Hip hop para patricinhas, neófitos e afins: Iggy Azalea, “The New Classic”

Cover CD Iggy Azalea The New Classic

A rapper australiana Iggy Azalea está na crista da onda nos últimos tempos: o quarto single do novo álbum “The New Classic”, “Fancy” (feat. Charli XCX) está em 37 na Billboard, com boa recepção nas rádios e no chart digital; será featuring do lead-single da estrela teen Ariana Grande – que vai ser lançado daqui a nove dias – e o álbum está previsto para ser lançado no dia 22 (ao contrário das amigas – leia-se Azealia Banks – que não tem previsão nem de um lead single de verdade), mas o “The New Classic” já pode ser ouvido na rede!

Aproveitei o ensejo para conferir o trabalho de Iggy (nascida Amethyst Amelia Kelly), que estava na minha lista de esperados em 2014, e o resultado final foi mais ou menos o que eu imaginava: uma coleção de músicas com pegada hip hop mas de grande apelo comercial, prontas para as rádios e os iPhones das patricinhas, iniciados no gênero e outras pessoas que não curtem muito hip hop. Isso é ruim? Não, se você fizer o trabalho com competência. E dona Iggy é competente – apesar de três ou quatro fillers num álbum longuíssimo de 15 músicas, o resultado final é bem consistente.

Confira depois do pulo um track-by-track da moça!

Walk the Line: música que abre o CD mostrando um lado mais pessoal, autobiográfico, da Iggy. Ela terá melhores resultados em faixas posteriores, mas o grande trunfo pra mim, além do refrão chicletinho, é o arranjo, que lembra músicas do T.I. – o que mostra a influência do rapper (que é seu padrinho musical) no trabalho da australiana.

Don’t Need Y’all: hip hop com uma pegada meio slow, o refrão lembra alguma coisa que o Drake faria, bem minimalista. E lembra mesmo. A música é bem mais lentinha, e a pegada urban/hip hop é óbvia. Os versos prosseguem autobiográficos, com a referência ao trecho “No money, no family/ Sixteen in the middle of Miami” de “Work” bem clara na faixa. Iggy continua contando suas lutas para crescer e chegar ao topo, lembrando aqueles falsos amigos que sempre aparecem depois do sucesso.

100 (feat. Watch the Duck): Aqui começa a fase “Iggy da Ostentação” que vai marcar boa parte do “The New Classic”, tudo travestido por um arranjo marcadinho pelo violão – que tem uma pegada R&B feita lá em 2006/2007, mas sem parecer velha. A voz do feat é ótima; a música é bem comercial e pode ser single facinho.

Change Your Life (feat. T.I.): terceiro single do New Classic, é super radio-friendly. A presença do T.I., padrinho de Iggy, dá charme à canção. A letra basicamente é aquela ostentação de poder, mas apenas se sua vida mudar completamente – claro, com a ajuda do T.I.

Fancy (feat. Charli XCX): quarto single do CD, é a música bem sucedida do álbum. Tem uma pegada pop e não é overproduced. A letra também trata de ostentação, mas numa pegada bem pop-patricinha. Não é por coincidência a música mais comercial do CD.

New Bitch: primeira música mais ou menos do CD. É um filler que quer ter alguma personalidade, com a letra ainda na pegada “Iggy da Ostentação”, desta vez contando a trajetória de sucesso e gastação, além de enviar aquelas mensagens pras basic bitches. O mérito da faixa é quebrar a pegada mais popzão das duas músicas anteriores do álbum, para chegar à uma das highlights do cd…

Work: a melhor coisa BY FAR que Iggy já lançou. A música, primeiro single do The New Classic, tem na sua letra a sua própria história – de como saiu da Austrália pra fazer a América. Uma das coisas mais interessantes da faixa é o piano marcando a música, tornando a faixa urban/pop/R&B/hip hop algo mais sofisticado dentro do gênero.

Impossible is Nothing: essa é outra na linha “autobiografia”, dessa vez mais autoajuda, pedido ao eu-lírico para lutar e não desistir dos próprios sonhos. Tem uma batida com produção moderada, hip hop menos popzinho.

Goddess: Eu lembro de quando ouvi a preview dessa canção, tinha achado sensacional. Só que as aparências enganam. Apesar da batida meio eletrônica, com uma pegada épica, até com um solinho de guitarra, a música passa despercebida no final. Cheiro de filler. Talvez eu goste numa próxima ouvida.

Black Widow (feat. Rita Ora): SOCORRO SOCORRO SOCORRO ESSE BREAK BAIXARIA, PRA RALAR A SAMBICA NO CHÃO DA BOATE. Letra bem breakup, vou te superar já que você me deixou, amei a pegada urbanzão, mais minimalista – assim como Goddess, mas com um resultado bem melhor. O vocal da Rita Ora casou muito bem com a música, e a letra é bem mais trabalhada do que a ode à ostentação de outras faixas. Pra single now!

Lady Patra (feat. Mavado): a música é boa, e acaba quebrando a epicness da faixa anterior. A virada para uma coisa meio reggae do Mavado é bem bacana, e apesar de numa primeira ouvida parecer filler, ela é grower as fuck. Tem potencial para numa ouvida mais além, ser um top 5 do CD. Aliás, o toquinho de videogame que tem na música é ótimo.

F**K love: Hino da ostentação e da vaidade vem aí! “Fuck love / give me diamonds” é meu novo mantra de vida. A batida bem urbanzão é frenética e as referências a Madonna e Jennifer Lopez (em Material Girl e Love Don’t Cost A Thing, respectivamente) são muito bem vindas para o espírito da música. Agora, todo o clima urban/hip hop é quebrado daquele jeito com a faixa seguinte…

Bounce: SHAKE IT BREAK IT MAKE IT BOUNCE! O segundo single do CD, é a canção mais popzão do álbum. Dance-pop, com pegada oriente e letra viciante, podia ter feito um sucesso fodido. Sempre esteve na minha setlist secreta de andar like a boss em situações específicas. (acredito eu que o CD podia ter parado por aqui, que seria bem mais redondinho)

Rolex: outra música meio Drakiana. Fica meio perdida na tracklist, apesar da letra fugir da ostentação da Iggy e ir atrás de um breakup song – não com a destruição massiva de Black Widow, mas de uma forma mais simples, com a pisação da australiana já típica. Poderia ficar de fora da tracklist final, porque quebra demais o ritmo do CD.

Just Askin’:  Essa música é mais urban/r&b, parece algo feito nos anos 90, mas foge de parecer datado. O refrão é cantado pela própria Iggy, mas os resultados não são tão bacanas quando em “Walk the Line” – digamos que ela não tem tanta afinação quanto a melodia pede. A parte do telefone é um charme da música (haja motherfucker hahaha) mas não é um bom encerramento pro CD. (poxa, podia terminar com Bounce!)

Em resumo, “The New Classic” é coeso com a própria ideia de ser um álbum hip hop/pop comercial para o grande público. É um cd pra quem não curte muito o gênero, e não quer se prender a abordagens mais roots do estilo. Ou sea, nem espere hip hop ghetto pesadão. Iggy mostra basicamente aqui as suas limitações líricas (ela é um tanto óbvia nos versos, apesar das boas sacadas) e suas virtudes como artista – principalmente sua capacidade de se conectar em canções mais radio-friendly; mas as músicas mais interessantes, seguramente, são aquelas que fogem da ideia de “Iggy da Ostentação” e mostram uma face mais sincera da australiana, contando sua história (como em “Walk The Line” e Work”), ou a massive breakup song “Black Widow”, ou mesmo quando ela foge do óbvio em “F**k Love”, “100” e “Lady Patra”. Os singles são ótimos, e tem boas músicas com potencial – porque o que Iggy Azalea quer mesmo é conquistar os iPhones e os perfis do Spotify do grande público. E com esse CD, ela pode conseguir tranquilamente.

Confira aqui o último single da rapper, “Fancy”:

Anúncios

Comente aqui!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s