Grammy 2015 – indicados a Performance Pop por Duo ou Grupo

Banner Performance Pop A categoria de “Melhor Performance Pop por Duo Ou Grupo” é sempre uma das mais disputadas do Grammy, desde a junção das falecidas “Performance Pop por um Duo ou Grupo” (que premiava apenas bandas) e a “Melhor Colaboração Pop” (que seriam os duetos, featurings e afins). Uma categoria que sempre inclui os hits do ano nos indicados (até LMFAO já teve chance de levar um Grammy!), existe desde 2012, e teve como vencedores em edições anteriores Tony Bennett e Amy Winehouse, Gotye e Kimbra e Daft Punk com Pharrell e Nile Rodgers. Agora é hora de conhecermos um novo vencedor, que pode vir de um grupo bem interessante de indicados, mesmo que os prováveis vencedores estejam bem à vista…

“Fancy,” Iggy Azalea ft. Charli XCX
“A Sky Full of Stars,” Coldplay
“Say Something,” A Great Big World ft. Christina Aguilera
“Bang Bang,” Ariana Grande, Jessie J & Nicki Minaj
“Dark Horse,” Katy Perry ft. Juicy J

“Fancy,” Iggy Azalea ft. Charli XCX

(eu disse hit do verão, Vivi?)

“Fancy” foi um dos hits do verão americano, seja por sua batida minimalista e grudenta, com uma levíssima inspiração 90’s; o refrão chiclete, a letra ostentação ou o clipe em homenagem a “As Patricinhas de Beverly Hills”, um marco da cultura pop muito mais próximo da juventude que consome música atualmente. Não interessa, a música finalmente revelou a australiana Iggy Azalea para o pop, após tentativas com os dois singles anteriores da carreira (“Work” e “Change Your Life”, com o mentor T.I.), e fez Charli XCX estourar de vez na América. Seria esquisito não ver a música do verão como uma das indicadas ao Grammy, principalmente pelo impacto na cultura pop que proporcionou e o sucesso da faixa.

A faixa é forte e bem equilibrada, e mesmo com as críticas à habilidade de Iggy em interpretar seus versos, assim como a letra, considerada fraca (mas estamos aqui discutindo a performance, não a composição 😉 ), é inegável que é bem produzida e comercial. Poderia até ser uma vitoriosa aqui nesta categoria, mas entre as indicadas, há músicas melhores, com colaborações mais interessantes. Se “Fancy” concorresse talvez com “Problem”, “Bang Bang” e alguma canção do Maroon 5, eu já teria considerado a faixa como favorita e Iggy levando pra casa o primeiro gramofone. Mas a concorrência de “Fancy” é pesada, e nem todo o impacto na cultura pop e sucesso podem rivalizar com outro sucesso e influência.

“A Sky Full of Stars,” Coldplay

(até quando fazem uma música animada o Coldplay dá sono)

O Coldplay aparece aqui como minha surpresa pessoal com “A Sky Full Of Stars”, single do “Ghost Stories”. Se colocando aqui como assumidamente pop, a entrada da banda britânica é adequada pelo gênero da música submetida, mas não pela música em si – “A Sky Full Of Stars” não é exatamente um dos melhores momentos do grupo. A faixa tem co-produção do Avicci (o que é surpreendente, em se tratando do background do DJ), mas mantém a característica do Coldplay mais recente. No entanto, é um material fraco para o Grammy.

Eu teria submetido “Magic” como representante da banda na premiação deste ano – apesar da melodia mais monótona, é uma música mais interessante (como produção e performance vocal do Chris Martin mesmo) – mesmo com as reviews mais positivas a ASFOS que a “Magic” no lançamento das duas. Além disso, o lead single do “Ghost Stories”, por ser um pouco menos óbvia em sua produção, me pareceu com mais cara de indicada ao Grammy que ASFOS, que parece genérica para os padrões do Coldplay. Acredito que a indicação deles aqui tenha vindo pela força da própria banda, que possui sete vitórias na premiação – tanto que, apesar de terem conseguido indicação em Álbum Pop, eles não emplacaram nenhuma indicação na General Field. Eu realmente ficaria surpresa se a banda levasse essa, levando em conta que existem músicas na categoria com mais impacto, sucesso e muito mais interessantes que “A Sky Full Of Stars”.

“Say Something,” A Great Big World ft. Christina Aguilera

(sdds Xtina)

A história de Cinderela de 2013, foi a baladinha do fim do ano passado e trouxe para o grande público o duo indie pop “A Great Big World”, uma música de fim-de-relacionamento digno de ser tema-de-novela, um top 10 na Billboard e uma Christina Aguilera contida e discreta, mas pungente, como nunca se viu. A faixa já tinha sido lançada em setembro de 2013, mas foi relançada no final do ano com os vocais de Xtina, com direito a apresentações no The Voice e no American Music Awards. A faixa é belíssima: simples, apenas com o piano acompanhando os vocais de Ian Axel (a parte do “A Great Big World” que tem os vocais principais da música) e logo depois, Christina no fundo, como se fosse uma resposta, ou uma lembrança do fim do relacionamento, por parte do antigo amor.

Prova de que às vezes uma canção consegue crescer por ela mesma e por sua produção e construção, “Say Something” tem a cara do Grammy – é uma balada bem à moda antiga, tradicional, que os votantes mais antigos adorariam premiar; mas não é datada. É moderna e timeless. Causou impacto na cultura pop ao ser performada no The Voice e ser catapultada ao primeiro lugar no iTunes, além de ter sido hit. Além disso, o featuring é uma das artistas mais queridas pela Academia – Aguilera tem cinco prêmios Grammy, volta e meia é chamada para performar e todos esperam que a “voz da geração” retorne à velha forma, com um bom álbum e músicas cativantes. Um Grammy seria a oportunidade perfeita para inspirar um comeback poderoso da loira – além de premiar o trabalho de uma dupla que acabou ficando one hit wonder após “Say Something”, mas por alguns instantes, foi a Cinderela desse conto musical de fim de ano. Pra mim, é a favorita ao prêmio, mesmo com outra concorrente fortíssima no páreo.

“Bang Bang,” Ariana Grande, Jessie J & Nicki Minaj

(é a Lady Marmalade do século XXI… guardadas as devidas proporções)

A adição surpresa, mais azarão que o próprio azarão (“Dark Horse”), é o encontro entre duas vozes poderosas e uma rapper bem sucedida numa das faixas mais catchy e bem produzidas do ano. “Bang Bang” colocou outra vez Jessie J na boca dos americanos, deu a Ariana Grande mais um hit e Nicki Minaj brindou o público com mais uma série de versos inspirados. Cortesia do produtor do ano (desculpa Pharrell) Max Martin, a faixa consegue a proeza de ser extremamente equilibrada no espaço que dá às três artistas. Jessie e Ariana não tem um espaço sobrepujado pela outra, enquanto Nicki consegue divertir e não roubar a cena como sempre faz em seus featurings.

A música fez um imenso sucesso nos Estados Unidos, tanto que alguns desavisados acham até mesmo que a canção é apenas de Ariana e Nicki, e a Jessie é apenas um featuring – ou pior, nem existe na canção. Mesmo assim, “Bang Bang” é outra prova da força da canção como letra+música+escolha dos artistas+impacto nos charts, e como essa música teve força pra angariar até uma indicação ao Grammy. Agora, chegar é uma coisa – ganhar é outra. Não vejo “Bang Bang” como vencedora pela força das outras canções na categoria – e o fato de ser uma música mais recente a ter entrado no corte final conta pontos contra. Dica: em Grammy que tem músicas extremas concorrendo – uma antiga e outra mais nova, é mais fácil uma música antiga levar do que uma muito recente – a muito antiga entra pela força da música, por ter sobrevivido em praticamente um ano de lançamento de inúmeras músicas que poderiam ter sido eleitas pra entrar no corte final; e a recente, mesmo entrando no “apagar das luzes” do período de eligibilidade (não digo que esse é o caso de “Bang Bang”, mas a música é do fim de julho, e o fim desse período é 30 de setembro), pode não ter a força suficiente para ganhar de canções mais estáveis.  (das três vencedoras da categoria, duas foram lançadas no primeiro-quarto mês do ano válido dentro do período. A única lançada mais perto do “fim da feira” foi “Body and Soul”, mas é compreensível a vitória só pelos termos “música póstuma da Amy Winehouse”) Uma vitória, só se for como azarão…

“Dark Horse,” Katy Perry ft. Juicy J

(are you ready for a perfect storm?)

O Cavalo Preto é a melhor chance em anos para Katy Perry levar um Grammy. Na sua décima-primeira tentativa em conseguir um gramofone pra chamar de seu, a californiana saiu da zona de conforto com “Dark Horse”, uma das melhores músicas da carreira, se rendendo a um urban-pop bem truqueirozinho, com direito a break trap igualmente truqueiro (cortesia de Dr. Luke), que gerou filhotes como “Black Widow” e “Numb”. Com direito a um rap moderadamente marcante de Juicy J (os filhotes possuem raps mais inspirados), a música é forte e consegue ser uma das melhores – se não a melhor – do “PRISM”. Além da letra mais “adulta”, “madura” e sugestiva, com a produção menos excessiva e destaque para um vocal sexy da Katy, “Dark Horse” já tinha recebido praise da crítica e do público, que tinha eleito a faixa single antes mesmo da Katy lançar propriamente como single. (de fato, ela lançou DH muito mais por pressão do que vontade própria, já que a faixa de que ela gostava, “Unconditionally”, não marcou como ela esperava)

Apenas pela música não ser o pop alegre e despretensioso de Katy Perry, já merece uma indicação. E a faixa, tanto pelo impacto musical (em formar “cópias” com arranjo urban-pop e break trap falseta) quanto pelo sucesso nos charts, já merece uma olhada mais profunda. E o fato da música ser muito boa, catchy desde a primeira ouvida, com o pré-refrão bem construído e a performance da Katy em sintonia com o rap, que, apesar de não ser tão bem inspirado, funciona direito onde foi colocado na música, é sinal de vitória para Katy. Eu a ponho como a outra favorita ao prêmio. Seria a favorita absoluta se “Say Something”, tão a cara da premiação, com uma artista consagrada (e com Grammy e mais respeito da crítica que a Katy) não estivesse no páreo. O maior inimigo de Katy Perry é o resto do trabalho que ela apresenta. Pra cada “Dark Horse” que ela lança, o público tem que ouvir “Roar” ou “This Is How We Do”. E a má-fama de “artista descartável” vai segui-la, assim como as desconfianças da Academia. Mas não ficaria surpresa se ela levasse o prêmio – até como uma forma de mandar uma mensagem do tipo “relaxe, agora você já tem um. Passou, passou…”. E um conselho: “Se arrisque. Dá certo”.

CONCLUSÕES

Quem vai ganhar: nossa, dúvida cruel. Meu feeling tá mais pra “Say Something”.

Pra quem eu torço: Se “Say Something” ganhar, ficarei feliz; se “Dark Horse” levar, também vou ficar contente.

O “dark horse” da vez: se “Bang Bang” ganhar, eu vou ficar boquiaberta. Nem imagino Jessie J fazendo discurso naquele palco.

Na próxima análise, o prêmio da vez é Gravação do Ano, com duas intrusas e um vencedor bem claro. Até lá!

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2 comentários sobre “Grammy 2015 – indicados a Performance Pop por Duo ou Grupo

  1. O que engraçado é que Fancy vem logo após um ano em que se premia ‘Royals’, tão discrepantes entre si. Seria interessante pois mostraria que Fancy era um risco que deu muito certo. Assim como você citou Dark Horse que saiu um pouco da zona de conforto da Katy, e aí sim, talvez seja a que mereceria o maior prêmio. Até porque por mais que SS seja apaixonante à primeira vista, e consegue tocar o coração, é muito simples e esquecível com o passar dos anos no papel de balada.

    • Eu coloco Say Something como “mais favorita” que “Dark Horse” pela própria fama da Katy como “artista descartável” – os votantes (e a crítica em geral) não dão muito valor a ela pelos outros trabalhos que ela já apresentou (Katy tem fama de hitmaker tanto quanto a Rihanna, e a amiga tem mais Grammy, mas alguns trabalhos da RiRi são mais consagrados que o da Katy, o que mostra o quanto a Academia – e a crítica em geral – é/são meio confusa/s às vezes 😛 ) e de certa forma, DH vem como um sopro de ar fresco dentro da carreira (mas o meu pé atrás é: esse diferencial pode ser suficiente pra levar um Grammy, contra uma música mais com a cara da Academia, e com uma artista mais consagrada e precisando de um “empurrãozinho” pra dar uma nova virada na carreira? Olha, situação difícil, mas qualquer uma das músicas merece)

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