Corre pra ouvir um dos melhores álbuns do ano! Sam Smith, “In The Lonely Hour”

Cover CD Sam Smith In the Lonely HourAfinal de contas, o que tem na água da Inglaterra? Os charts americanos estão recebendo outra dose de talento bruto vindo da terra da Rainha, pela voz cheia de soul do cantor-compositor Sam Smith, com os singles do seu debut álbum “In The Lonely Hour”. O branco-com-voz-de-negro e suas letras confessionais e autobiográficas já vem crescendo em popularidade tanto nas rádios e nos charts, fazendo com que muita gente pense que ele é a “Adele de calças”. Será?

Confira no track-by-track do álbum (a versão standard)

Money On My Mind – o refrão é muito annoying, mas a batida meio neo-soul/drum n bass é bem viciante, e a letra parece um testamento do que o Sam pretende fazer no álbum. Não é a melhor música do CD; pelo contrário, até dá uma visão meio errônea do que ele pretende trazer no CD. Mas não desista, prossiga.

Good Thing – as coisas começam a ficar mais lindas na segunda canção, um mid-tempo pop baseado em instrumentos de corda que fala de um eu-lírico que pretende terminar um relacionamento porque ele sabe que não há caminho para os dois. Uma constatação madura, reforçada pelos primeiros versos do refrão: “Too much of a good thing won’t be good for long / Although you made my heart sing, to stay with you would be wrong”. Um petardo na sua cara.

Stay With Me – o breakthrough single do “In The Lonely Hour” é um pop/soul com coral gospel timeless, que poderia ter sido escrito por alguém lá nos anos 70 como agora, em pleno século XXI. Os falsetes e agudinhos aqui não incomodam tanto como em “Money on My Mind”; pelo contrário, complementam a atmosfera de pedido de “fique comigo, mesmo que isso aqui não seja amor”. Algo bem diferente da conformidade madura da faixa anterior.

Leave Your Lover – Outra faixa conduzida por instrumentos de corda (violão e violino), também é uma confissão de amor de alguém apaixonado por uma pessoa que está comprometida, mas sabe que esse alguém nunca poderá dar o que ele pode. É bonito e triste ao mesmo tempo. E outra faixa elegante de um álbum bem classudo.

I’m Not the Only One – Outra faixa com pegada gospel-soul, piano-based, é deliciosamente bem produzida e de letra simples, mas contundente. Aqui, Smith está falando com a pessoa amada que sabe que ela está traindo ele, mas sem briga, sem confusão, apenas com os sinais sutis, em versos como “You’ve been so unavailable / Now sadly I know why”

I’ve Told You Now – Dá pra ver que o instrumental no CD começa muito pelo violão (acredito que as canções tiveram sua composição neste instrumento inicialmente). Essa música é outro exemplo disso. Outra faixa que fala de amor, desta vez em relação a alguém que está esperando que o outro perceba o seu amor, mostra a habilidade de Smith em escrever sobre o mesmo assunto sem parecer repetitivo, trabalhando em variedades com a mesma simplicidade e elegância.

Like I Can – Esse é um cd de indiretas né? Essa música é basicamente isso: o cara pode ser O príncipe encantado, mas nunca vai te amar como o eu-lírico te ama. Mas tudo isso num pacote mais mid pra uptempo, um pop/soul que parece uma prima distante de “Rolling In The Deep” em seu arranjo. Ótima música.

Life Support – Esse CD também é de necessidades, como em “Life Support”, faixa mais slowtempo/R&B em que Smith pede que a pessoa amada esteja com ele, porque ele precisa, porque ele construiu um mundo para os dois, porque ele não quer ficar mais na escuridão mesmo “When the sky is always painted blue”

Not In That Way – faixa mais acústica, mais bluesy, também em tom confessional, mostra o eu-lírico apaixonado por uma pessoa que, ele sabe, não o ama, e ele não vai dizer a verdade sobre seus sentimentos. Curta, doce e melancólica.

Lay Me Down – a última música encerra aquele testamento que eu tinha falado lá no início do track-by-track. Smith fala de amor, de necessidades, e escreve sobre isso, o tema principal do CD, um pedido para estar com a pessoa amada. Em “Lay Me Down”, o tom é doce, confessional, durante toda a canção, uma pegada jazzística, mas na bridge, tudo toma um tom épico, para voltar à doçura inicial da canção. Uma bela música, encerrando de forma perfeita a versão standard do CD.

Se Sam Smith é a “Adele de calças”, essa comparação é feita basicamente por conta das letras autobiográficas e o fato dos dois serem britânicos. Apesar de alguns compositores também terem trabalhado no álbum da conterrânea dele, aqui a produção não é tão soul/R&B/blues (como no 19, por exemplo) – tem uma certa pegada blue-eyed soul, mas eu acho mais pop, mais acoustic, mais adult contemporary do que qualquer outra coisa. As produções são leves, suaves, mais moderninhas e com letras simples, mas bem contundentes e facilmente relatáveis com qualquer situação. O álbum é inspirado nas experiências pessoais do cantor, mas qualquer um pode ter passado pelas situações de necessidade do outro, de fim de relacionamento ou de mesmo de uma constatação sobre o amor. Não vamos encontrar singles radio-friendly ou comerciais para #1, mas há algumas canções que podem ter uma boa performance nos charts, a exemplo de “I’m Not The Only One”, (lembrando que, na Inglaterra, já foram lançados como single “Money In My Mind” e “Lay Me Down”) mas acredito muito mais em “In The Lonely Hour” como um álbum coeso que se venderá pelas músicas, e não apenas pelos singles.

É um álbum para todas as idades, que consegue falar do mesmo assunto com variedade, simplicidade e elegância. Arrisco até que seja um dos melhores álbuns do ano, e merece todo o sucesso que está fazendo – além de uma série de indicações ao Grammy ano que vem. (pode anotar!)

Confira aqui o clipe do single que fez com que Sam Smith estourasse nos EUA, “Stay With Me”:

 

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