Taylor Swift – “1989”

Cover CD Taylor Swift 1989Quando Taylor Swift diz que seu álbum é inspirado nos anos 80, não é apenas uma inspiração sonora para pegar ouvintes despreparados. O álbum tem uma coesão admirável, com letras bem mais despretensiosas do que em suas incursões anteriores, além de uma sonoridade que mescla sintetizadores, guitarras e produções que, mesmo quando são orgânicas, fazem referência à década. Sem influências de outros estilos dominantes, como o R&B, o hip hop ou o rock, o “1989″ busca um pop mais puro e menos híbrido, o que é uma jogada esperta e inteligente de Taylor e os compositores e produtores que trabalharam com ela.

Ao mesmo tempo, a primeira incursão totalmente pop de T-Swift pode colocá-la como uma “ilha” no meio de um pop bem misturado e que busca ser crossover – ou seja, tocar em vários formatos. Taylor quer voltar ao básico, e o básico para ela são as referências anteriores à sua idade – os anos 80. Mas ao contrário de outros artistas que também trabalham com a década, o “1989” não quer se aprofundar de forma que fique entre uma homenagem e uma música vinda diretamente da década, mas com sopro atual. Taylor quer se inspirar, quer trabalhar com os sons e as letras que remetam ao período, mas  o limite dela é entre uma homenagem e uma inspiração. A música daquela época não está na sua formação musical (pode ser algo que ela tem ouvido, mas ela originalmente é uma cantora country), então ela não pode se fazer uma conhecedora nata, uma enciclopédia musical.

Sua homenagem passa por músicas que lembram filmes adolescentes em suas letras, faixas que parecem vindas de um CD de flashback, detalhes bacanas de produção, outras canções mais melancólicas que lembram um passado, mas um passado bonito. Tudo isso funciona, mesmo que as faixas não tenham o potencial pop massivo que se espera de uma pop diva; mas Taylor é uma vendedora de discos, e discos coesos e bem amarrados são o que ela sabe fazer de melhor.

E um milhão e 300 mil discos vendidos até agora não deixam mentir.

Confira mais no faixa-a-faixa a seguir: (resenhadas as faixas da versão standard)

Welcome To New York – A primeira faixa do CD tem aquela pegada despretensiosa das músicas pop oitentistas, com sintetizadores e pouco orgânicas. A letra realmente é bem fraca, mas tem muito a ver com o próprio espírito da faixa, mas carefree. Alguns versos são realmente vergonha alheia “And you can want who you want / Boys and boys and girls and girls”, no entanto, é uma boa faixa e uma intro para a pegada do álbum. Se você quer anos 80, tome anos 80.

Blank Space – A faixa é muito boa, os ecos e a batida seca são ótimos, e disfarçam bem o jeito “melancólico” da faixa com a letra meio autobiográfica. Taylor tem um histórico de relacionamentos, e o cara pra quem ela canta pode ser O CARA ou apenas mais uma lembrança. Aliás, é o segundo single do álbum, uma escolha acertadíssima e com mais cara de “anos 80” que o primeiro single, “Shake It Off”, que era bem pop e a voz da Taylor não era sequer reconhecível.

Style – A faixa é beeeem mid-80’s, com as guitarrinhas e a letra naquela pegada vintage, meio romancinho de filme do John Hughes. A letra não é esse primor, mas segue bem a linha despretensiosa que a Taylor imprime no CD. Isso se chama coesão.

Out Of The Woods – se temos faixas muito boas até agora no CD, essa faixa já começa a chamar de “épica”. A letra é simples e bem evocativa do fim de um relacionamento (aparentemente com o Harry Styles do One Direction); e acho que ter sido composta juntamente com o Jack Antonoff do fun. ajudou a Taylor a pensar numa música que, ao mesmo tempo em que parece um daqueles singles de bandas de synthpop one hit wonder dos anos 80, tem uma pegada muito atual e melancólica que vale a pena ouvir muitas vezes. Além disso, só de ter saído da máquina Max Martin-Shellback-Ryan Tedder e trabalhar numa faixa comercial mas diferenciada é um ponto a mais. OOTH foi single promocional do “1989”, mas poderia ser um single para o inverno, o tempo frio, chocolate quente e edredon com o boy. 😉

All You Had To Do Was Stay – é filler, viu? A mulher passa quatro músicas sendo despretensiosa com bons resultados e aí me apresenta essa produção preguiçosa, com essa letra clichê. Por que não ficou de fora do corte final? Por que o Max Martin não enviou isso pra primeira teenager que apareceu?

Shake It Off – tá, o que essa música tem a ver com o clima de TO-DO o álbum? primeiro, a voz da Taylor aqui tá irreconhecível – parece uma sub-Avril Lavigne, parece uma música de qualquer um, e os trombones enfiados aqui não tem nada a ver com os sintetizadores colocados no CD até agora. Pelo menos a música é boa, cresceu em mim ultimamente HAHAHAH

Wish You Would – o CD volta ao funcionamento normal com essa outra faixa misturando guitarrinhas e synths e aquele clima de bandas OHW que ficou perdido a partir da quinta faixa. Outra faixa com Antonoff do fun., menos inspirada que OOTH mas bacaníssima. Fiquei com água na boca para outras colaborações entre os dois.

Bad Blood – a famosa faixa de shade contra Katy Perry. Se essa louca não lançar isso como single, vou até Nova York e arranco todos os cabelos loiros dela. Esse pré-refrão meio corinho é sensacional!

Wildest Dreams – Swift diminui a velocidade aqui, o que é uma boa ideia. Tem um ar épico, de “singalong”, o que deve funcionar em grandes turnês. Em alguns momentos, Taylor parece cantar empostando um pouco a voz, lembrando sua amiga Lorde.

How To Get The Girl – a velocidade volta a aumentar com essa faixa despretensiosíssima, com a Taylor fazendo as vezes de “conselheira amorosa”. Ela não perdeu sua verve de “contadora de histórias”, com direito a um final surpreendente na bridge; a faixa tem uma pegada meio bubblegum pop, mas é tão delicinha que você nem chama de filler.

This Love – e Taylor diminui ainda mais a velocidade. Nada contra, se for pra apresentar uma faixa tão agradável como essa. Eu gosto de como ela lida com os bad boys neste álbum, em como ela sabe que eles não prestam mas não consegue escapar deles. É uma ótima faixa, mais atemporal e agradável. Mesmo assim, WD continua sendo melhor entre as baladas. Aliás, não tem muitas baladas aqui né? Nada corta-pulsos, nada exageradamente oitentista.

I Know Places – ao contrário de WTNY, essa faixa co-escrita pelo Ryan Tedder tem mais cara de Ryan Tedder, com direito às batidas marcadas na percussão. O detalhe da fitinha tocando no início e no fim da faixa é um charme, dando um ar vintage, mesmo a faixa sendo mais atual. A letra é menos óbvia e mais metafórica, o que é bacana num álbum tão direto quanto o “1989”. Está na lista das highlights do CD e tem cara de single.

Clean – a música que fecha o CD é uma midtempo sobre fim de relacionamento por uma perspectiva bem honesta. Após muito choro e ranger de dentes, Swift finalmente está livre (ou “limpa”) das lembranças do ex. A faixa veio com um considerável hype, por ter sido escrita junto com Imogen Heap, e o hype faz todo o sentido. É uma Taylor introspectiva que já estava se mostrando desde TL, mas que chega ao ponto mais alto na última faixa, onde aparentemente ela segue em frente desse relacionamento (ou o “1989” não é todo sobre um relacionamento com um bad boy que a fez sofrer?)

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3 comentários sobre “Taylor Swift – “1989”

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