Mas menino, que álbum bom esse do Nick Jonas hein

Cover CD Nick Jonas self-titledEu tinha comentado numa oportunidade anterior sobre as músicas lançadas pelo Nick Jonas durante este segundo semestre – cada petardo melhor que o outro – e em como a qualidade das músicas surpreendeu não apenas os ouvidos de quem curte música em geral, mas da crítica. “Chains”, “Jealous” (o single oficial) e “Numb” mostraram um lado adulto, maduro e sexy do ex-Jonas Brothers que chamou a atenção do público para o novo álbum que o rapaz lançou essa semana, o “Nick Jonas” (ai essa mania de autointitular os CDs!).

Pois bem, após vários lançamentos de músicas que compunham a tracklist do álbum, finalmente poderemos ouvir um dos lançamentos mais surpreendentes e legais do ano no pop – vindos da pessoa mais improvável possível

Confira o track-by-track da versão standard após o pulo!

“Chains“ – uma das palavras para descrever esse CD é que ele tem uma coesão admirável, uma ambientação misteriosa, e abrir com “Chains” ajuda e muito a gente entrar no clima do álbum. A letra é meio masoquista e a percussão mais seca, com uma pegada R&B alternativa e certa inspiração nos trabalhos do Ryan Tedder. Pena não ter feito barulho nos charts, mas é uma puta canção e uma das highlights do álbum.

“Jealous” – já tá cantando o refrão chauvinista de “Jealous”? Ainda não? Dá tempo, hein, já que Nick lançou um remix sensacional com a Tinashe (tenho que falar mais sobre ela por aqui, prometo!) e a música já tá bombando no iTunes americano, e subindo aos poucos nas rádios. A música é a mais pop do álbum, com pegada é levemente oitentista e o refrão tem um falsetinho no “jealous” que é viciante. Como eu disse, a letra é bem de machão,  mas a batida é muito boa.

“Teacher” – aqui as coisas ficam bem mais quentes. Um clima rola entre Nick e a garota, e ela não é exatamente uma expert na sedução; por isso, cabe ao rapazinho ensiná-la a arte das coisas. Tudo emoldurado por uma das canções mais oitentistas-funkeadas do repertório, com um break destruidor e guitarrinhas que dão todo um groove. Aqui a voz do Nick está parecida com a do Timberlake, mas a sensação geral é de que ele emula mais um Trey Songs do que o ex-NSync. Outra highlight do CD e novo single do rapaz, com direito a um lyric dos mais safadinhos.

“Warning” – As coisas ficam mais calmas, mas a ambientação meio misteriosa/sensual é a mesma. Um pop/R&B com uma produção mais simples e contemporânea, que de início parece mais fraco que as três faixas anteriores, cresce no ouvido da gente a cada refrão. Aqui Nick sabe que pode se meter em encrenca, mas quer viver seja lá o que ele quer viver. Interessante que, em nenhum momento, o álbum descamba para algo mais teenager. Nick Jonas é um adulto e quer aumentar seu público de ouvintes.

“Wilderness” – com um piano conduzindo toda a música, e um coral soul com direito a palminhas, Nick volta a falar safadezas em nosso ouvido, sugerindo que a gente volte pros tempos da selvageria pra fazer amor bem gostoso. Se esse CD é cheio de highlights, “Wilderness” é uma delas com certeza. (e tem tudo para ser single)

“Numb” –  eu já falei uma das melhores do álbum? ou single pra ontem? O filho sofisticado de “Dark Horse” e “Black Widow” tem a assistência da rapper Angel Haze fazendo o lado feminino da história de um fim de relacionamento em que a parte do Nick foi a mais afetada. A música mantém a ambientação misteriosa, com as batidas secas e a produção minimalista, e o break é bem legal.

“Take Over” – uma midtempo R&B guiada por um violão e uma ambientação obscura e sensual (eu já disse isso?) e mais uma letra bem direta sobre sexo. É outra faixa grower, mas que cresce mais rápido nos ouvidos que “Warning”.

“Push” – Aqui Nick Jonas entra num território do R&B alternativo (que ele já tinha tocado de leve em “Chains”), um território meio Frank Ocean. Usando muito bem os falsetes, a música, outra highlight do álbum, também trata de sexo, mas com uma certa calma e espera – como se nas outras canções a gente tivesse tratando mais de tesão e paixão, e aqui ele está com a garota que ama mesmo.

“I Want You” – Nick emulando Trey Songz de novo nessa faixa, que se junta a “Jealous” na lista de canções chauvinistas do do álbum. Aqui o rapaz dá uma de namorado obsessivo que brada que se a garota não ficar com ele, não fica com mais ninguém… Ao mesmo tempo em que ele não quer outra garota a não ser ela, e mesmo que ele seja visto com outra, é porque ele não está no seu juízo perfeito… Com o juízo perfeito ele não estava em ter colocado um negócio desses no corte final né? A música é ótima, mas fica a impressão de que ele é meio assustador na vida real.

“Avalanche” – single detected! Midtempo pop/R&B sobre um fim de relacionamento que não termina tão bem assim, tem a assistência nos vocais de Demi Lovato, amiga de Nick dos tempos da Disney. O que poderia atrapalhar e tornar a faixa algo meio teen (pelo histórico da dupla e pelo repertório da moça, ainda presa no teen pop) se torna outra faixa fortíssima do álbum. Nunca os vocais da Demi estiveram tão seguros e maduros a serviço de uma música bem escrita. Nada a declarar sobre o trabalho vocal do Nick aqui – e em todo o álbum, né? Impecável.

“Nothing Would Be Better” – Após esforços mais moderninhos na segunda metade do álbum, Nick retoma a pegada oitentista do CD nessa mid-tempo que encerra muito bem a versão standard do self-titled. A faixa é belíssima, etérea e continua ambientando bem o CD, que tem um tom tão claro que até as faixas mais up tem uma certa conexão com o resto do álbum. E aqui, onde ele declara seu amor à garota por quem é apaixonado, mesmo que não seja para sempre, é um encerramento digno e de ótima qualidade para um álbum impecável vindo da fonte mais surpreendente.

O que falar desse CD, se não amor? Coeso, com uma proposta clara e letras diretas e bem escritas, além da produção equilibrada e os vocais maduros do Nick, trata-se de um dos álbuns mais interessantes do ano que está acabando. Não há uma faixa ruim, ou mais ou menos. Até as que não são “amor à primeira vista” (“Take Over”/”Warning”) crescem no ouvido, e a que você pode torcer mais o nariz (“I Want You”) ainda pode ser chamada de um prazer culposo. Além disso, dentro do CD, dá pra tirar várias faixas como single. Não é um emaranhado de faixas pra compor CD e uma ou duas com potencial.

Nick aqui poderia entrar num território do Justin Timberlake, tentando fazer o R&B que o loiro vem trabalhando desde a carreira solo – e até tentando emular seus falsetes – mas ele inteligentemente corre em direção bem diferente, principalmente ao direcionar o CD ao soul/R&B feito nos anos 80 e ao R&B alternativo, e se colocando como alguém que caminha “ao lado”, e não “seguindo seus passos” o que poderia direcionar críticas ao álbum como mais um “wannabe Timberlake”. Claro que apenas o fato de ser um cara-branco-cantando-R&B já associa rapidamente ao JT, mas ao ouvir as faixas do álbum – e o tempo todo na resenha, eu fui pensando muito mais que ele emulava o Trey Songz no vocal do que o Justin.

Além disso, falar de sexo e deixar todo mundo alvoroçado é sempre um bom caminho para se vender CD, né? Principalmente com letras que vão direto ao ponto (“Teacher”/ “Wilderness”/ “Take Over” / “Push”). Nada contra, acho ótimo!

Então, corra pra ouvir o “Nick Jonas”. Você não vai se arrepender!

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