Lily Allen – Sheezus (o álbum)

 

Cover CD Lily Allen SheezusLily Allen, a mente mais cruel da Inglaterra, voltou esta semana após cinco anos de hiato musical com o seu novo álbum, “Sheezus”. O CD tem seu lançamento marcado para o dia dois, mas já está correndo pela net, para alegria dos fãs e de quem acompanha música pop – já que Lily, conhecida por seu humor ácido, é uma observadora bem astuta da indústria e da vida em geral – e todos esperam o que a britânica vai aprontar. Após trabalhar com o reggae e o ska em seu primeiro CD, “Alright, Still” (2006) e flertar com o pop eletrônico em “It’s Not Me, It’s You” (2009), “Sheezus” (com o nome gazeteiro inspirado no egomaníaco título do álbum do Kanye West, “Yeezus”) mistura pop e R&B com vocais ora doces, ora com efeitos, falando da vida de casada, de amor e falando mal dos outros, claro! Mas será que a cantora acertou mais uma vez?

Confira depois do pulo um track-by-track da moça!

Sheezus: eu já tinha comentado com mais detalhes sobre a faixa-título do álbum anteriormente, na resenha do clipe cheio de efeitos. A música é um pop com pegada urban e um break catchy, que faz uma brincadeira com o retorno da Lily ao mundo da música, com direito a um refrão com referências às principais divas atuais, sem shade… Ou não. Um bom início do álbum, com o senso de humor irônico de Lily ativado na mais alta potência.

L8 CMMR: Lily sai do seu modo “cínico” e fala de amor numa faixa pop com uma pegadinha R&B delicinha com seus vocais com efeitos, e uma letra bem humorada sobre o amor que ela sente pelo homem da sua vida (talvez uma referência ao marido). As metáforas com jogos e esportes (sobrou até pro Maradona!) são bem vindas. Win-win situation.

Air Balloon: O segundo single do “Sheezus” é um pop inocente que continua usando dos vocais com efeitos assim como a faixa anterior. “Air Balloon” é uma música até interessante, falando sobre fugir da realidade e apenas se sentir bem, mas talvez o resultado tenha sido simplista demais para a capacidade da própria Lily.

Our Time: Aqui o escapismo mais pop/R&B de Lily Allen é numa pegada “hoje é fim de semana, vamos colocar o pé na jaca” só que com resultados bem melhores. Aqui os vocais da britânica estão mais limpos, e apesar do refrão não ser forte, a música é agradável e identificável com qualquer idade. Voltou a colocar o nível do álbum lá em cima.

Insincerely Yours: Só Lily pra falar mal de todo mundo com um vozinha doce, como se estivesse cantando uma canção de ninar. “Insincerely Yours” é uma delícia de faixa, com inspiração naquele slow R&B meio oitentista, mas bem atual, já que a letra é outr tapão na cara dos artistas atuais (em especial as celebridades) com referências nominais. Quando Lily não gosta, ela não gosta e entrega sempre faixas sensacionais.

Take My Place: Aqui a britânica diminui a velocidade numa faixa mais pop com uma pegadinha pop/rock e uma letra mais etérea. Seu vocal doce leva a gente a ouvir uma história de fim de relacionamento que caberia facilmente como tema-de-novela-das-oito. Ou seja, carinha de single.

As Long as I Got You: Realmente a vida de casada fez bem a Lily. Essa faixa, que pega emprestado do country seus arranjos, é outra declaração de amor ao marido e coloca o rapaz como o grande “salvador” da cantora/compositora, revelando até pequenos detalhes da vida a dois. Outra faixa gostosinha do álbum, que parece mais gostosinho do que outra coisa.

Close Your Eyes: Outra faixa gostosinha do CD, falando de amor – e de otras cositas más – retomando a pegada R&B que permeia praticamente todo o álbum. A faixa é boa e bem resolvida, mostrando uma Lily Allen bem humorada novamente e madura.

URL Badman: O primeiro real miss do álbum, é uma faixa mais eletrônica, apesar da pegada pop/urban. Trata-se de críticas aos trolls e críticos de internet, mas o desenvolvimento da letra ficou bem esquisita, e o refrão é tão qualquer coisa que eu realmente não gostei da faixa.

Silver Spoon: voltando ao pop/R&B, Lily continua desferindo seu veneno por aí, numa faixa divertida que pode ser autobiográfica em alguns trechos, mas também pode conter críticas dentro da indústria. A faixa é bacana, e pelo menos eleva o CD após a impressão de esquisitice deixada pela faixa anterior.

Life for Me: uma das highlights do CD, é uma faixa que também lida com o boredom da Lily (é uma prima temática de “Air Balloon” e “Our Time”) mas sem a questão da fuga, apenas como uma forma de reflexão. Outra quebra com a predominância pop/R&B do “Sheezus”, me lembrou na hora daquele sample de “LDN”, o que confere uma ótica meio caribenha-nostálgica à canção, que trata também de uma certa saudade da juventude.

Hard Out Here: Lily termina o álbum da forma como começou: irônica, bem humorada e cínica, criticando toda uma indústria da música considerada machista, que vende as mulheres no showbiz como corpos sem cérebro. O single chegou de surpresa e veio acompanhado de um clipe polêmico e cheio de mensagens cifradas pra to-do mundo. É a canção mais catchy do álbum, encerrando o “Sheezus” com chave de ouro.

Lily Allen entrega ao público um álbum bem interessante, com um bom grau de observações irônicas e críticas, mas falando de amor de uma forma doce, sincera e divertida. Como eu fui citando durante os comentários das faixas, é um CD bem gostosinho, o que por um lado ajuda a aproveitar o álbum em toda a sua coesão – e fato, o CD é coeso e amarradinho, com raríssimas faixas ruins de fato – mas por outro, o álbum não é uma highlight de fato. É como se, apesar das boas sacadas e da escolha em trabalhar com o pop/R&B, Lily não tenha se arriscado completamente em trazer um álbum que fosse além dos limites. Tecnicamente falando, “Sheezus” é impecável, em letras e arranjos bem produzidos, equilibrados e sem superprodução (até o autotune na voz da Lily é uma solução interessante), mas é como se faltasse uma alma pra que saia do ótimo e se torne inesquecível. O CD é ótimo, sério, mas a impressão que ficou é de que alguma coisa faltou pra que eu queira ouvir o álbum outra vez.

O que você achou do álbum? Deixe seus comentários aqui!

 

 

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