Taylor Swift vs. Spotify: quem ganha?

Taylor SwiftApós o mundo ficar surpreso com a decisão da Big Machine + Taylor Swift de retirar todo o catálogo de álbuns da artista do Spotify, algumas desconfianças pularam nas cabeças de jornalistas musicais, fãs, ouvintes de música; diretores da Billboard escreveram cartas abertas e foi discutido até mesmo se o exemplo da Taylor poderia instigar outros grandes artistas a tirarem seus materiais do Spotify se não fossem bem remunerados.

Porque a conversa aqui é essa: dinheiro. A Big Machine queria mais dinheiro para negociar a presença do “1989” no catálogo de álbuns do serviço de streaming; ao mesmo tempo em que o Spotify, sabendo que Taylor teria um dos álbuns mais esperados do ano, queria logo ter o lançamento para disponibilizar aos seus usuários assim que o CD fosse lançado de forma física. Já que a negociação não foi pra frente, a gravadora decidiu retirar logo tudo do catálogo.

Evidentemente, força tanto ouvintes ocasionais quanto fãs a comprarem o novo álbum, mas (como em todo lançamento) leva muita gente a comprar os trabalhos antigos (é só perceber, quando um artista famoso lança novo álbum, seus CDs anteriores recebem um belo boost em vendas). Mas, ao mesmo tempo, reforça um ponto antigo da própria Taylor Swift sobre os streamings:

Na minha opinião, o valor de um álbum é, e continuará a ser, com base na quantidade de coração e alma de um artista tem sangrado em um corpo de trabalho, e o valor financeiro que os artistas (e suas gravadoras) colocam em sua música quando ele vai para o mercado. A pirataria, compartilhamento de arquivos e streaming têm encolhido os números de vendas de álbuns pagos drasticamente, e cada artista tem tratado esse golpe de uma forma diferente.

Taylor Swift no Walt Street Journal, 7/07/2014

Swift nunca foi uma fã dos streamings, tanto que já era notório que sua equipe demorava em disponibilizar seus álbuns e singles no Spotify. E, para ela e muita gente, os streamings não dão aos artistas o retorno que eles desejam ter. De acordo com o próprio Spotify, os artistas ganham, por vez em que a música é tocada, entre  US$0.006  e US$0.0084. Fazendo uma multiplicação grosseira, se o artista X, independente, tiver seu single ouvido pelos usuários do serviço 500 mil vezes em um mês, por exemplo, ele vai ganhar US$ 3 dólares. Imagine um artista A-List como Taylor. Um não -single de seu álbum (vamos supor, um “Wildest Dreams”), se for ouvido no Spotify e alcançar uns 20 milhões de streams, fazendo as continhas, vai dar US$ 120 mil dólares – lembrando que serão distribuídos em várias partes e entregues a várias pessoas até chegar o valor final nas mãos da Taylor.

Claro que, para uma grande vendedora de discos, uma recordista como Taylor Swift, é melhor vender álbuns completos e conseguir lucrar milhões, já que na primeira semana, vai vender um milhão e 300 mil discos. Mas Taylor Swift é Taylor Swift. Adele é Adele. Beyoncé é Beyoncé. E até as bandas de rock são as bandas de rock. O mercado comporta ainda fenômenos de vendas de discos, mas desde o advento das vendas digitais com o iTunes, sem contar com a expansão sem fim da pirataria, a indústria vê um caminho sem volta. Não dá pra Taylor Swift, do alto de seus recordes atrás de recordes, achar que as pessoas vão comprar um álbum por 12, 13 dólares, só por conta de uma música, como se estivéssemos em 1989. Pior, não dá pra negar o que estamos vendo à nossa frente: a indústria, a mesma indústria da qual ela faz parte e defende, tenta sobreviver aos desafios que se apresentam à sua frente: não dá pra combater a pirataria, porque a cada PirateBay e MegaUpload que é tirado do ar aparecem 15? Vamos oferecer um serviço de música que pode ser livre ou pago, mas você ouvirá todo o nosso catálogo com segurança e qualidade, sem recorrer à pirataria. Daí aparecem Spotify, Deezer, Rdio, Pandora e outros que virão. E não vamos ouvir apenas Taylor Swift. Ouviremos os A-lists e os desconhecidos; vamos poder ouvir aqueles artistas antigos cuja discografia é difícil de achar e vamos moldando nosso gosto; este será o espaço para conhecermos gente nova (quantos artistas latinos legais tive a chance de conhecer através das playlists do Spotify?).

Ao mesmo tempo que sabemos que esse valor oferecido pelo Spotify aos artistas é pouco diante do que eles poderiam ganhar com venda de álbuns físicos – principalmente porque os artistas independentes precisam de dinheiro pra se bancar e contratar gente pra trabalhar com eles na mixagem e produção dos álbuns, ao contrário dos grandes nomes que têm a entourage da gravadora por trás; mas esse tipo de serviço é a grande chance para eles serem ouvidos por um público que em condições normais de temperatura e pressão nem olharia pro lado e compraria este álbum. Ainda assim, a indústria consegue sobreviver e mesmo oferecendo os catálogos de suas músicas para o público, dá a esse mesmo público pequenos mimos para que eles consumam o CD físico, que ainda tem o seu charme – ou você lança o álbum de supetão (oi Beyoncé) ou cria um evento pra lançar o seu álbum, com publicidade massiva e virais (oi Taylor); ou simplesmente lança bons álbuns com apelo crossover (dois nomes que todo mundo esquece são a P!nk e o Bruno, que apesar dos debuts não serem monstruosos, tem estabilidade tamanha nos Estados Unidos quanto em todo mundo, que ainda vendem seus álbuns, praticamente dois anos após lançados). Não dá pra também esquecer a força dos físicos, mas é impossível esquecer que a internet é um organismo vivo e cada vez mais o público só vai comprar um físico se realmente aquilo o interessar (falando de ouvintes ocasionais, e não fãs). Fora isso, as pessoas vão consumir música via stream, ou fazer download ilegal, ou no mínimo arriscar comprar uma faixa no iTunes.

Lembrando ainda que os streamings são um elemento novo nesse jogo físico+digital+rádios. A gente tá falando de Spotify, Deezer, Rdio, mas esquecemos que o Youtube já é contado pela Billboard como stream, e vale para o hot 100 da Billboard. Ou seja, não dá pra ignorar esse mundo e fingir que ele não existe, ou combatê-lo com todas as forças.

Se você não pode com o inimigo, junte-se a ele. Ou dando royalties maiores aos artistas, tanto os grandes quanto os independentes que lutam pra crescer nesse mercado duro que é a indústria fonográfica; ou oferecendo atrativos pra que o público compre seus álbuns físicos; realizando promoções para que comprem faixas/álbuns digitais; ou aceitando que o streaming é o futuro – as pessoas ganharam a chance, com a internet, de conhecer novos artistas, reconhecer nomes consagrados e se relacionarem de uma forma mais próxima com o trabalho dos artistas favoritos.

Quem ganha e quem perde? Só o tempo dirá.

Fontes: Buzzfeed¹, Buzzfeed² e Time

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