Nicki Minaj volta ao básico com elegância em “The Pinkprint”

Cover CD Nicki Minaj The PinkprintNicki Minaj é um dos nomes mais bombados do hip hop atual. Foi a rapper de origem trinitina que abriu a segunda leva de rappers femininas para o mainstream, e buscando expandir seus horizontes – ou seja, ampliar o seu público – acabou lançando materiais mais pop. Faixas como “Superbass” e “Starships” podem até ter alcançado um grupo grande de consumidores de música, mas acabou irritando os fãs mais antigos, que acharam que Nicki teria “se vendido” e se “popficado”.

Mas, a partir de mudanças no visual, que se tornou mais clean, e com o lançamento do lead single “Pills N Potions”, Nicki mostrou que queria voltar ao básico. E mesmo com a polêmica “Anaconda”, o objetivo de Onika Maraj (verdadeiro nome da rapper) é, ao mesmo tempo, reconquistar os fãs mais antigos e mostrar um trabalho interessante o suficiente para manter os fãs mais novos.

A pergunta é: será que ela conseguiu agradar aos dois grupos com o “The Pinkprint“? Confira no track-by-track da versão standard.

1. “All Things Go” – a primeira música do álbum tem muita cara de intro, contando uma história da vida da Minaj que muita gente não deve saber – como um filho que ela teria abortado quando jovem. A música é autobiográfica e bem sentimental, e mostra que Minaj não quer saber de meias palavras – quer jogar um jogo mais pesado, mais pessoal, e elevar o nível em relação às concorrentes.

2. “I Lied” – a gente já sabia que a Minaj cantava muito bem, e no primeiro single do “The Pinkprint” ela mostrou isso claramente em “Pills ‘n Potions”, mas os resultados aqui são bem melhores. A faixa é quase um downtempo puxado pro R&B em que Nicki versa e canta sobre fugir de um relacionamento que ela sabe que pode não dar certo, mesmo ela amando o boy. A solução apresentada por essa faixa é muito boa, apesar do arranjo um tanto batido, e mostra uma coesão bacana com “All Things Go” e a própria PNP – o que me leva a questionar: o que Nicki queria inicialmente com o “The Pinkprint”?

3. “The Crying Game” – eita que esse break-up foi intenso hein? “The Crying Game” é uma highlight do álbum, ainda falando de fim de relacionamento. Particularmente, achei essa mais marcante que a faixa anterior, talvez pelo arranjo mais marcante – o downtempo de “I Lied” eu jtive a impressão de já ter ouvido em umas mil e tantas faixas nos últimos dois anos. A parte cantada fica a cargo do featuring sem créditos da britânica Jessie Ware, que deu um ar mais melancólico e etéreo à música.

4. “Get on Your Knees” (ft. Ariana Grande) – depois de ser pessoal, Nicki tem que hitar pra garantir os milhões na conta. E quer coisa melhor que hitar com a versão urban/hip hop de “Dark Horse”? Oras, DH já virou um ponto de partida para seus filhos (oi “Black Widow” e “Numb”) e nada melhor que convocar Katy Perry para compor o refrão grudentíssimo. Mas como Katy já estava marcada com o hit indicado ao Grammy, nada melhor que chamar a nova BFF Ariana Grande para entoar os versos sexies e meio debochados do refrão e da bridge, que ela interpreta com um certo enfado, que dá um charme à música. Os versos da Nicki são ótimos, aliás, a música é muito legal – apesar de totalmente NSFW (not safe for work, ou seja, acompanhe a letra no conforto de casa). Deve ser single logo, já que Nicki não vai perder a oportunidade de mais um top 10 na Billboard (e a música está em 59º no iTunes, muito bom para um não-single).

5. “Feeling Myself” (ft Beyoncé) – Nicki ostentação é foda! E ainda ancorada por Beyoncé, que não anda realizando featurings por aí (aliás, Beyoncé não é de fazer muitas participações especiais em faixas alheias), numa das músicas mais legais do álbum. Outra highlight marcante do “The Pinkprint”, é muito mais hip hop que as outras faixas, mas mesmo assim tem uma coesão e uma ligação relacionada aos arranjos mais minimalistas que é notável, deixando os versos falarem ao invés da produção por trás. A letra é cheia de referências (a “Flawless”, bem rapidinha”, citação a “On The Run Tour”, ao lançamento surpresa do “BEYONCÉ”) com espaço até para um shade básico na Iggy (será?) em “Bitches ain’t got punchlines or flow”. Outra música muito bem posicionada no iTunes (num incrível 19º, ótimo para um não-single que não é puro pop), acredito que será single pelo menos nas rádios urban.

6. “Only” (ft. Drake, Lil Wayne & Chris Brown) – a trilogia do featuring continua, e Nicki trouxe bastante gente: agora são Drake, Lil Wayne e Chris Brown, que canta o refrão. O terceiro single do “The Pinkprint” recebeu um lyric vídeo polêmico (e de gosto duvidosíssimo, aliás) além de um clipe que deixaria Christian Grey ruborizado. A letra não é um primor de criatividade e Nicki aparece aqui meio ofuscada em meio a tantos featurings, mas a faixa faz muito sentido dentro do álbum.

7. “Want Some More” – hora de voltar às atividades normais com a Nicki mostrando que ela é boa sim e os outros nem podem se comparar a ela. A faixa parece um tanto esquisita no começo, mas quando ela começa com o rap, e a variação na velocidade, dá pra ver que ela quer mostrar que “Nicki Minaj” tem fôlego, flow e inspiração. E o arranjo continua extremamente coeso, mas sem parecer um álbum de uma música só.

8. “Four Door Aventador” – Outra faixa mais roots do álbum, de acordo com algumas pesquisas, a inspiração aqui é no rapper ícone Notorious B.I.G, por isso o flow dela aqui é um tanto diferente de outras faixas do álbum. Acredito que os fãs mais die-hard de hip hop devem ter curtido essa faixa, que apesar de eu particularmente ser uma curiosa estudando ainda sobre o gênero, achei bem interessante.

(e com metade da versão standard ouvida, nenhum filler até agora)

9. “Favorite” (ft. Jeremih) – o álbum volta a falar de amor, mas agora é uma interlocução romântica entre Nicki e seu featuring, Jeremih, com uma voz deliciosamente melódica no refrão e no pré-refrão. A faixa tem uma pegada mais midtempo para downtempo, com uma batida mais sensual bem-vinda à música. Tem cara de ser single pra finalizar as atividades do álbum, com direito a um clipe bem sexy.

10. “Buy a Heart” (ft. Meek Mill) – a estrutura dessa música é um pouco diferente – aqui Nicki versa e canta em alguns momentos, enquanto a primeira metade da canção fica com Meek Mill. A faixa também fala de amor, mas a solução não é tão intrigante quanto na faixa anterior. Não é um filler pelo refrão forte e pelo arranjo bem bacana. Vale ressaltar o quanto o álbum permanece coeso musicalmente e liricamente com tantas participações especiais.

11. “Trini Dem Girls” (ft. Lunchmoney Lewis) – que delícia de música! O featuring não é tão necessário assim, mas os versos são bem divertidos, e o arranjo é deliciosamente tropical, meio caribenho, e meio transitório, já que é um rompimento não tão duro da pegada urban/hip hop que permeia todo o álbum. Aqui a Nicki é Nicki com a auto-estima lá em cima, valorizando as garotas do ghetto, de sua terra natal (Trinidad e Tobago) e da Jamaica. É a minha guilty pleasure do álbum, preparando para a faixa mais divisiva do “The Pinkprint”…

12. “Anaconda” – e chegamos à música que divide atenções, críticas e elogios, seja pelo uso ousado do sample do Six Mix-a-Lot, ou pelo clipe totalmente NSFW. A conclusão sobre “Anaconda” na tracklist é: ela está no ponto certo, apesar de ser a faixa mais cheia de produção e menos orgânica do CD. Estruturada após outra faixa também fora do “padrão” do álbum, “Anaconda” ainda continua forte e única, mesmo tão lá embaixo na tracklist. Melhor aqui que após “I Lied”, por exemplo, né?

13. “The Night Is Still Young” – eu estou tentando começar a escrever alguma coisa sobre esta faixa, mas o máximo que eu posso dizer é: os fãs da Nicki não querem vê-la insistindo nesse eletropop farofa batidíssimo, tampouco em mais uma letra de “vamos curtir a vida, party hard”. Eu teria tirado do corte final.

14. “Pills N Potions” – já foi resenhada, e ainda mantenho minha opinião sobre a faixa como um início pouco impactante como lead single, mas um belo rompimento do que ela tinha apresentado anteriormente. Além disso, ela está mal colocada aqui na tracklist, sendo uma quebra muito forte em relação à farofada anterior. Mesmo assim, liricamente falando, está em consonância com os temas principais do álbum.

15. “Bed of Lies” (ft. Skylar Grey) – outro single do álbum, tinha sido apresentada pela Nicki e Skylar Grey no American Music Awards. Continua a série de midtempos que tinham retornado com “Pills N Potions”, ainda no tema de relacionamentos fracassados (desta vez, discutindo a relação com um boy traidor). Eu particularmente gosto da música, apesar de não achá-la forte para ser single. Além disso, a produção tem os vícios de Alex Da Kid, o que torna a canção muito similar a outras que foram feitas antes (“Love The Way You Lie”, alguém?)

16. “Grand Piano” – Nicki já tinha mostrado suas habilidades vocais em outras faixas do “The Pinkprint”, mas aqui nesta balada ao piano (como não poderia ser?), ela mostra que pode ser uma cantora de R&B bem competente, numa faixa que tem ligação intrínseca com “Bed Of Lies”, tanto no tema quanto no arranjo (mas enquanto lá o piano é a base da música, aqui o instrumento é quem conduz a canção). Um encerramento inteligente da versão standard, com direito a violinos e a prova de que o equilíbrio e a coesão são as marcas registradas do CD.

A palavra que posso descrever sobre “The Pinkprint” é elegância: Nicki Minaj elabora junto com seus produtores um álbum coeso, com uma pegada mais hip hop, urban e R&B, sem sucumbir a produções excessivas e deixando os versos falarem. Versos que tratam de relacionamentos, sejam fracassados, sejam romances ainda em construção. Há espaço para a Nicki mais ostentação, uma Nicki mais divertida e uma Nicki sexy, mas todas essas faces (e as participações especiais que compõem o álbum) não afetam a audição – pelo contrário: os featurings apenas ajudam a compor essas “impressões” da vida e das dores, das sensações e das vivências da Nicki Minaj, sem deixar (em sua absoluta maioria) a artista principal em segundo plano.

Algumas excessões devem ser consideradas (como a inclusão da tenebrosa “The Night Is Still Young” na tracklist final), mas o conjunto da obra é notável. “The Pinkprint”, mesmo com sua extensão, não é cansativo, consegue trabalhar bem os temas similares com criatividade, e mostra Nicki com bastante inteligência em seus versos e com uma performance vocal bem interessante. E ainda tem a possibilidade de lançamento de bons singles, sem comprometer a idea inicial que o ouvinte pode ter ao ouvir essas canções, não tendo a sensação de que ao comprar o álbum, pode estar levando “gato por lebre”.

É um grande salto para Nicki, e mostra que voltar ao básico pode ser a melhor forma de dar um upgrade na trajetória musical. Well done!

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