Indicados ao Grammy 2015 – Canção do Ano

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A categoria de Canção do Ano é mais uma que faz parte do General Field, e como é dada exclusivamente aos compositores, é o grande momento de glória de quem escreve as músicas mais icônicas, bem sucedidas ou impactantes do ano que passou. Em 28 casos, as canções que vencem a categoria de Canção levam Gravação do Ano também. E 17 vencedores compuseram e interpretaram a canção (entre os casos clássicos estão Billy Joel por “Just The Way You Are” em 1979,  o homem-mito-lenda Christopher Cross com “Sailing” em 1981, Bobby McFerrin por “Don’t Worry Be Happy” em 1989 e Seal por “Kiss From A Rose” em 1996).

Na turma mais recente, alguns clássicos da música pop já foram premiados nesta categoria, como a saudosa Amy Winehouse por “Rehab” em 2008, Beyoncé (e Tricky Stewart, The-Dream e Thaddis “Kuk” Harrell) por “Single Ladies” em 2009, Adele (e Paul Epworth) com “Rolling in The Deep” em 2012 e Lorde (quer dizer, Ella O’Connor e Joel Little) por “Royals” ano passado.

A pergunta que fica é: qual será a próxima música que vai entrar neste panteão de clássicos?

Indicados

“Chandelier,” Sia
“All About That Bass,” Meghan Trainor
“Shake It Off,” Taylor Swift
“Stay With Me (Darkchild Version),” Sam Smith
“Take Me to Church,” Hozier

Acompanhe as análises após o pulo!

“Chandelier,” Sia (compositores: Sia Furler e Jesse Shatkin)

“I’m gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I’m gonna live like tomorrow doesn’t exist
Like it doesn’t exist
I’m gonna fly like a bird through the night
Feel my tears as they dry
I’m gonna swing from the chandelier, from the chandelier”

Começando pela australiana que não mostra o rosto pra qualquer um, Sia tem uma das canções mais fortes da lista de indicados. Além dos aspectos de produção e performance que já tinha citado aqui nas postagens anteriores sobre o Grammy, “Chandelier” tem também a letra que, num primeiro momento, parece ser genérica – sobre a noitada de uma garota festeira – mas ouvindo com calma, você percebe que é uma abordagem melancólica de noites de excesso (de festa, de bebida) dessa moça. É um tema de música diferente de outras canções pop, que pegam esse mesmo conceito e colocam como “vamos fazer festa até o dia seguinte”. Nada contra, também acho ótimo, mas talvez se a música tivesse justamente essa mesma abordagem que todos os artistas do gênero já fizeram antes, será que estaria aqui na lista de indicados a canção do ano?

O trabalho da Sia (e do outro compositor, Jesse Shatkin) é muito legal por contar essa historinha, sempre com esse encaminhamento leve, calmo, quase reggae no início, com o refrão explosivo no final. Esse refrão é, talvez, a highlight da música, o momento em que todas as dúvidas e os medos da historinha que eles contam nos primeiros versos se tornam reais. É a melhor composição da Sia desde que o mainstream a descobriu, e foi muito inteligente da parte da australiana ter guardado o ouro para ela. Só não sei se o brilhantismo de “Chandelier” pode dar a ela um Grammy. De certa forma, pelo background da artista – é uma cantora que ficou consagrada nos EUA como compositora de músicas para pesos-pesados do pop (Beyoncé, Rihanna, Britney, Christina) – ela tem alguns pontos com os votantes, mas o problema da Sia é que ela não tem, além da indicação de Álbum do Ano, a indicação no próprio field, de Álbum Pop, o que pode tirar as chances de conseguir essa vitória. Além disso, o favorito nesta categoria teve mais hype, tanto musicalmente quanto em impacto cultural (eu ouvi um “nova Adele” por aí?), apesar do clipe de “Chandelier” ter viralizado – e isso com certeza colaborou para o top 10 da Sia. Ainda considero o Sam favorito aqui, mas o diferencial da música, do tema, e o background de compositora da Sia são forças que devem ser reconhecidas.

“All About That Bass,” Meghan Trainor (compositores: Meghan Trainor e Kevin Kadish)

“I’m bringing booty back
Go ahead and tell them
Skinny bitches “hey”
No, I’m just playing I know you
Think you’re fat
But I’m here to tell you
Every inch of you is perfect from
The bottom to the top!”

O hit viral do verão de 2014 foi uma das surpresas entre as indicações assim que os nomes saíram no finzinho do ano passado. Eu já tinha comentado que entendia mais a adição de Meghan no General Field mais até que a presença da Taylor Swift (que entrou por ser, bem, Taylor Swift), por ter sido um hit de verão (não se esqueça de que Carly Rae Jepsen foi indicada nesta mesma categoria e o Max Martin pegou uma indicação pelo clássico de nossa infância “I Want It That Way”, então não chorem) e sim, ser uma música muito boa, com essa inspiração retrô doo-wop e o arranjo grudento.

A letra (que causou um burburinho e certa polêmica) é mais uma que trata de empoderamento, mas desta vez, das gordinhas em relação à uma sociedade que só curte as mais magras. Eu particularmente acho a composição (da própria Meghan Trainor com Kevin Kadish) muito inspirada e cheia de versos bacanas, prontinha para ser viral e meme nos facebooks e twitters alheios. Gosto bastante da parte mais “versada” misturada com os trechos cantados e alguns trechos que parecem uma provocação (como a estrofe que eu destaquei para o post) são cantados de uma forma tão debochada que você tem vontade de rir ao final da audição. No geral, eu tenho uma simpatia gratuita pela música – e pela própria Meghan, que me lembra muito a Katy Perry no início da carreira – mas ela tá cumprindo aqui nesta categoria a função de “Fancy” em Gravação do Ano né? A cota do “hit” mandatório no General Field. Apesar dela também ter um background como compositora, não cravo Meghan Trainor como vencedora aqui nessa categoria, por conta das outras músicas indicadas serem melhores e não virem com a pecha de “viral”, “hit de verão”, “one hit wonder” (ou não, já que, a julgar por “Lips Are Movin” e, se as expectativas em torno da mocinha se confirmarem, acho que ano que vem teremos mais da Meghan que neste ano…)

“Shake It Off,” Taylor Swift (compositores: Taylor Swift, Max Martin e Shellback)

“‘Cause the players gonna play, play, play, play, play
And the haters gonna hate, hate, hate, hate, hate
Baby, I’m just gonna shake, shake, shake, shake, shake
I shake it off, I shake it off”

*estou dançando enquanto escrevo este post* Taylor Swift é a outra adição de última hora aqui nesta categoria (quer dizer, tem outra aqui mais de última hora ainda, mas vou detalhar depois), e olha que eu tinha pensado em outras pessoas pra substituí-la aqui em Canção do Ano (seria “Happy” se não fosse inelegível, seria “Let It Go” que merecia entrar em Canção e Perfomance Pop, seria “Drunk In Love” que poderia levar em cima do Sam mais facilmente que “Chandelier”) mas entendo a escolha da Academia. Outro hit massivo de 2014, ao analisar a composição da Taylor, juntamente com Max Martin (o homem do ano) e Shellback, é uma mensagem aos haters e críticos de seus romances, sonoridade e vida pessoal, que enquanto eles se preocupam com ela, ela está nem aí para as críticas. Não é uma música agressiva; pelo contrário, os versos são bem engaçadinhos e mostram uma Taylor consciente da imagem que as pessoas tem dela, e da diferença entre o que as pessoas vêem dela e o que ela é de verdade.

É claro que estou viajando um pouquinho no significado da canção, mas o tema não foge dessa relação entre Taylor x haters. E assim como a música da Meghan Trainor, “Shake It Off” também tem versos fáceis para viralizar e ser meme, e um bridge meio “cheerleader” bem divertido. Apesar das minhas resistências com a música, o fato é que o nome “Taylor Swift” colabora com a adição da música na categoria de Canção do Ano, assim como o impacto do lançamento da faixa, um rompimento claro com suas raízes country, e a bagunça que o “1989” fez com a indústria na segunda metade deste ano. No entanto, “Shake It Off” não me parece a vencedora da categoria. Como já ressaltado por aqui, existem faixas melhores, que tiveram um impacto mais duradouro (principalmente no âmbito musical) e fazem mais o gosto dos votantes. Taylor aqui está para marcar espaço, já que será “Blank Space” que vai entrar em Canção no Grammy de 2016 (e se eu cravar essa, vou jogar na Mega da Virada 😉 )

“Stay With Me (Darkchild Version),” Sam Smith (compositores: Sam Smith, James Napier e William Phillips)

“Oh, won’t you stay with me?
‘Cause you’re all I need
This ain’t love, it’s clear to see
But darling, stay with me”

Quem nunca se envolveu com alguém sabendo que era só por aquela noite e nada mais? Ou que aquele relacionamento não se tornaria sério, mas estava ali mesmo assim? “Stay With Me” é mais ou menos assim – uma relação em que talvez o tesão seja maior que o amor, mas mesmo assim ele quer continuar vivendo essa história. Sam Smith (juntamente com James Napier e William Phillips) trouxeram para o Grammy (e para os ouvintes em 2014) uma das músicas mais universais do ano. A mistura entre pop, soul e gospel, potencializada pela versão indicada ao General Field (do Darkchild), consegue atingir a todas as pessoas que um dia sofreram ou viveram uma paixão através de uma letra simples, mas direta, mesmo relatando à vida pessoal do próprio Sam. “Stay With Me” mostra que não é necessário ser muito complexo para falar de amor.

O impacto da faixa nos ouvintes e na cultura pop em geral foi grande. A faixa não foi #1 na Billboard, mas ficou no top 10 e chamou a atenção de público e crítica para o trabalho do britânico. Além disso, a música catapultou as vendas do álbum de estreia do cantor, “In The Lonely Hour”, e colocou no centro da popsfera novamente alguém com uma grande voz – por isso as comparações com Adele, não apenas pela nacionalidade, como também pela voz cheia de soul e as letras autobiográficas e confessionais. E com “Stay With Me”, o favoritismo do Sam é claro não apenas pelos aspectos “estratégicos” da indicação – ele está concorrendo tanto no field pop quanto no General Field, incluindo Álbum do Ano – como também pela música ser exatamente aquilo que a Academia quer de uma canção pop adulta: uma música equilibrada, polida, que mistura gêneros de forma coesa, em que o ouvinte pode facilmente associar a faixa ao gênero pelo qual ela é inspirada; assim como uma letra que vai direto ao ponto e identificável com qualquer um. Está muito difícil o Grammy não sair das mãos do Sam, e acho que apenas a Sia tem chances contra ele. Mas o favoritismo dele é visível. E merecido.

“Take Me to Church,” Hozier (compositor: Andrew Hozier-Byrne)

“No masters or kings when the ritual begins
There is no sweeter innocence
Than our gentle sin
In the madness and soil of that sad earthly scene
Only then I am human, only then I am clean” 

Neste fim de ano/início de 2015 eu fiquei viciada em duas músicas. Tinha algum tempo que não ficava ouvindo uma música n vezes, sem enjoar. Uma delas é “Take Me To Church”, do Hozier. A faixa que o apresentou aos Estados Unidos é um midtempo rock que é hipnótica, assustadora, doentia, romântica de um jeito tóxico, maravilhosa, cuja letra (escrita pelo próprio Hozier) usa de referências religiosas pra falar de um daqueles amores loucos que a gente vive e não quer largar, e a experiência dessa paixão tem ares ritualísticos  – como está explícita no trecho que eu destaquei para o post.

Não é uma música tão direta ao ponto quanto “Stay With Me”, por exemplo, e tem um certo “humor” pra aproveitá-la (eu, particularmente, gosto de ouvir o álbum do Hozier quando não estou de bom humor pra muita coisa); ou seja, “Take Me To Church” se relaciona a algo universal, mas não de fácil identificação, pela letra muito metafórica. Acho que esse caráter meio onírico pode ser um problema para a música nas suas possibilidades de vitória. Além disso, a faixa foi uma adição não apenas de última hora, foi na bacia das almas quase. Apesar de ter sido lançada em Junho nos EUA, só na segunda metade/fim de 2014 a faixa começou a hitar de verdade, chegando ao top 2 da Billboard. Alguns críticos já apostavam em “Take Me To Church” como indicado no General Field, por isso, nem me surpreendi com o irlandês entrando no corte final. Além disso, numa série de indicados estritamente pop, a Academia faz uma concessão menos óbvia e coloca algo mais rock para compor a lista (aliás, essa lista pop é um movimento raro do Grammy, já que todo ano, eles fazem a lista com um indicado por gênero). Eu classifico “Take Me To Church” como o azarão dessa categoria, com raríssimas chances de levar – mas no meu coração, Hozier é vencedor ❤

CONCLUSÕES

Quem vai ganhar: Acho que Sam Smith e “Stay With Me” são favoritíssimos. Mas eu sinto que a Academia pode dar um prêmio de consolação para Sia pela letra de “Chandelier”. Creio que fica 90% a 10%.

Pra quem eu torço: Eu já declarei minha torcida neste momento: “Take Me To Church”, mas como eu sei que não vai levar, se “Stay With Me” ficar com o prêmio será merecidíssimo. E “Chandelier” também. Categoria complicada!

O “dark horse” da vez: Como eu disse, “Take Me To Church” é o azarão personificado: entrou por último, o cantor-compositor é um virtual desconhecido do grande público e a música é bem metafórica. Seria absolutamente insano ver Hozier subindo ao palco e levando o prêmio, por isso, essa cena vai ficar apenas nos meus sonhos.

Na próxima, vamos sair dos singles para os álbuns: é hora de falar de Melhor Álbum Pop. Ou seja, briga de cachorro grande! Até logo!

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