Mariah Carey entrega o que se espera dela em Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse

Cover CD Mariah-Carey-Me.-I-Am-Mariah…The-Elusive-ChanteuseEsqueça o título cafona do álbum. Esqueça o caminhão de photoshop nas capas dos singles e das versões do álbum. Esqueça as breguices, os adiamentos e quaisquer outras coisas que Mariah Carey tenha feito nos últimos anos – incluindo aí o lançamento do “Memoirs Of An Imperfect Angel”. Mimi entregou para o seu público e os ouvintes em geral um álbum de acordo com a sua discografia competente e influente para gerações de vozeirões por aí. “Me. I Am Mariah… The Elusive Chanteuse” é um pop/R&B, com a identidade clara de Mariah Carey, se arriscando pelo terreno da disco e de uma dance mais noventista sem perder sua essência, e com um trabalho vocal impecável. Chega de sussurro!

Quer saber mais detalhes do álbum. Clique no botãozinho abaixo e confira um track-by-track do CD!

Cry. – Isso é que é começar um CD em grande estilo. Baladona soul corta-pulsos falando de um fim de relacionamento sob o ponto de vista de alguém que está pensando onde errou nesse caso de amor.

Faded – Uma midtempo R&B/pop bem Mariah, continuando a falar de um fim de relacionamento fracassado. É impressão minha ou a conversa aqui é um breakup album?

Dedicated (feat. Nas) – Essa música é uma gracinha, com as vozes da Mariah e do Nas no iniciozinho conversando. R&B gostoso e com uma pegada old-school, está numa vibe mais romântica.

#Beautiful (feat. Miguel) – o (ex?) primeiro single do CD quando se chamava ainda “The Art Of Letting Go” (aliás, um nome mais decente que este), é um R&B contemporâneo num ambiente novo pra Mimi, e bem resolvido. A voz dela casa bem com a do Miguel, e essa guitarrinha é ótima! Vale ressaltar que essa letra também trabalha com uma perspectiva mais romântica da relação, menos uma relação talvez consolidada (como em “Dedicated”) e mais aquele calor da paixão.

Thirsty – eu já tinha feito um review da faixa quando ela vazou abruptamente dia desses. Dentro da tracklist, ela até funciona, já que Mimi estava falando mal do ex-lover em outras duas músicas, e essa pegada R&B mais urbanzão era esperada. A abordagem é mais direta, e até o momento, é a música mais comercial do álbum.

Make It Look Good – Mariah volta ao clássico nesse R&B meio sessentista com letra old-school. Agora, ela está de olho no boy, mas ele é bad boy e mamãe não quer envolvimento, mas ela quer o rapaz mesmo assim. A gaitinha na canção é um charme. (agora eu soube que o responsável pela “gaitinha” é o Stevie Wonder. JESUS!)

You’re Mine (Eternal) – outro single do CD (que nem sei mais se a gente pode chamar de single, depois de tantas mudanças e adiamentos), também foi alvo de uma resenha elogiosa aqui neste blog. É um R&B/pop charmoso, mas engraçado como a voz da Mariah aqui destoa muito do trabalho que ela realiza dentro do álbum – em todas as outras faixas, ela está com um registro mais forte, enquanto aqui ela continua com a mania de sussurrar nas faixas, coisa do passado. Isoladamente é uma ótima música, mas interessante como ela parece fraca em comparação com as outras (lembrando ainda que era uma boa escolha de single… Até “Thirsty”, né)

You Don’t Know What to Do (feat. Wale) – a introdutora do pop com um rapper fazendo featuring foi dona Mariah, e claro que ela tem que mostrar pras outras como isso funciona né? Essa música já foi apresentada lá no Today Show, mas a versão em estúdio brilha mais! Esse R&B/soul/disco early-80’s é uma das highlights do álbum, uma uptempo gostosa, também uma breakup song, com uma produção equilibrada, sem exageros e uma guitarra discreta no fundo do arranjo. Merece ser novo single e fazer boa carreira nos charts.

Supernatural – fofuxice detected! A música em homenagem aos dem babies, os filhos gêmeos da Mariah, Monroe e Moroccan, é uma das mais bonitinhas do CD. Dá pra sentir na faixa e na letra simples a alegria dela e o amor pelos bebês, que aliás fazem featuring na música. Os dois são uns fofos, e a Monroe no final parece ter o mesmo jeitinho de diva da mãe!

Meteorite – Mariah goes dance, mas com o R&B comandando a festa. A inspiração aqui parece ser aquele dance anos 90, e a letra sai dos temas românticos pra ser mais um hino de auto-ajuda sobre fama, mas sem ser uma ode a fama, mais como uma observadora do sucesso alheio. Outro petardo bem inteligente da Mimi, que nunca foge de suas raízes, mesmo arriscando em outros estilos.

Camouflage – baladona pop ao piano poderosa. As camadas de voz são impecáveis, e a voz da Mariah aqui está linda. Visível que o main theme do CD deve ser a crise no casamento dela com o Nick Cannon né, porque metade das músicas é fim-de-relacionamento e dor de cotovelo. Nada contra, acho ótimo, porque não dá pra detectar até agora nenhum filler no CD.

Money ($ * / …) (feat. Fabolous)– E Mariah bota o pé mais fundo no urban numa faixa que fala, evidentemente, de dinheiro, mas que só serve pra comprar coisas legais e ter coisas legais, mas o amor, ah o amor… Eu ainda tenho que me acostumar com a produção, por causa das diversas camadas de voz na música, e uns benditos saxofones na canção, mas a música no geral é muito boa. Pode ser single, mas não sei se os ouvidos do grande público vão gostar dessa quantidade quase que obscena de vozes principalmente no refrão.

One More Try – Mariah sem um bom cover no CD não é Mariah né? Desta vez, ela tirou da cartola a música do George Michael. O vocal da Mimi aqui me lembrou o dos bons tempos – anos 90 – num cover com cara de versão pra respeitar o material original, e não cover fim-de-carreira (como foi com aquela versão motel de “I Wanna Know What Love Is”).

Heavenly (No Ways Tired/Can’t Give Up Now) – Mariah Gospel é o que há! Trabalhando aqui com toda a sua potência, técnica e habilidade vocal, ela entrega aos nossos ouvidos uma clássica canção R&B/soul/gospel sobre não desistir em hipótese alguma, uma faixa inspiradora e se você não levantar as mãos pro céu no refrão final, você não sentiu a música. Que encerramento de CD! E esse coral incrível no final, meio remixado, meio acapella?

Em resumo, como eu fui captando durante a audição do CD, Mariah Carey parece ter escrito esse CD em meio a alguma crise no casamento, porque boa parte das faixas trata desse fim de relacionamento com as mais diferentes reações – desde  a reação mais raivosa (em “Thirsty”), passando por uma abordagem mais “ex superado” (“You Don’t Know What To Do”) e reações antagônicas com o fim de um caso (“Cry.” e “Faded”). As letras são maduras e equilibradas, identificáveis com todo mundo, e as produções são mais complexas do que a média geral. Mariah não quer fazer concessões para as rádios; a essa altura da carreira, ela pode fazer exatamente o que tem vontade – afinal de contas, 18 #1 não é algo que se vê todo dia por aí.

Ainda sobre as produções, destaque para as camadas de voz bem utilizadas (apenas em “Money”, essa situação beira o confuso, mas depende das próximas ouvidas) e o fato de Mariah ter se cercado de produtores que trabalham bastante com urban (Hit Boy, Mike Will Made It), mas não se rendeu aos produtores – eles que tiveram de se adequar ao conceito proposto por Mariah. Incrível como todas as faixas são boas, sem exceção. Até a faixa mais “fraca” do CD (“You’re Mine”) seria uma highlight no CD da hitmaker mais próxima, mostrando uma coesão incrível. No entanto, são poucas as faixas com apelo comercial para se tornarem singles – além de “Thirsty” e “#Beautiful”, apenas “Money” e “You Don’t Know What To Do” (talvez “Meteorite” num bom dia) podem ser lançadas. Mas não é pra esperar mais um #1, e sim um desempenho bacana nos charts, que estão cada vez mais disputados – claro, com uma boa divulgação e um clipe legal, sem micos (o que evidentemente, a gente acaba esperando de Mimi). Mesmo com a pouca quantidade de músicas radio-friendly no cd, isso não significa que o “Me. I Am Mariah…” seja um CD ruim, ou um album filler. Pelo contrário, é um grande álbum, que respeita a carreira da Mariah e traz grandes trabalhos vocais da diva, mostrando que a voz dela ainda está no ponto (apesar dos pequenos micos em lives recentes).

Se o CD tem chance no Grammy? Não sei, os membros da Academia não curtem muito a Mariah, e o Grammy valoriza muito qualidade + sucesso. No meu coraçãozinho é candidato a Album Pop até prova em contrário, mas ainda tem muito ano pela frente.

 

Anúncios

Comente aqui!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s