“Xscape” prova a atualidade de Michael Jackson

Cover Michael Jackson Xscape CDFalar de um álbum do Michael Jackson produzido após sua morte é lidar com um pequeno problema em mãos. Sabemos que o Rei do Pop tinha uma visão muito clara e sólida de todos os seus trabalhos – além de ser um perfeccionista paranoico – o que faz com que qualquer lançamento póstumo soe como o bom e velho “caça níquel” pra faturar mais algum com as milhares de músicas que nunca foram lançadas por Michael.

Além disso, como estamos falando de unreleaseds, isso significa que foram canções que ficaram de fora do corte final criterioso do MJ. Ou seja, se ele não considerou essas músicas para lançar num trabalho oficial, porque seriam interessantes de serem lançadas agora?

Ao mesmo tempo, o “lado B” de Michael Jackson é melhor que 99% do que o mercado anda despejando nas rádios e iTunes da vida, então é com essa série de perguntas sem resposta e afirmações esperançosas que ouvi o “Xscape”, segundo trabalho póstumo do Michael Jackson após sua morte. Produzido por nomes como Timbaland, que é um dos produtores executivos, StarGate, Jerome “J-Roc” Harmon, John McClain e Rodney “Darkchild” Jerkins, o álbum tem oito faixas em sua versão standard, que funcionam como uma inteligente linha do tempo de canções atualizadas com base no R&B oitentista, pop, soul, pop rock e uma pegada urban, tentando tornar faixas antigas, com 30 anos de idade, algo novo e prontinho para consumo nas rádios.

Será que “Xscape” é melhor que o irregular “Michael”, de 2010? Saiba mais depois do pulo!

Love Never Felt So Good – já conhecemos a versão “modernizada” com JT. A solo que abre o CD também é deliciosa, mas com mais cheirinho de antiga – o que não significa que seja “datada” e sim tem um ar retrô bem-vindo.

Chicago  – eu gosto do vocal agressivo no refrão, contrabalançado pelos versos mais doces do Michael. Inicialmente, não estava gostando muito da música, mas o refrão me pegou muito. E a letra é ótima, Michael conhece uma mulher, se envolve com a criatura, e descobre que ela era comprometida e ele era “o outro” da relação!

Loving You  – que faixa boa! Midtempo bem modernizada do MJ, com uma pegada R&B slow oitentista gostosa. A letra é uma gracinha, esses versos simples, comuns, de fácil identificação, são algo que a gente vê nas letras do Bruno Mars, por exemplo – o que mostra a visível influência do Rei do Pop no trabalho do havaiano. Agora tem uma coisa nesse álbum que eu vou me incomodar daqui a pouco…

A Place with No Name – isso precisa ser single agora! Que música ótima, forte, pegada late-80’s, lembra algo de “Leave Me Alone”, o que é ótimo.  (agora, se você não ligou o nome à pessoa – ou seja, a melodia da canção à canção original, saiba que é um sample de “A Horse With No Name”, da banda de rock America, então não se choque). Na Na Na é vício! E o refrão é viciante demais, na segunda ouvida já estava cantando junto!

Slave to the Rhythm – PFV TIMBALAND! A música não é ruim não, é aquele clássico MJ em que ele canta sobre alguma mulher linda e autoconfiante que ele admira à distância, mas essas batidinhas do Timbaland estão manjadíssimas, pfv. Isso aqui não é o CD do Justin Timberlake não fio!

Do You Know Where Your Children Are – faixa típica de MJ, tratando de questões sociais e do cuidado com os mais desvalidos (no caso, as crianças explorada e abusada). Desta vez, Timbaland não usa dos velhos truques e entrega uma canção bem interessante, mas que não é a melhor coisa do CD. A guitarra no final e os sintetizadores dão um ar 80’s à canção, mas é só.

Blue Gangsta  – os truquinhos do Timbo aqui são para o bem. A faixa que mistura R&B, pop e com uma pegada urban bem-vinda pra rádio é um winner do álbum, com um tema clássico do MJ, um aficionado pelo perigo. Típica faixa pra sensualizar na night – um caminho bem interessante pra um álbum do MJ, faixa ralação na boate.

Xscape  – Faixa título do CD, fecha bem a versão standard, que parece até uma linha do tempo, já que as músicas mais com cara de early 80’s estão no começo do CD e as faixas aparentemente demos recentes ficam no final, fazendo um belo contraste. A faixa é boa, bem boa, e a relação entre a “fuga” do fugitivo de uma prisão com uma “fuga” de uma realidade opressiva é bem MJ e talvez alguns sentimentos represados estejam aí, e pelo menos não terminamos o álbum como se fosse uma coisa do Timbaland.

Com um time de produtores de primeira linha, não tinha como o trabalho dar errado. “Xscape” é um compilado bem escolhido de canções de várias décadas do Michael Jackson, com o cuidado de atualizar as canções para que elas ficassem atuais para o mercado. A linha do tempo que vai desde o R&B/soul post-disco do início da década de 80 até o pop mais próximo do atual é inteligente e bem desenvolvido, com os temas clássicos do trabalho de MJ (amor, fuga, perigo, crítica social) espalhadas pelas oito selecionadas faixas do CD.

No entanto, existem dois problemas que me incomodaram bastante ouvindo o álbum: como a maioria das faixas tem produção do Timbaland, e as características do trabalho dele já são bem conhecidas do grande público (principalmente com o “The 20/20 Experience” do Justin Timberlake recebendo tanta praise ano passado), algumas músicas ficam muito cansativas, soando como algo que o JT faria, ao invés de parecer algo único do Michael. Isso pode parecer um pouco ingênuo da minha parte – afinal de contas, o pop é sempre pegar o antigo e moldar para o novo, vendendo como novo, e o último álbum do Justin reflete isso bem – mas o que se espera de um trabalho do Rei do Pop é que ele seja trendsetter, e não aquele que segue as modas (mesmo que seja um tanto complicado MJ ditar moda se ele não está mais entre nós pra fazê-lo).

A outra questão que me incomoda está na Deluxe Edition do “Xscape”. Além da faixa bônus com o Timberlake, essa edição do CD inclui as versões originais das músicas do MJ que compõem o álbum. Tem faixas que são bem melhores como demos do que as versões moderninhas – oi “Chicago”, que é um elegante slow R&B 80’s e vira um Timberlake B na versão nova (deve ser por isso que eu não estava gostando da música); oi “Slave To The Rhythm”, uma faixa pop digna do início dos anos 90 que vira outro Timberlake B. Outras são deliciosas por si próprias e as versões modernas conseguem manter o espírito da faixa original (como “Loving You”); além de faixas que, se fossem lançadas na versão original, não teriam nenhum problema, porque são impecáveis assim mesmo (“Blue Gangsta”, que é sensacional moderninha e “antiga”).

Por fim, “Xscape” oferece uma série de excelentes canções que mostram a grandeza do trabalho de Michael Jackson, e como ele ainda influencia a música pop em geral – além de suas músicas, depois de tantos anos, ainda soarem atuais, provando a genialidade daquele que é o Rei do Pop, sem substitutos.

 

 

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