Country or not country? “Old Town Road” coloca a Billboard em maus lençóis

Nos últimos dias, a Billboard esteve no centro de uma polêmica envolvendo uma faixa lançada em dezembro que viralizou e se tornou uma das músicas mais ouvidas nos charts country, “Old Town Road“, do jovem rapper Lil Nas X. A música, que estreou em #19 na Billboard Hot Country Songs chart poderia ter sido #1 nas paradas do gênero nesta semana, se não fosse uma decisão da “Bíblia Musical” de retirar a faixa dos charts do gênero por não encontrar na música elementos suficientes do country atual, mesmo com imagem e elementos que lembrem a estética country (a letra tem versos como ” I’m gonna take my horse to the old town road”, “I got the horses in the back/Horse tack is attached”, “Hat is matte black/Got the boots that’s black to match”). A música tem banjo, vocais com referências country, em meio a uma batida trap pesada que dropa pra todo mundo dançar (a propósito, a musica ficou no charts de hip hop/R&B…).


O rapaz de 19 anos, nascido Montero Hill, aliás, ótimo nome de cantor country, disse que a faixa era um country-trap, um blend (bem-feito, aliás) de dois gêneros, mas muita gente acha que não é country porque tem rap e batida trap. No entanto, hip hop atualmente se tornou uma das maiores inspirações do country pop, cujos artistas vêm pegando emprestado as batidas e colocando um toque country, por consequência tocando horrores nas rádios. Ou seja, o rap já vem mudando a cara do country, e isso não é de hoje.

Nelly já tem histórico de crossover country!

Ou seja, a desculpa de “falta de elementos country” de “Old Town Road” cai por terra quando você descobre que essas faixas tiveram airplay forte em rádios COUNTRY e pra mim isso é algum pop com pegada country. Além disso, várias faixas que nada tem a ver com country tocaram horrores dentro do gênero (“Meant to Be”, alguém?); então, não é apenas uma questão do que se adequa melhor ao gênero e que pode entrar na rádio.

O racismo pode aparecer das formas mais sutis, como por exemplo, artistas brancos que usam de gêneros como rap para fazer country popificado são bem-vindos nas rádios do gênero, enquanto um artista negro fazendo algo similar é rejeitado por “não ser country o suficiente“. “Old Town Road” é mais country que a Taylor Swift no “Red”, que foi indicado a um Grammy na categoria, quando o (excelente) álbum de transição da moça tinha que ter ficado com uma vaga no pop field.

E como eu dei a dica no caso do Nelly, crossovers rap/country não são coisa nova (Nelly and Tim McGraw say hello), e em tese, existem espaços para esse tipo de intersecção. O próprio Lil Nas X repete que a faixa é country-trap e deveria estar tanto nas rádios country quanto na de hip hop. Ou seja, há espaço pra esse som – se for coisa do Florida Georgia Line, é o que parece.

A propósito, “Over and Over” não tocou em rádios Country, apesar de ter participação de uma lenda do gênero.

O que podemos concluir, até certo ponto, é que um artista negro, fora de Nashville (o rapper é de Atlanta, terra do rap que influencia todos os sons das rádios americanas no momento), não pode ser abraçado pelos charts conservadores da Billboard fazendo uma música que consegue ser mais “roots” do que os maiores sucessos do gênero na história recente. Se ele fosse branco, seria recebido de braços abertos – com aquele nariz torcido dos mais puristas, mas bateria recordes de audiência mesmo assim e manteria o gênero “vivo”.

Entra o co-sign de uma lenda do country nessa história toda: Billy Ray Cyrus (que os mais jovens conhecem como o pai da Miley) pariticipou do remix de “Old Town Road” (que ganhou mais versos, desta vez sob a perspectiva de uma estrela “das antigas” rica que deseja voltar ao começo), e entregou não apenas sinceridade na faixa, mas um apoio nessa disputa que se tornou algo muito maior do que a Billboard poderia imaginar quando tomou a decisão. Esse encontro estava, de certa forma, escrito: o próprio Lil Nas X quem tinha interesse de incluir Billy Ray na faixa; e o artista foi um dos que se opuseram à decisão da Billboard em retirar a faixa dos charts e ainda o cumprimentou como um outlaw do country. O próprio Billy Ray sofreu isso no passado – seu maior hit, “Achy Breaky Heart“, dividiu ouvintes, que disseram que a faixa destruiria o estilo, enquanto a música acabou abrindo espaço para novos ouvintes, já que o gênero estava morrendo no começo dos anos 90. De ser marginalizado pelas rádios, esse entende.

Agora, com o apoio de uma figura importante do country, será que a música pode ser considerada como tal?

Ainda tem outra teoria…

O racismo faz parte da discussão sobre a ausência de “Old Town Road” nos charts country? Sim. Mas existe uma motivação da indústria que é bem curiosa: como a faixa cresceu graças aos streamings (e como é uma faixa independente, os DJs das rádios country tinham que baixar a música do YouTube para atender aos apelos de quem pedia a música nos programas), isso poderia causar problemas num gênero que tem muita dependência das rádios para sobreviver. O country ainda não sofre a influência do stream, que de certa forma é incontrolável e não atende aos desejos dos donos de rádios e payola tradicional – qualquer coisa pode viralizar, incluindo o que não se aplica à caixinha convencional do que é “country”. Então, pode ser que a Billboard tenha sido pressionada também por esses players a limitar as músicas que devem ser consideradas “country” para evitar a dominância de uma plataforma que pode, por conta dos desejos do público, modificar de forma real o que realmente os ouvintes consideram como sendo aquele gênero ou não.

Olha o que Montero Hill aprontou…

Mas não existem artistas negros no country?

Importante ressaltar que Lil Nas X não é a primeira pessoa negra a estar inserida no country. Existe um espaço, mas é muito pequeno, pra não dizer micro, sendo que uma das origens do gênero é justamente o BLUES, de origem negra. Ou seja, mais um gênero em que os negros foram deixados de lado para se tornar totalmente branco – e masculino. É só ver como Carrie, Miranda, as Dixie Chicks, Kacey, sofrem horrores para se manterem visíveis dentro do field.

Entre os acts famosos do gênero negros estão Charley Pride, uma das lendas country, além de Darius Rucker, super respeitado, e acts mais jovens como Mickey Guyton e Kane Brown (com mãe branca e pai negro).

Ou seja, o country é um gênero que já tem problemas de representatividade seríssimos, e quando se confronta com um blend moderno, já feito pelos artistas “certificados como Country”, mas desta fez feito por alguém que é um outsider reclamando sonoridades que são, de fato, suas (pensando no rap criado pelos negros americanos), os charts recusam por… Razões pelas quais deveriam recusar Florida Georgia Line, Sam Hunt… Ou seja, não há explicação plausível para esta resistência, ou a novidade da Billboard que está “considerando” colocar “Old Town Road” de volta ao chart country – de onde nunca deveria ter saído: o remix de “Old Town Road” é tão country quanto a versão original. A diferença é a inclusão de um artista country na música. Tipo, só agora?

A propósito, já que essa é a lógica, Post Malone vai continuar nos charts de rap quando o cara literalmente canta nas músicas ou só vale pra manter a “pureza” de um gênero, ou impedir os streamings de influenciar o chart country?

As coisas estão ficando cada vez mais curiosas no reino da Billboard… Enquanto isso, ouçam o excelente remix de “Old Town Road”, talvez o próximo hino do verão americano:

P.S.: eu ando meio sumida do blog porque minha vida está uma loucura: estou completando minha graduação (agora Licenciatura) e entrei num curso de professor de Inglês, sem contar o trabalho e outros projetos pessoais. Mas não abandonei o Duas Tintas 😊 como milhares de coisas acontecem na indústria, eu decidi que não ficaria tão restrita a resenha-discussão sobre charts-etc e sim trabalhar nesse fluxo mais direto, com artigos sobre coisas que estão acontecendo na popsfera e que valem a pena ser discutidas. Pode ser que saia algo 1x por semana ou 2x ao mês, mas vou tentar publicar e manter o blog movimentado

O canal também vai voltar, mas tudo depende do meu computador suportar as edições… 😭

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Combo de Lançamentos [1]

Depois de retornar do meu período de hibernação pós-Grammy (sinceramente, fiz desintoxicação musical e foi a melhor decisão ever), hora de voltar aos trabalhos e falar um pouco dos lançamentos musicais, entre álbuns e músicas, que podem ter sido comentados (ou não) dentro da popsfera.

Ariana Grande, “thank u, next” (lançado em 08/02)

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/d/dd/Thank_U%2C_Next_album_cover.png

E eu que achava que Ariana não faria melhor que “Sweetener”… “thank u, next” é uma potência de produção, letras e evolução tanto no som quanto nas temáticas, tanto em relação ao álbum anterior da moça, como em toda a sua carreira. É evidente que quem acompanha Ari desde “Yours Truly” sabe que ela sempre teve os dois pés no pop/R&B e que era questão de tempo até que ela fosse full pop ou introduzindo uma vibe mais urban/rap em seus trabalhos. Boa leitora do pop como ela é, Ariana fez melhor: ela entendeu o que realmente está fazendo sucesso (como o trap/urban) e colocou sua pegada pop e radiofriendly com sua voz de ouro (e dicção boa, finalmente) num dos trabalhos mais fodas do mainstream no ano.

Os temas do “Sweetener” relacionados a inquietações pessoais e ansiedade permanecem em TUN (como em “needy” e “fake smile”), assim como as temáticas de sempre da jovem (no caso, relacionamentos amorosos na excelente e SINGLE MATERIAL “bloodline”, “make up” e seu joguinho de palavras e a super onírica “ghostin”, uma das highlights do CD que deveria encerrar a tracklist), mas tudo com um toque de amadurecimento de quem realmente está vivendo ou viveu essas emoções. Ariana Grande tem história pra contar agora e coloca isso nas músicas. Além disso, “thank u, next” representa muito dos sentimentos e dúvidas de ordem geracional, que impactam parte da fanbase da moça, que é bem jovem, e de uma turma millennial e Gen-Z que se identifica com ela.

(guardadas as devidas proporções de impacto e sucesso, essa leitura do pop e identificação com um público geracional é mais ou menos o que Rihanna fazia tão bem enquanto lançou CDs. Aliás, cadê você RiRi?)

Entre os três primeiros singles, eu já tinha dado minha opinião sobre a faixa-título, mas é engraçado como tanto ela quanto “7 rings” funcionam bem melhor no álbum do que isoladamente. Em relação à segunda, eu acho uma ótima tradução pop de um som atual, mas a letra não tem sinceridade alguma e entra em terrenos bem perigosos. Das três, de longe “break up with your girlfriend, I’m bored” é a melhor – e maravilhosa demais! Não merecia encerrar o álbum, mas eu entendo perfeitamente a presença dessas três músicas no final da tracklist (aliás, ótimo trabalho de Max Martin e Ilya… será que voltarão aos bons momentos?).

Resumidamente, eu AMEI “thank u, next” e acho assombroso o quanto essa menina consegue ir evoluindo e lançando um CD melhor do que o outro. Isso me faz torcer por coisas brilhantes no futuro, e é a prova de que Ariana cimentou seu lugar não apenas como A-list no pop, mas como uma das grandes artistas de sua geração, num todo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Jonas Brothers, “Sucker” (lançado em 28/02)

Você se lembra de quando os artistas teen masculinos com quem as meninas queriam casar (e certeza que já deviam fazer fanfics desde aquela época) eram os Jonas Brothers? Havia a eterna disputa de quem era mais bonito (não conheço uma abençoada que tenha escolhido Kevin), as músicas eram cantadas e usadas como perfil do Orkut (RIP) à exaustão, tinham ainda os triângulos amorosos da Disney Miley-Nick-Selena, o vai-e-volta entre Joe e Demi, a série dos caras no canal… Eles já foram indicados ao Grammy e cantaram com fucking STEVIE WONDER! Ahhh que saudades do late 2000’s gente…

Pois bem, seis anos após o lançamento do seu último single, e carreiras solo decentes ou bem-recebidas numa banda (vi DNCE ao vivo e Joe nasceu pra ser frontman de banda, sério), os JoBros retornam com “Sucker“, que tomou o feed de nostalgia adolescente e o grande público com um pré-refrão grudento e um refrão ainda mais, cortesia também de Ryan Tedder, um dos compositores da faixa (o “I’m a sucker for all…” com o falsetinho no “all” tem as fingerprints do hitmaker). A música é uma delícia e a cara da banda: é um upbeat pop com aquelas guitarrinhas gostosas e super adulto. é exatamente o que o Jonas Brothers faria depois de alguns anos se ainda tivesse na estrada e não tivesse parado. A letra é bem trabalhada e mesmo com muita informação no refrão, tem repetições suficientes para grudar na sua cabeça – além do “I’m a sucker for you” ser um verso catchy o suficiente pra captar sua atenção.

E cara, assobios no pop = HIT!

O clipe, lançado no mesmo dia da música (é disso que eu gosto, fogo no olhar!) é maravilhoso, com a participação especial de Priyanka Chopra, Sophie Turner e Danielle Jonas, respectivamente esposa, noiva e esposa de Nick, Joe e Kevin (nunca me esqueço de que ele tinha um reality show com a esposa no E! Entertainment Television), super divertido e com figurinos e cenários que gritam investimento – e com essas participações especiais em situações bem-humoradas ao mesmo tempo que super fofas, foi feito pra hitar no YouTube. O resultado desse lançamento que gerou conversa e nostalgia de geral? Chance de lançamento em #1 na Billboard próxima segunda. EU OUVI UM AMÉM IRMÃOS?

(só espero que o DNCE não suma porque me recuso a lidar com Maroon 5 tendo a carreira que deveria ser deles)

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Cardi B & Bruno Mars, “Please Me” (lançado em 15/02)

Num outro espectro musical, vários escorpianos vão nascer por causa de “Please Me” (e eu não sei seter mais escorpianos no mundo é uma boa ou má notícia haha) e vocês podem creditar à segunda parceria entre Cardi B e Bruno Mars. Se “Finesse [Remix]” é a dupla na escola participando da feira de conhecimentos, “Please Me” é uma festa de pegação na faculdade.

“Please Me” é outro throwback 90s – elemento já conhecido do havaiano mas quase nunca tocado por Belcalis, e com um approach mais R&B do que nunca pra Cardi, mostrando que ela está com foco ainda mais crossover do que apenas o público rap, mas sem cair no pop – o que é uma excelente ideia. Sem perder o bom humor de seus versos (“your pussy basura/my pussy horchata” já é meu top 10 do ano) e ainda em posição de dominância no refrão grudento af (onde é ele quem pede por favor, uma raridade dentro das dinâmicas rapper + cantor/a), “Please Me” é outro win win situation para os dois, provando que o banho de carisma em “Finesse” se repete em condições ainda mais maravilhosas nessa faixa.

(se vc acha que rolava alguma coisa entre Gaga e Bradley Cooper na Awards Season, senta e prepara sua habilidade de fanfic, porque aqui se Cardi e Bruno não se pegaram é porque são ambos comprometidos e respeitam seus relacionamentos ao contrário de uma pessoa cujo nome rima com Upset)

O clipe, ao contrário do que eu e todo mundo pensou, ao invés de ir pro sexy, foi pro modo fofo e o resultado foi ótimo – com ecos de Grease e uma storyline fofíssima, não dá pra não ficar em shipping mode e a única coisa que pensei assistindo foi FUCK OFFSET! Coreografias bem-feitas, ótima fotografia, carisma e química saindo pelos poros e Bruno de bigode (!) O clipe ajudou bastante a manter a música com ótima audiência e a previsão é de top 3 na Billboard semana que vem.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐


E vocês? O que acharam desses lançamentos? O que esperam para as próximas semanas nos charts? E quem vocês acham que está perto de lançar material novo?

Drops Grammy 2019 [3] Canção e Gravação do Ano

Falta uma semana para o Grammy 2019 e a escriba que vos fala continua a saga de análises dos indicados ao prêmio mais importante da música; desta vez com o General Field. A discussão aqui é mais do que “Música de Grammy”, e sim a importância da Academia fazer valer a mudança que fez para ampliar o escopo – especialmente em se tratando de Gravação do Ano.

E repetimos o mantra deste ano: 2018 é exceção!

Drops Grammy 2019 [2] Pop Duo/Group Performance

Demorei, mas cheguei com o primeiro vídeo do ano (culpem meu notebook de quase oito anos de idade hahaha) falando de Grammy, especificamente as indicações na categoria de colaboração.

Entre indicações sentimentais e músicas cantadas com a alegria de quem está trabalhando em pleno feriado, vamos comentar quem tem mais chances de levar o gramofone dia 10/02.

*SIM, FINALMENTE VI A STAR IS BORN*

O próximo vídeo será no clima do General Field, falando de Canção e Gravação do Ano, e suas narrativas conflitantes em relação aos grandes nomes x o que o grande público está informando como mensagem. Não percam!

Design de um top 10 [40] e o atual estado da música

Eu demorei muito a fazer um post novo com a análise do top 10 da Billboard (último post? 24 de setembro, JEEZ) porque eu literalmente não estava a fim. Não por preguiça de escrever, mas a preguiça de acompanhar mesmo. Talvez porque a música pop esteja nesse limbo que venho relatando há algum tempo, ou porque o que vinha fazendo sucesso não me apetecia ou era relatável às minhas experiências em nada.

Talvez seja esse melancólico momento da mudança de guarda entre gerações. Eu sou uma old millennial (tenho 28 anos), e me sinto a cada dia mais apartada da “cultura jovem” – e olha que faço um esforço hercúleo para me manter atualizada. Gen-Z tem seus próprios códigos, interesses e principalmente estilos e modos de performance que muitas vezes não se aplicam ao que eu ou parte da geração com a qual cresci curte.

Por isso, tentando entender o que muitos que me leem ouvem, mudei completamente a abordagem do Design de um Top 10 com uma análise resumida e sincera de CADA música que chegou às dez primeiras posições esta semana no Billboard Hot 100. Isso mesmo. Uma análise com filtro bem reduzido, sobre cada uma das faixas e seus desempenhos.

Antes de mais nada, o resumo geral:

Top 10 Billboard Hot 100 (12.01.2019)

1+1HalseyWithout Me
2-1Ariana GrandeThank U, Next
3+2Post Malone & Swae LeeSunflower
4=Travis ScottSICKOMODE
5+1Panic! at the DiscoHigh Hopes
6+1Bastille & MarshmelloHappier
7+7Maroon 5Girls Like You
8+4Lil Baby & GunnaDrip too Hard
9+6Kodak BlackZEZE
10+13Post MaloneBetter Now

#1 “Without Me” – Halsey é o nome mais mainstream de um pop que a gente nos fóruns da vida chamava de tumblr-pop, altamente confessional e moody, mas ao contrário de um act mais conceitual como Lana del Rey, por exemplo, as influências aqui são mais adolescentes, uma estética de imagem quase instagram e letras prontas para serem convertidas em gif. Pra completar, a voz dela ainda é extremamente adocicada, quase Disney, mas mesmo num ambiente absurdamente bland como é o pop atual, Halsey consegue se destacar, por oferecer nesse grupo essa mistura de pop com urban e eletrônico perfeito para o top 40 – nem tão ~hard~ que as soccer moms não possam ouvir, tampouco muito polido que não seja tocado numa playlist crossover do Spotify.

Além disso, a influência urban no trabalho dela é a prova de que o urban é o pop, que influencia os acts que tentam fazer sucesso atualmente, caso eles não rimem. Parece que funcionou, porque hoje Halsey é uma das poucas da nova leva do pop cuja voz eu consigo distinguir, bem como a aparência, numa seara de acts intercambiáveis. Apesar da voz dela não ser uma das mais agradáveis ao meu ouvido, “Without Me” é grudenta como poucas faixas pop lançadas nos últimos anos e tem uma coisa que eu busco como sedento por água no deserto: PUNCH, um refrão que tenha cara de refrão e algum interesse na música que está cantando. Ela vive na sua performance a música que canta e pra mim já é o suficiente.

#2 “Thank U, Next” – Confesso que eu acho essa música tão ruim! O sucesso de TUN é bem evidente quando pensamos que a grande estrela pop do momento é Ariana Grande, a que mais sabe conversar com a geração Z, usou inteligentemente suas relações pessoais numa música com um quote já imortalizado pela cultura pop (“thank u, next”) e um dos vídeos mais legais do ano, com tudo que a gente sempre quis num vídeo pop. Ela é uma das poucas do gênero que tem bom retorno no Streaming, e agora a música está crescendo na rádio – ou seja, se não retornar ao primeiro lugar (onde ficou por sete semanas não consecutivas), é hit massivo e consolidado. (aliás, esse álbum novo dela parece que finalmente vai colocá-la além das colegas de geração e fazer Ariana jogar com os chefes)

No entanto, a letra é muito ruim, extremamente infantil, e a tal ponto que parece uma paródia ruim do SNL, assim como o arranjo apenas simpático e o meu principal problema com a faixa: a DICÇÃO de Ariana. Eu falo tão bem da moça, como ela está melhorando em sua interpretação, como falta pouco para se tornar A vocalista de sua geração, e uma das mais importantes dos últimos anos, mas as grandes divas FALAVAM muito bem em suas músicas – e isso é essencial até mesmo para cantar melhor.

#3 “Sunflower” – Ficaria muito contente se alguém me explicar por que Post Malone faz tanto sucesso. Isso deve ser culpa do Drake.

#4 “SICKO MODE” – uma das coisas mais estranhas (e incríveis) de um gênero como o rap ser o dominante no mainstream é ver colagens insanas e pouco identificáveis com o top 40 como “SICKO MODE” chegarem ao topo da Billboard. Sério, essa música do Travis Scott é estranha, mas de um jeito bom! Parece de verdade uma colagem foda de algo vindo de um surto de inspiração – a música começa com Drake, entra com outro arranjo, depois vira pra outra música e tem samples e interpolações que constroem uma faixa que, se não bomba nas rádios tradicionais, é a cara do Streaming. Tanto que lidera o chart específico e não é por nada.

Por isso que o rap é o gênero que está pensando para a frente e tentando sair da casinha musicalmente, desde coisas mais standard até trabalhos que constroem ambientes, como este aqui.

#5 “High Hopes” – de todas as bandas da onda pop rock/emo/gótica/punk rock/similares que bombaram nos anos 2000, Panic! At The Disco seria a última que eu imaginaria se manter 13 anos após o estouro. Sério. Aos 15/16 anos, eu achava sinceramente que seria one-hit wonder pra gente se lembrar nas listas do futuro.

No entanto, Brandon Urie e suas mudanças constantes de lineup se mantiveram até hoje vivos, com um som que parece algo menos pretensioso de quando eles estouraram, no entanto com a cara da banda: meio teatral, histriônico, mas com bom ouvido pop. Pelo menos o rock tá vivo em algum canto, e tentando se mexer em estilo. Porque se não se mexer, morre de vez.

Brendon Urie GIF by Panic! At The Disco

#6 “Happier” – uma das poucas coisas que se manteve constante desde a decadência do pop e sua restrição ao nicho é o fato de que o EDM mais orgânico manteria muitas carreiras vivas por aí, daria oportunidades a artistas mais teen ou de nicho para estourar crossover e esse crossover seria o mais próximo de pop “puro” que os amantes do gênero poderiam ter. No entanto, até essa trend parece igual. Essa faixa parece com outra faixa do mesmo Marshmello que parece com alguma faixa dos Fumacinhas. Que tédio.

#7 “Girls Like You” – Sem comentários, eu odeio essa música.

#8 “Drip Too Hard” – eu entendo que hoje Atlanta é a capital do rap nos EUA, mas isso não significa que tudo que venha de lá seja excepcional. Que música ruim!

#9 “ZEZE” – Surreal como Kodak Black nunca é a melhor pessoa da faixa em que ele está. E aqui em “ZEZE” a situação só piora porque ele é o lead. Imagina ter que lidar com o flow de mosquito o álbum INTEIRO? Não gente, e nessa faixa, Offset (que não é a estrela do Migos, mas não chega a ser um Takeoff que ninguém se lembra direito) parece mais o artista principal que Kodak.

#10 “Better Now” – eu já comentei num dos vídeos sobre o Grammy a respeito de “Better Now”. Eu jurava que era pior do que é, de verdade.


Esses foram as minhas considerações sobre o top 10 da Billboard que saiu esta semana. Como eu disse, é uma análise sincera e sem muito filtro sobre os singles, e como eu os vejo com meu olhar de old millennial. Se vocês forem millennials também, e se sentem deslocados nessa “nova ordem”, fiquem à vontade para comentar. A turma Gen-Z pode falar também sobre suas músicas preferidas e dar sua opinião. Estou esperando os comentários de todos!

Drops Grammy 2019 [1] – Pop Solo Performance

Eu não sou Papai Noel, mas também trago presente de Natal: o primeiro video dos Drops do Grammy 2019, focando nos indicados do Pop Field (que virou nicho) e no General Field.

Hoje eu começo falando sobre os indicados ao Grammy de Pop Solo Performance e as narrativas que estão inseridas nessa lista curiosa de indicados.

Antes de dar play, confira os indicados:

“Colors” — Beck 
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Agora confira o vídeo!

Lembrando que o próximo vídeo do Drops vai falar dos indicados a Best Pop Duo/Group Performance – em que o gerente pirou!

Grammy 2019 enxergou o óbvio

Mas esperamos que essa nova virada nos acontecimentos indique vitórias mais coerentes no dia 10 de Fevereiro do ano que vem, né…
Resultado de imagem para grammy 2019

Antes de mais nada, os indicados…

Album Of The Year
Invasion Of Privacy – Cardi B
By The Way, I Forgive You – Brandi Carlile
Scorpion – Drake
H.E.R. – H.E.R.
Beerbongs & Bentleys – Post Malone
Dirty Computer – Janelle Monáe
Golden Hour – Kacey Musgraves
Black Panther: The Album, Music From And Inspired By – Various Artists (feat. Kendrick Lamar)

Record Of The Year
I Like It – Cardi B, Bad Bunny & J Balvin
The Joke – Brandi Carlile
This Is America – Childish Gambino
God’s Plan – Drake
Shallow – Lady Gaga & Bradley Cooper
All The Stars – Kendrick Lamar & SZA
Rockstar – Post Malone Featuring 21 Savage
The Middle – Zedd, Maren Morris & Grey

Song Of The Year:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Al Shuckburgh, Mark Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA)
“Boo’d Up” — Larrance Dopson, Joelle James, Ella Mai & Dijon McFarlane, songwriters (Ella Mai)
“God’s Plan” — Aubrey Graham, Daveon Jackson, Brock Korsan, Ron LaTour, Matthew Samuels & Noah Shebib, songwriters (Drake)
“In My Blood” — Teddy Geiger, Scott Harris, Shawn Mendes & Geoffrey Warburton, songwriters (Shawn Mendes)
“The Joke” — Brandi Carlile, Dave Cobb, Phil Hanseroth & Tim Hanseroth, songwriters (Brandi Carlile)
“The Middle” — Sarah Aarons, Jordan K. Johnson, Stefan Johnson, Marcus Lomax, Kyle Trewartha, Michael Trewartha & Anton Zaslavski, songwriters (Zedd, Maren Morris & Grey)
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper)
“This Is America” — Donald Glover & Ludwig Goransson, songwriters (Childish Gambino)

Best New Artist:
Chloe x Halle
Luke Combs
Greta Van Fleet
H.E.R.
Dua Lipa
Margo Price
Bebe Rexha
Jorja Smith

Best Pop Solo Performance:
“Colors” — Beck
“Havana (Live)” — Camila Cabello
“God Is A Woman” — Ariana Grande
“Joanne (Where Do You Think You’re Goin’?)” — Lady Gaga
“Better Now” — Post Malone

Best Pop Vocal Album:
Camila — Camila Cabello
Meaning Of Life — Kelly Clarkson
Sweetener — Ariana Grande
Shawn Mendes — Shawn Mendes
Beautiful Trauma — P!nk
Reputation — Taylor Swift

Best Pop Duo/Group Performance
“Fall in Line” – Christina Aguilera featuring Demi Lovato
“Don’t Go Breaking My Heart” – Backstreet Boys
“‘S Wonderful” – Tony Bennett & Diana Krall
“Shallow” – Lady Gaga & Bradley Cooper
“Girls Like You” – Maroon 5 featuring Cardi B
“Say Something” – Justin Timberlake featuring Chris Stapleton
“The Middle” – Zedd, Maren Morris and Grey

Best Dance Recording:
“Northern Soul” — Above & Beyond Featuring Richard Bedford
“Ultimatum” — Disclosure (Featuring Fatoumata Diawara)
“Losing It” — Fisher
“Electricity” — Silk City & Dua Lipa Featuring Diplo & Mark Ronson
“Ghost Voices” — Virtual Self

Best Rock Song:
“Black Smoke Rising” — Jacob Thomas Kiszka, Joshua Michael Kiszka, Samuel Francis Kiszka & Daniel Robert Wagner, songwriters (Greta Van Fleet)
“Jumpsuit” — Tyler Joseph, songwriter (Twenty One Pilots)
“MANTRA” — Jordan Fish, Matthew Kean, Lee Malia, Matthew Nicholls & Oliver Sykes, songwriters (Bring Me The Horizon)
“Masseduction” — Jack Antonoff & Annie Clark, songwriters (St. Vincent)
“Rats” — Tom Dalgety & A Ghoul Writer, songwriters (Ghost)

Best Urban Contemporary Album:
Everything Is Love — The Carters
The Kids Are Alright — Chloe x Halle
Chris Dave And The Drumhedz — Chris Dave And The Drumhedz
War & Leisure — Miguel
Ventriloquism — Meshell Ndegeocello

Best Rap Album:
Invasion Of Privacy — Cardi B
Swimming — Mac Miller
Victory Lap — Nipsey Hussle
Daytona — Pusha T
Astroworld — Travis Scott

Best Country Album:
Unapologetically — Kelsea Ballerini
Port Saint Joe — Brothers Osborne
Girl Going Nowhere — Ashley McBryde
Golden Hour — Kacey Musgraves
From A Room: Volume 2 — Chris Stapleton

Best Americana Album:
By The Way, I Forgive You — Brandi Carlile
Things Have Changed — Bettye LaVette
The Tree Of Forgiveness — John Prine
The Lonely, The Lonesome & The Gone — Lee Ann Womack
One Drop Of Truth — The Wood Brothers

Best Song Written For Visual Media:
“All The Stars” — Kendrick Duckworth, Solána Rowe, Alexander William Shuckburgh, Mark Anthony Spears & Anthony Tiffith, songwriters (Kendrick Lamar & SZA), Track from: Black Panther
“Mystery Of Love” — Sufjan Stevens, songwriter (Sufjan Stevens), Track from: Call Me By Your Name
“Remember Me” — Kristen Anderson-Lopez & Robert Lopez, songwriters (Miguel Featuring Natalia Lafourcade), Track from: Coco
“Shallow” — Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt, songwriters (Lady Gaga & Bradley Cooper), Track from: A Star Is Born
“This Is Me” — Benj Pasek & Justin Paul, songwriters (Keala Settle & The Greatest Showman Ensemble), Track from: The Greatest Showman

Producer Of The Year, Non-Classical:
Boi-1da
Larry Klein
Linda Perry
Kanye West
Pharrell Williams

Confesso que ao ver a lista de indicados na manhã de hoje, a minha primeira reação foi dar um gritinho de choque. Nem no último Grammy os membros da Academia foram tão justos e perceptivos sobre o atual estado das coisas na música popular americana. Excetuando pelos “intrusos” “Golden Hour” e “By The Way, I Forgive You”, você tem em níveis diversos um painel bem compreensivo do que realmente é ouvido e consumido pelos americanos atualmente – e o que vem dominando a indústria. 

É Drake, que conseguiu mesclar o rap com sua sensibilidade R&B/pop (e que se não fosse ele não haveria Post Malone, por exemplo); Cardi B com o álbum mais pop do ano (porque trap é pop); a trilha sonora de “Black Panther” que é mais um triunfo do poeta do rap Kendrick Lamar; bem como a consagração de Janelle Monaé como artista pop (num sentido mais amplo) completa, entre soul, funk e R&B; e as tendências de R&B alternativo e contemporâneo da novata H.E.R. . Ou seja, a pressão por mudanças e a diversidade da bancada fizeram efeito.

Ter oito indicados amplia muito mais as perspectivas e oferece oportunidades para músicas e artistas em evolução se apresentarem (que agrado – e que surpresa – ver “In My Blood” em SOTY, um letrão mostrando a maturidade artística de um menino como Shawn Mendes); músicas meio out-of-the-box se destacarem (“This Is America”, por exemplo), assim como quem está ou virou nicho se impor pela força de uma boa música. Afinal de contas, pop hoje é nicho, e “Shallow” é a principal representante, solitária e classuda, desse nicho. Que retorno de Lady Gaga!

(e Bradley Cooper pode ganhar um Grammy antes de muita gente. RAPAZ…)

Nos fields, onde ficam os segredos das vitórias para AOTY, temos surpresas surpreendentes – como “Scorpion” nowhere, a decisão BURRA de submeter a trilha de “Black Panther” em rap que tirou a chance fácil de levar em Álbum para Mídia Visual (e agora o caminho tá livre para “The Greatest Showman”… ou talvez um certo Mercenário Tagarela?) e Janelle Monaé também não apareceu em Urban Contemporary. 

(Não é querendo alarmar, não, mas as mensagens estão aí. Quem não prestou atenção ao que houve nos últimos anos, tá comendo mosca…)

(pior que nem temos Engenharia de Som, Não-Clássico pra dar a dica)

A propósito, o pop como field voltou a ser divertidíssimo. Pop Solo tá uma disputa acirrada (neste momento, vejo Ariana um pouco à frente); enquanto Melhor Álbum Pop tá bem interessante, e sem favoritos. Já Pop Duo/Group… Meu eu de 10 anos berrou ALTO vendo os Backstreet Boys de volta a um Grammy (os caras já foram indicados no General Field no auge), e a disputa tá deliciosa. “Shallow” tá na frente, eu percebo, mas tem um hit e dois vencedores tradicionais da categoria, que pode bagunçar ainda mais esse coreto. 

Confesso que bati bastante na trave em algumas das minhas considerações (o corte final de Pop Duo/Grupo hahaha) mas tem algumas coisas que falo com tranquilidade /choquedecultura : eu disse – acho que foi uma jogada bem ruim a gravadora da Ariana ter submetido “God is a Woman” em Record e “No Tears Left to Cry” em Song (e acho que GIAW poderia disputar vaga com “In My Blood”, que não fechou no field). Além disso, tinha deixado “Shallow” nos wildcards no General Field, mas estou feliz que uma das minhas suspeitas, a fofíssima “Boo’d Up”, entrou em SOTY, renovando ainda mais a tendência da Academia em prestar atenção aos novatos. Acho a disputa de Song ainda mais acirrada que a deste ano.

No geral, as mudanças que a Academia promoveu trouxeram mais do que uma bem-vinda diversidade nos nomes,  em ter mais mulheres entre indicadas e um Grammy que não é white male. Ampliou-se os horizontes até mesmo em idade (ver Kelly, Xtina, P!nk indicadas, com todo o ageism imposto na carreira delas, é muito legal) e nas sonoridades e imagens que são consumidas pelo público (vocês viram o “Love Yourself: Tear” do BTS indicado em Melhor Encarte?). Para não perder a relevância, o Grammy precisou olhar realmente para si, seus erros e olhar o mundo lá fora, entendê-lo para tentar reproduzi-lo em suas indicações. 

Esperamos que tenha feito a coisa certa quando saírem os envelopes.

Some bullet points:

  • … Mas “Rockstar” não foi lançado em Setembro de 2017? O que tá fazendo sendo indicado a tudo quanto é coisa quando o período de elegibilidade é entre 1º de Outubro de 2017 e 30 de Setembro de 2018?
  • O pop nichou tanto que não temos representantes puramente pop no corte final. Eu apostava em “reputation” pela brand Taylor Swift, mas faz sentido o álbum ter ficado de fora.
  • Nicki Minaj não conseguiu UMA indicação pelo “Queen”. O álbum foi muito mal divulgado e o conceito vendido de forma errônea, infelizmente.
  • Os Carters ficaram restritos ao nicho mesmo; assim como Ed Sheeran nem foi lembrado por “Perfect Duet”. Academia é canceriana, gente; não esquece. Só deve ter perdoado Drake por causa do sucesso massivo do “Scorpion”. E Timberlake pelo combo música REALMENTE boa + Chris Stapleton.
  • Mac Miller teve uma indicação póstuma 😥 
  • E Ryan Reynolds também é um indicado ao Grammy. Pela trilha de “Deadpool 2”. 2018.

E você? O que achou da lista de indicados, suspeitas e esnobadas da Academia? Fique à vontade para comentar, e logo logo teremos o primeiro vídeo de indicados ao Grammy 2019, sobre Melhor Performance Pop Solo. Até lá!