O hipnótico novo single de Lana Del Rey, “West Coast”

A americana Lana Del Rey é uma figura intrigante. Dona de uma voz monocórdica, aveludada, empostada e melancólica, surgiu no mainstream como uma musa indie, com stage name e rosto transformados em nome do “sucesso” (ou talvez em mostrar o próprio vácuo de Hollywood, em busca da beleza e da perfeição, mesmo transformando suas mulheres em seres de plástico), e um CD bem recebido, mas sem grande visibilidade do público consumidor das rádios (“Born To Die”). Melhor recebida na Europa, seu som pop associado à old Hollywood, American Way Of Life e amores tóxicos foi percebido pelo Grammy neste ano, com uma bem-vinda indicação a álbum pop com o ótimo EP Paradise – além das músicas em trilhas sonoras (“Young And Beautiful” para “O Grande Gatsby”) e o remix de “Sumertime Sadness” feito pelo Cedric Gervais, que levou o nome da ex-Lizzy Grant para a boca do povão.

Agora, Lana é uma artista mais reconhecida, e pronta para o desafio do próximo álbum, intitulado “Ultraviolence”. A grande dúvida que permanece é se a cantora permanecerá fiel ao estilo que a define e a diferencia de outras cantoras pop. A resposta, com o seu novo single, “West Coast”, é sim.

lana-del-rey-west-coast1-400x400Mais up que os singles do “Born To Die”, tem na pegada rock ‘n roll meio sessentista com a virada slow no refrão, esse sim com os vocais pastosos (num bom sentido) já marcantes da Lana, o seu grande trunfo. Aliás, aqui o vocal da Lana está mais hipnótico do que nunca: o monocórdico, os sussurros se tornam mais sedutores a cada ouvida. As guitarras acompanhando a canção – e principalmente na virada para o refrão, em notas meio western spaghetti, são marcantes. A bateria marcando a mudança de ritmo da canção também é um fator a ser destacado. A letra, mais uma vez, fala de amor daquele jeito bem-Lana (remetendo a amores decadentes, andarilhos e marginalizados, sempre com um ar cinematográfico), misturando com referências à cultura americana e aos símbolos da Costa Oeste com aquela visão perita de quem ao mesmo tempo faz parte disso, mas não faz como um membro dessa cultura, e sim como um elemento marginal a ela. Mais Lana impossível, e ao mesmo tempo um crescimento em relação ao trabalho anterior.

Não é um lead-single pra ser #1 no Hot 100 e encher o saco dos ouvintes todo dia nas rádios, mas tem qualidade para se manter um bom tempo nos charts – talvez ali, no top 20, no top 30, conquistando os ouvidos do grande público a cada play. Agora é esperar se o material do “Ultraviolence” será igualmente interessante – e intrigante, como a própria artista.

O áudio do single está aqui, com esse vídeo-girocóptero. Confira “West Coast” e dê seu pitaco sobre a música!

 

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