Grammy 2015 – Indicados a Performance Pop Solo

Banner Performance Pop Solo

Após um bom tempo sem postagens no blog (fim de ano, produtividade bem menor e passando os dias numa casa de veraneio onde internet rápida é sonho), o Duas Tintas de Música começa 2015 já em clima de Grammy. Afinal de contas, 8 de Fevereiro é dia de descobrirmos quem vai levar os tão sonhados gramofones para casa, se consagrando no mercado musical mais disputado do mundo.

Então vamos continuar as nossas análises sobre os indicados ao Grammy com a categoria de Melhor Performance Pop Solo, que é uma das “novatas” incluídas pelo Grammy após a Academia ter enxugado o prêmio com o fim da separação por gêneros. Eu tenho opiniões mistas sobre essa junção, mas o Grammy não parece muito interessado em voltar atrás, por isso, vamos continuar com o que temos e relembrar os vencedores dessa categoria, desde 2012 – um prêmio dominado por mulheres, já que Adele levou duas vezes: uma por “Someone Like You” e outra por “Set Fire to The Rain” versão ao vivo (alá a trucagem*); e neste ano, Lorde venceu com “Royals”.

*trucagem é um termo nada bonito que eu uso para definir quando o artista/gravadora usam de algum artifício para conseguir uma indicação para o Grammy quando a música não pode mais ser indicada por conta do período de eligibilidade. Por exemplo, tentar uma versão “live” pra entrar na categoria. (Adele, Beyoncé, Train e Maroon 5 já fizeram isso, e os indicados de hoje também tentaram. Por isso a lembrança.)

Os indicados este ano foram alguns dos grandes sucessos da música pop que dominaram o top 10 da Billboard. E, em dois casos, músicas que ficaram inelegíveis em suas versões de estúdio ganharam uma segunda chance de brilhar com as versões live. Mas será que esse truque será suficiente para ganhar um Grammy?

Primeiro, os indicados
“All of Me (live)”, John Legend
“Chandelier,” Sia
“Stay With Me,” Sam Smith
“Shake It Off,” Taylor Swift
“Happy (live)”, Pharrell Williams

Agora, as análises! “All of Me (live)”, John Legend

(ah, o amor, essa flor roxa… #amarga)

A balada ao piano composta como uma declaração para a esposa de Legend, a modelo Chrissy Teigen (e que deve ter virado a declaração de amor oficial de bilhões de casais em todo o mundo), foi indicada aqui em sua versão live porque a versão em estúdio foi lançada fora do período de eligibilidade (mais precisamente, 12 de agosto de 2013). Por isso, as versões “ao vivo” podem ser usadas como uma forma de emplacar músicas que, mesmo com impacto, não podem mais ser indicadas pelas regras da Academia. E esse é o caso de John Legend, que viu sua “All Of Me” receber um boost imenso após a delicada apresentação no Grammy deste ano, chegando à primeira posição, e alcançando o recorde de mais tempo em conseguir um  #1 na Billboard desde sua primeira aparição, há dez anos. Isso é que é exercício de paciência!

“All of Me” é maravilhosa! Uma balada totalmente construída e desenvolvida no piano, com os vocais suaves de Legend conduzindo a música, de uma forma sincera e simples. Impressionante como uma música, simplesmente por ser uma música, e chegar tão fundo nos corações das pessoas por seu caráter universal, conseguiu tocar tanta gente neste ano. A música, por sua versão em estúdio, seria uma candidata muito difícil, e uma favorita ao prêmio, mas seu grande calcanhar de aquiles é o fato de ter sido indicada em sua versão ao vivo, e não a original. Por mais que as versões ao vivo também tenham sua emoção, o fato delas serem “ao vivo” acaba tirando, de certa forma, a força que a música teria – principalmente se estiver concorrendo contra candidatos fortíssimos nesta categoria. No ano de Adele com sua versão live, as concorrentes eram Kelly Clarkson, com “Stronger (What Doesn’t Kill You)”, a OHW Carly Rae Jepsen e sua “Call Me Maybe”, Katy Perry e “Wide Awake”, além de Rihanna e “Where Have You Been”. Primeiro, estamos falando de Adele, ainda na crista da onda com seus seis prêmios Grammy e uma indicação ao Oscar por “Skyfall”. E segundo, o peso e impacto dos indicados de 2015 é maior que os indicados no ano de Adele. Por isso (e por conta de um certo cantor lá da terra da Rainha), um Grammy para “All of Me” ficará só na saudade.

“Chandelier,” Sia

(a peruca mais memética de 2014)

Eu já tinha comentado por aqui sobre a qualidade da canção lançada em 2014 pela australiana, o crescendo da canção, explodindo no refrão cantado a plenos agudos e pulmões. E como performance, foi uma das mais interessantes e notáveis do ano, principalmente porque “Chandelier” funciona num crescendo, com um trabalho vocal habilidoso da Sia, que já tem um vocal característico. Mas a categoria de Performance não avalia vocais, e sim a “performance” propriamente dita dentro da música, e aqui está uma performance digna de Grammy. Esse vocal meio preguiçoso, meio blasé dá um charme especial à letra, e ajuda no crescendo que eu disse anteriormente, que culmina na explosão do refrão, que deixa a música – que conta uma história aparentemente simples e boba (a história de uma garota festeira) num verdadeiro hino épico.

Assim como na análise de “Gravação do Ano”, o grande problema da Sia no Grammy é que, apesar da canção ser forte e ter “cara” de Grammy, o hype dela é menor do que o do grande favorito nesta categoria, o Sam Smith. “Chandelier” é equilibrada, tem cara de vencedora, tem uma interpretação marcante e única, que não tem imitadores, mas novamente, a australiana peca pelo lead-single do “1000 Forms Of Fear” ter sido a única música de grande impacto do álbum, além de não ter emplacado a cereja do bolo da premiação – Álbum do Ano, enquanto o britânico conseguiu todas as indicações no seu field (pop, o mesmo de Sia) além da principal categoria do Grammy, e o álbum do Sam teve outros hits. Novamente os votantes deram espaço para uma grande música, mesmo que aqui em Performance ela seja uma vencedora mais adequada que “Stay With Me”.

“Stay With Me,” Sam Smith

(a balada da sofrência de 2014)

Aqui temos novamente o nosso favorito. Sam Smith consegue transitar, em sua interpretação de “Stay With Me”, pelo pop, soul e pela música gospel, numa faixa igualmente equilibrada e melancólica, com elementos já discutidos no post sobre Gravação do Ano: a produção quase acústica, o coral gospel, a performance vocal que consegue trazer sofrimento e resignação, e o principal: “Stay With Me” consegue ser universal, já que a mistura entre esses estilos consegue atingir um grande público, de várias idades, etnias e nacionalidades. E tudo isso é transmitido na interpretação do Sam, que é o grande diferencial não apenas desta faixa, mas de todo o “In The Lonely Hour”.

Além da qualidade da música e da performance do artista em “Stay With Me”, essa música é franca favorita para levar o Grammy também por conta dos fatores externos que atrapalham a concorrência: o hype alto da canção, que teve um crescimento lento e sólido tanto nas rádios quanto no chart digital, todo o buzz em torno do próprio Sam, mais um membro da “invasão britânica” que tomou as rádios americanas nos últimos anos, e a própria distribuição das indicações aqui: Sam entrou no field pop e no General Field, ao contrário dos outros indicados, o que mostra a força do rapaz entre os votantes. Não vejo o gramofone fugindo das mãos dele, e se ganhar, ficará em excelentes mãos. Poucas músicas pop tiveram o poder de emocionar tantas pessoas diferentes como “Stay With Me”.

“Shake It Off,” Taylor Swift

(I just gonna shake shake shake)

A indicação “para compor” aqui em Performance Pop, deve ter entrado no lugar de outras faixas que poderiam ser mais adequadas para representar especificamente o ano englobado pelo Grammy (acho “Let It Go” injustiçada nesse aspecto).

O meu problema com a faixa da Taylor é justamente o fato de “Shake It Off” parecer uma faixa de qualquer cantora, menos da própria Taylor. Apesar da produção divertida de Max Martin e o vocal bem pop e despreocupado da artista, o lead-single do “1989” não tem o DNA da Taylor Swift em sua interpretação. Pode-se dizer da letra, que é uma espécie de crítica aos “haters” da moça, mas a categoria de Performance Pop não leva a letra em consideração, e sim a interpretação do artista na faixa indicada. Por isso, eu classifico a indicação de “Shake It Off” aqui a prova da força da loirinha na Academia, como também uma forma de deixar a cadeira da Taylor guardada para a provável dominação que ela vai fazer na cerimônia do ano que vem. Espere e verá! Por isso, não jogo minhas fichas nela este ano.

“Happy” (live), Pharrell Williams

(você se chatearia em ouvir de novo essa música?)

A trilha sonora do filme “Meu Malvado Favorito 2” que viralizou, foi hit massivo e deu a Pharrell mais um ano de exposição na música pop, foi a outra indicada em sua versão live porque, apesar da música em estúdio ter sido lançada em 21 de novembro de 2013 (portanto, ainda dentro do período de eligibilidade), a faixa estava na lista de músicas ligadas a Pharrell quando ele foi indicado ao Grammy de Produtor do Ano em 2014. Por isso, a gravadora optou pela trucagem que poderia dar ao homem do chapéu um Grammy de Performance Pop. Poderia.

Nada contra “Happy”. Eu adoro “Happy”, mesmo a música tendo saturado por conta da superexposição. É upbeat, moderna, soul, dançante, positiva, mas a versão em estúdio é flawless, poderosa e cativante. Assim como “All Of Me”, se a versão indicada ao Grammy fosse a de estúdio, a briga seria terrível por esse gramofone. Mas as versões em estúdio, como já tinha dito, tiram muito da alma e da força da música. E assim como “All Of Me”, a música do Pharrell está enfrentando uma lista forte de candidatos – não se tratam de boas músicas mas que não tem forças, ou tem um hype menor. As mais fortes canções em Performance Pop Solo são “Stay With Me” e “Chandelier”, que tiveram seu próprio hype e não sucumbiram à superexposição como “Happy”. Se o homem do chapéu não teve sorte ano passado no Oscar, onde perdeu para “Let It Go”, este ano a trucagem pode não funcionar.

 

CONCLUSÕES

Quem vai ganhar: “Stay With Me”. Precisa dizer mais alguma coisa? Sam Smith tem indicações no field pop e no General Field, é o queridinho do ano pelos votantes e além da interpretação dele ser excepcional, a música consegue ter apelo universal

Pra quem eu torço: Repito as opções de “Gravação do Ano”: se “Stay With Me” levar, vou ficar contente. Mas se “Chandelier” levar, vou ficar muito feliz.

O “dark horse” da vez: acho que a versão live de “Happy” tem mais chance de ser azarão que a live de “All Of Me”. Apesar das duas terem sido hits, e a interpretação de John Legend ser mais simples e sofisticada que o pop massivo de Pharrell, o impacto da faixa de “Meu Malvado Favorito 2” foi bem maior. Se os votos dividirem e algo esquisito acontecer, meu vencedor-surpresa será “Happy”.

Na próxima análise, a categoria da vez é Canção do Ano, onde o favorito todo mundo já sabe, mas no meu coração já há um vencedor. Até logo e feliz ano novo!

 

Anúncios

Comente aqui!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s