Boyband is great for a throwback – “The Secret”, do Austin Mahone

Cover Austin Mahone The Secret EPA gente ouve milhares de músicas num ano, seja porque gostamos dos artistas, seja porque precisamos ficar inteirados do que está tocando por aí, ou até mesmo pra criticar. Um dos casos em que eu ouvi só pra “me inteirar” foi do Austin Mahone. Vendido e formatado como uma versão “clean” de Justin Bieber, surgiu do mesmo jeitinho que o pop star canadense: fazendo covers no Youtube e logo depois conseguindo um contrato com uma grande gravadora. Após o primeiro EP, com alguns singles que fizeram pouco barulho, e outras músicas de trabalho que mostraram o trabalho do jovem para o mercado, Mahone lança o EP “The Secret”, onde ele mostra estar bem longe de um Bieber – nada de pegada R&B/pop. O teen pop do jovem cantor de 18 anos bebe da fonte mais improvável possível: o pop inocente e noventista das boybands. Ouvir “The Secret” é em sua maioria, voltar ao passado onde Backstreet Boys e NSync dominavam – só que ao invés de cinco caras bonitinhos, a conversa aqui é apenas um cara bonitinho.

Pra quem viveu a época, o EP parece um compilado de músicas gravadas por boybands do período que eles descartaram. Até que ponto isso é ruim? Como vivemos um throwback dos anos 90, e tudo que foi consumido naquela época é moda hoje, ir atrás desse filão é uma boa jogada dos produtores envolvidos neste álbum, principalmente se pensarmos que a boyband mais bem sucedida atualmente – One Direction – bebe de outras fontes para compor o seu som. Além disso, Mahone era um bebê de colo quando BSB estourou, por exemplo. Para o mercado, a imagem dele cantando esse tipo de música para as adolescentes tem mais potencial que um “recordar é viver” dos nossos ídolos dos anos 90.

E que bate uma saudade esquisita, isso dá… O que torna “The Secret” o meu guilty pleasure do ano.

Confira num track-by-track o motivo dessa sensação.

OBS: as músicas resenhadas aqui serão da edição standard do EP, mas vou deixar aqui o vídeo da melhor música dele – e a mais throwback do repertório dele, “What About Love”, que só está na edição europeia, como bônus. QUE PECADO.

“Till I Find You” : Alguém abriu o baú de memórias em 99 e entregou essa pérola pop pro Mahone hein gente? Faixa bubblegum pop redondinha, tipicamente romântica com aquela malícia calculada, e o refrão mais 90’s possível! A voz do moleque é  muito membro de boyband, o que torna a experiência de nostalgia mais interessante. E se você não ouvir essa música pensando nas coreografias marcadas e nos closes sofridos em frente à câmera, você não viveu a década.

“Next To You”: uma faixa que mais parece ter sido esquecida pelo NSync na virada do milênio, a clássica música “ele não te merece, eu te amo” tem até aquele break pra coreografia e o hook antes do refrão próprio pros closes. Outra faixa bem comercial – um pouco menos que “Till I Find You”, mostra um Austin bem seguro. A voz dele é mais desenvolvida com 18 que a do Bieber nessa época, por exemplo, o que o torna menos alvo de opiniões muito antagônicas sobre o seu trabalho. E a faixa é bem bacaninha.

“Mmm Yeah”: Única cota farofa do EP, se joga profundamente no som mais atual, e nada poderia ser mais atual que featuring do Pitbull. A música tem uma capacidade agressiva de ser chiclete, apesar de um dos refrões mais toscos que eu já ouvi na minha vida. A voz do Austin aqui está mais madura, de homem feito, mas a faixa parece muito genérica pro que foi realizado em todo o EP.

“Secret”: A malícia calculada está de volta na faixa-título do EP, e o throwback 90’s também! Desta vez, a música me lembrou algo dos BSB, e o refrão lento é sempre ótimo. A música tem um ar mais “dangerous”, pronto pra um clipe no escuro, com lobisomens e vampiros. Não me pergunte porque eu pensei nisso.

“Can’t Fight This Love”: Austin Mahone leu a cartilha da boyband todinha hein? Saindo um pouco das uptempos dançantes, essa é mais puxada pra uma mid, romântica e fofinha, com outro refrão que pega. Aí você descobre que o produtor principal do álbum é o RedOne (que trabalhou nos grandes singles da Lady Gaga) e entende porque as canções são tão pegajosas. É a mão do cara.

“All I Ever Need”: fechando a versão standard, é outra quebra em relação ao pop que ouvimos em “The Secret”. Uma mid mais baladinha com pegada R&B, mostra um lado interessante do Mahone, e um caminho diferente que ele pode seguir. Apesar da música ser bem bacaninha (e a batida ser meio mid-2000 – ô menino pra gostar de um revival), ela não brilha tanto na tracklist em relação às outras faixas mais noventistas.

“The Secret” seria a trilha sonora da minha infância, se tivesse sido lançado em 1999. As faixas, em sua maioria, são peças atualizadas, mas com fortes traços noventistas, daquilo que foi produzido no final daquela década pelas boybands mais famosas do período. Com músicas redondas, de refrões pegajosos e estrutura bem parecida com os singles lançados por gente como Backstreet Boys, NSync e 5ive, trata-se de um mini-álbum expositivo e bem interessante do Austin Mahone, que foge completamente das comparações com outros peers teen pra seguir um estilo que ninguém anda fazendo por aí, enchendo uma lacuna que, surpreendentemente, outros artistas não perceberam que estava pedindo pra ser redescoberta.

Como o pop é uma senhora glutona que sempre regurgita o velho travestido de novo, Austin e sua equipe fizeram o certo: lançaram um material pequeno, mas com boas músicas, sem fillers irritantes, e com um som que com certeza vai atrair às adolescentes com suas letras boy-meets-girl e malícia calculada, além da beleza juvenil do cantor, que tem uma voz mais madura e encorpada que os rivais. Se a gravadora for inteligente e investir bem, vamos ouvir falar muito de Austin Mahone por aí.

Principalmente sua priminha de 12 anos, sua irmã mais nova de 10, a filha da vizinha de 15 anos…

 

P.S.: ouça as duas faixas bônus, “The One I’ve Waited For”, que poderia ficar no lugar de “All I Ever Need” como baladinha noventista chupinhada do Backstreet Boys; e “Shadow (acoustic)” , outra baladinha, só que no violão, com aquele cheirinho de trilha sonora de filme adolescente da década de 90, pra experiência ficar completa. Mas não deixe de assistir ao magnum opus do jovem mancebo, emulando tudo que é de mais maravilhoso naquela década em “What About Love”:

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