CD não foi feito para ter singles que disputem espaço nas primeiras posições com Taylor Swift, Katy Perry ou Ariana Grande; o álbum tem faixas que podem fazer boa figura no top 20, até chegar rapidamente ao top 10, mas o foco dela aqui mudou. Kelly quer agradar o público das rádios adultas, o Hot AC, o pop mais “adulto”, para um público mais “maduro”, o público que a abraçou com suas baladinhas (oi “Because of You” e “Already Gone”!), o mesmo público que aceita suas incursões pelo country e que colocou Kelly como uma artista convincente para vender música de Natal com o “Wrapped In Red”.

Esse álbum é para um público diferente dos mais jovens. Esse é um álbum para o público que acompanhou a Kelly em seu auge de vendas e exposição – “Breakaway” – e seguiu em frente ouvindo suas músicas e se identificando com a persona “real girl” que ela sempre mostrou desde o começo da carreira. E, sinceramente, é uma escolha de carreira bem acertada – porque cria uma reserva de público que sempre vai curti-la e não vai sofrer pressão de criar músicas para agradar o público, e sim produzir o que gosta.

Pode ser que não agrade muita gente, mas acho que “Piece by Piece” foi mais um gol na carreira da Kelly.

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