Maroon 5 – V

Cover CD Maroon 5 V

Maroon 5 lançou nesta sexta o quinto CD de estúdio do grupo californiano, “V”, num momento de sua trajetória artística que deve ser discutido com atenção.

A banda sempre se distinguiu com um som bem próprio, um pop com influências claras do R&B, funk, jazz e rock, sempre guiados por baterias com um certo groove, mas também com peso, além das guitarras bem marcantes. No entanto, a seara de sucessos teve uma queda após o lançamento do “Hands All Over”, e o ressurgimento comercial do Maroon com “Moves Like Jagger”, um pop mais puro (só que ainda com certa “identidade” da banda) acabou encaminhando o grupo para um som mais distante daquilo que eles foram conhecidos. 

O “Overexposed” deu sucesso comercial, já que o CD teve um grande número de produtores pesos-pesados da indústria (como Max Martin, Ryan Tedder, Shellback e Benny Blanco), ao contrário de suas empreitadas anteriores, e uma nova leva de fãs (vindos principalmente do The Voice, reality show musical onde o vocalista-muso Adam Levine é um dos jurados), mas muitos fãs antigos torceram o nariz pro material, que falando francamente, estava muito aquém do que o M5 já tinha feito antes. E pior, o “Over” tinha um problema sério: a sucessão de músicas similares, que fazia com que a gente parecesse estar ouvindo um CD de uma música só. 

Com o “V”, a banda californiana continua com a sucessão de produtores A-List num CD com problemas, mas o M5 conseguiu entregar ao público um CD mais audível que o anterior. 

Confira o track-by-track a seguir:

obs:  a resenha do álbum é da versão standard

‘Maps” – já resenhada no blog, é Maroon 5 tentando ser The Police, mas já fizeram isso melhor. Mesmo assim, a música é viciante

“Animals” – a música é o segundo single do CD. É bem pop, mas tem um pouco da “cara” do Maroon (principalmente em relação às letras mais sexuais). Não é tão boa quanto “Maps”, só que consegue ser bem interessante e faz uma sequência muito boa no CD, que logo você verá que tem alguns problemas de regularidade.

“It Was Always You” – A essas alturas no “Overexposed”, éramos apresentados a um sub-“Moves Like Jagger”; aqui Adam Levine e sua turma mostram uma das highlights do álbum. Uma midtempo pop com synth bem oitentista, parece vinda de uma coletânea flashback cantada por alguma banda OHW da época. A voz do vocalista está menos enjoada que na faixa anterior, e a faixa deveria ser lançada como single de fato, não apenas promocional.

“Unkiss Me” – Outra midtempo, só que menos marcante que IWAY. A música é mais pop com alguma pegada R&B (mas nada tão característico quanto os trabalhos do M5 nos primeiros CDs), no entanto, é aquela faixa filler só pra encher álbum.

“Sugar” – O pop continua dominando o álbum, nessa faixa mais pura. Eu até gosto dos arranjos e dos falsetes do Adam aqui, e tem pinta de grower. No segundo refrão eu já estava balançando a cabecinha. Pode ser um quarto single. Logo você vai perceber que as canções mais bacanas do CD são as que mais se parecem com o som antigo do M5 ou tem letras que mais se assemelham aos trabalhos anteriores da banda (como aqui, por exemplo, algumas referências sexuais e um pouco da necessidade daquela mulher que o deixou, num nível menos amoroso e mais carnal)

“Leaving California” – eu tinha visto em alguns fóruns que a galera considerava essa música uma tentativa do Maroon em refazer aquela balada que eles sempre tem em cada CD tipo “Never Gonna Leave This Bed”, “Won’t Go Home Without You” e “She Will Be Loved”, mas essa faixa não chega nem perto da força e da simplicidade das três canções que eu citei. É uma boa música, mas não tem o mesmo impacto de outras baladas do grupo.

“In Your Pocket” – Eu até gostei da música, tem cara de ser uma das futuras preferidas dos fãs, mas chegando até este ponto do CD, acho que nenhuma das canções chega perto de ter a força das três primeiras canções. Até agora tudo muito irregular.

“New Love” – O início engana, porque você pensa que vem um pop rock pesado. Até vem, só que um pop rock bem diluído, como se Max Martin tivesse produzido a faixa pra Kelly Clarkson (e olha que eu gosto da Kelly) – e por incrível que pareça, não é uma faixa do Max Martin e sim do Tedder. Não é uma faixa pra ser lançada como CD, mas é um dos momentos mais inspirados do álbum. 

“Coming Back for You” – a guitarrinha, o synth! Se o Maroon 5 tivesse seguido essa pegada desde o início do álbum seria sensacional. Essa música é incrível, apesar da letra ter uma construção simples (e as necessidades do eu-lírico aqui serem do coração e não do tesão), e uma das highlights do CD, e as melhores canções do “V” são sempre aquelas em que controlam os falsetes e os agudinhos do Adam. E pode ser single!

“Feelings” – alá o Maroon 5 se rendendo ao disco-funk (se bem que eles já flertavam com um som mais funkeado antigamente né, então estão na safe zone)! Engraçado como aqui o DNA da banda tá claro feito água, e é o mais parecido com o que eles já fizeram em CDs passados. A faixa é ótima – lembra uma prima bad boy de “Moves Like Jagger” – e recuperou bastante o clima do CD, que tem um meio de campo bem complicado.

“My Heart Is Open” (feat. Gwen Stefani) – eu entendo que agora fazer dueto com as juradas do seu programa de calouros is the new thing, mas podia ser uma música mais inspirada. Oras, é Gwen Stefani! A faixa piano based não tem nada de muito marcante a não ser a voz dos dois cantores. Aliás, o refrão da música é absolutamente preguiçoso. Apesar disso, tem jeito de tema-de-novela, mas não de novela das oito bombada, mais pra novela das sete

O “Overexposed” era um CD muito ruim, em que as únicas faixas audíveis e interessantes são “One More Night” e “Daylight”. Com o “V”, o Maroon 5 melhora um pouco as coisas, já que o CD, como um todo, dá pra ser ouvido e não se sentir com o tempo perdido depois da audição. No entanto, o álbum tem problemas. Após as três (boas) primeiras faixas, o recheio é um emaranhado de faixas pop bem produzidas mas sem aquele clique radio-friendly ou um diferencial. Para uma banda que sempre teve uma identidade, é estranho constatar como as faixas continuam deslocadas do que representa a banda. Depois de ao menos uma faixa interessante, o CD segue com três (boas) músicas até encerrar de forma pouco inspirada com um featuring desperdiçado. Há uma irregularidade e um outro desperdício – rítimico.

Das 11 músicas da versão standard, quatro têm influência oitentista, seja como uma variação do synthpop ou do do pop da época, seja com o reggae de “Maps”, com os cumprimentos do The Police, o que poderia ser um caminho interessante pro álbum – e até mais coeso. Você até poderia reclamar que as faixas não eram prontas pra rádio, mas todas teriam diferencial. 

Em “V”, há boas faixas para ser lançadas (como “It Was Always You”, “New Love” e “Coming Back For You”) mas nenhuma delas tem o fôlego de ultrapassar eras ou marcar como uma “signature song” do Maroon 5, aquela música que você ouve e diz: “Meu Deus, é Maroon 5!” mesmo você não sendo fã. “One More Night”, apesar de estar no CD onde estava, era. “Misery” era. “This Love” era. “Makes Me Wonder” também. Mas aqui, a impressão é de que são músicas que queimam cartuchos no período em que são lançadas, e que podem entrar num Greatest Hits por falta de opção. 

 Mas pelo menos não é o “Overexposed”. Só que podia ser bem mais.

E você? O que achou?

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2 comentários sobre “Maroon 5 – V

  1. […] Mas talvez o grande destaque da semana tenha sido “Sugar”, do Maroon 5. Marcando mais um top 10 na carreira do grupo californiano, a faixa – terceiro single do “V” – conseguiu um debut em oitavo lugar por conta do vídeo viral em que Adam Levine e seus amigos invadem casamentos. Armado ou não, o que interessa é que o vídeo virou mania, a faixa cresceu assustadoramente no iTunes e agora ocupa uma boa terceira posição. Após dois singles que também chegaram ao top 10 (“Maps”, o derivativo lead-single, ficou em sexto; e “Animals”, uma música melhor, mas com menos divulgação por parte do grupo, teve seu peak merecido na terceira posição), mas que não foram sucessos estrondosos como “One More Night” parece que o Maroon 5 conseguiu uma faixa com repercussão grande no álbum. No entanto, como o debut foi essencialmente por conta das visualizações e das vendas digitais, veremos como a faixa vai se portar nas próximas semanas, com o lançamento nas rádios. (minha suspeita? A faixa tem chances de hitar – é gostosinha, grower, tem um som mais retrô, foi uma das músicas que eu mais gostei no “V”, que é um álbum cheio de problemas. […]

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