Grammy 2020: achei que foi demais

(recomenda-se a leitura deste post ouvindo a música abaixo)

Quando eu comentei sobre a possibilidade de sweep (ou seja, “fazer a limpa”) no Grammy nesta edição de 2020, eu imaginei que seria algo estilo Adele. Não a quebra de mais um recorde histórico, que já durava 39 anos – a vitória nas quatro categorias do Big 4 (Álbum, Canção e Gravação do Ano, e Artista Revelação). Mas Billie Eilish conseguiu ainda mais: artista mais nova a ganhar AOTY, primeira artista feminina e artista mais jovem a ganhar o Big 4.

Opinião pessoal? Achei que foi demais, especialmente num ano tão vasto de indicados interessantes, que prometiam uma concorrência equilibrada e pulverizada.

Confesso que eu acreditava na chamada CHRISTOPHER CROSS SITUATION (que agora terei de mudar o nome) para a Lizzo, até por conta da prevalência dela até o final do período de elegibilidade – e pelo momento da carreira: apesar da Lizzo ter estourado agora, ela já tem um histórico e é uma artista mais “pronta” que Billie. Eu realmente acreditei que a Academia esperaria um pouco até entregar outros prêmios, por causa até dessa juventude. Talvez um BNA, ou Pop Solo. Mas não absolutamente tudo.

Dito isso, creio que tenha sido muita coisa porque em Gravação do Ano, por exemplo, a vitória moral era de “Old Town Road” – afinal de contas, essa é a categoria dos hits, e na maioria das vezes, é o maior hit que é premiado – considerando também a qualidade, óbvio. É muito raro que uma faixa que não hitou leve esse prêmio (a gente tem que ir até 2009 para chegar a um exemplo, com “Please Read the Letter” do Robert Plant e Alison Krauss que ficou pelo Bubbling Under); e entre as músicas de maior desempenho, “Old Town Road” foi literalmente a conversa cultural do ano, quebrou recordes e discutiu barreiras de gênero.

(mas confesso que até me surpreendi com a vitória em Pop Collab, baby steps né Grammy)

Quanto a Canção do Ano e Álbum do Ano, creio que existiam álbuns melhores e canções mais bem resolvidas, mas entendo bem a decisão por Canção, até porque tem precedente de compositores prodígio levando o prêmio – no caso a Lorde, alvo das comparações com a Billie – e a estrutura da letra junto com o arranjo são bons e envolventes. E no Pop Field, “Thank U, Next” merecia uma sorte melhor em Álbum Pop.

O fato é que…

O “When We Fall Asleep…” é representativo do ano e da “nova ordem musical” com o genre-bending, não saber que gênero é e conversar com vários estilos mantendo a personalidade. Faz sentido chamar de “voz da geração”, especialmente porque essa é uma geração que não se define ou se limita; e tanto Billie quanto Lil Nas X sabem trabalhar bem com esse grupo, da forma que encontraram (não se esqueçam de que Nas X era criador de memes no twitter e participava do fandom da Nicki Minaj na internet). Mas eu particularmente considero que dava para dividir as vitórias e pulverizar o Grammy até para representar ainda melhor essa fase de transição musical da disputa entre os puristas e os integrados (btw, quem ganhou foram os integrados nessa disputa).

Repito: pode ser que meu principal problema com a Billie seja geracional: eu não consigo me conectar com ela e TUDO BEM, nem todos os artistas devem se conectar com a minha geração. Mas estou curiosa para os próximos passos… Especialmente a música do Bond (que aí eu posso me envolver por motivos de fã da franquia hahaha não achei uma boa escolha para a trilha, e espero me enganar) além do famigerado segundo CD, que é um make it or break it.

… O Grammy precisa se conectar com a nova década

Eu dormi DUAS DA MANHÃ tendo que acordar cedo pra trabalhar, e enquanto tivemos apresentações dinâmicas como as de Tyler, The Creator, Lizzo, Ariana (apesar dos pesares vocais) e Lil Nas X (junto com um BTS que merecia uma performance só deles), ficamos aturando um miolo entediante com aquele… Aquilo com bailarinos e whatever was happening on stage + intervenções demoradas e pouco efetivas de Alicia Keys se arrastando por sei lá, QUATRO horas de premiação (exceto na homenagem a Kobe Bryant, que ela segurou bem). Eu já disse que dormi às DUAS DA MANHÃ?

Há anos que o Grammy prefere trazer performances, muitas vezes completamente desnecessárias, enquanto 95% das premiações são apresentadas no show não-televisionado. Pior: as premiações na hora da TV são tão esparsas e com escolhas tão wtf (Melhor Álbum de Comédia? Todo mundo sabe que ano que vem some do telecast, assim como foi com a premiação de Álbum para Musical no ano de “Hamilton” só por causa do hype) que tem uma hora em que você esquece qual a função do award: premiar o melhor da música (teoricamente). Quando ele foi dinâmico e divertido, justamente com os acts mais novos e que estão puxando o discurso cultural, o show foi excepcional. Quando não teve dinamismo, foi um porre.

Passou e muito a hora da organização discutir uma premiação mais rápida, focando no que interessa. Quer performance de algum indicado? Separa uma categoria do big 4 como Canção ou Gravação e coloca os indicados para se apresentar. Quer colocar um act lançando um novo single? Escolhe um, o mais bombado, pra chamar audiência. Quer sessão nostalgia? Convoca um cantor das antigas que está com turnê de despedida lucrando horrores e separa um espaço só pra ele. É muita gente cantando e POUCO prêmio sendo dado, e pior, você não tem nem mais discurso bacana, momentos épicos, e sim uma quantidade absurda de cantores e bandas empurrados num tempo que por incrível que pareça fica apertadíssimo e aí saem apresentações coladas umas às outras. Nem dá espaço para uma standing ovation.

Por isso que eu acredito numa premiação mais curta e dinâmica, e com espaço igual para show e prêmio. Afinal de contas, a gente não quer ver apenas nosso fave arrasando no palco, a gente quer é ver ele ou ela levando o gramofone e fazendo algum discurso para lembrarmos eternamente.

E aí? O que achou do Grammy 2020? Concordou com os vencedores? E o show no geral? Curtiu ou achou tedioso? Abra seu coraçãozinho nos comentários!

Drops Grammy 2020 [General Field]

Entre drinking game do “entretanto” e “polimento”, hora de fechar a caixa falando sobre os indicados no General Field do Grammy 2020!
Neste vídeo, vou comentar um pouco sobre:

  • CHRISTOPHER CROSS SITUATION
  • disputa de hits e safe choices
  • músicas feitas com frases de twitter
  • surpresas em álbum do ano
  • e vocês vão me ouvir cantar mal!

Mais uma vez, peço perdão pelo probleminha no áudio e a luz meio ruim, porque gravei de noite; sem mais delongas, apertem o play e vamos lá!

Drops Grammy 2020 [Pop Field]

Ou deveria dizer: OI SUMIDA?

VOLTEI!!! E falando de Grammy! Neste vídeo, explico com calma porque demorei tanto para fazer as previsões, porque separei em duas partes e já adianto minhas desculpas pelos erros no áudio porque estou montando tudo no celular – ou seja, serão vídeos menos trabalhados como os que eu produzi ano passado.

Na pauta de hoje tem:

– a disputa entre puristas x integrados;
– Beyoncé como fiel da balança;
– como Taylor será reconhecida no pop field;
– nem todo produto cultural é pra minha geração;
– e porque eu não vi “O Rei Leão” (haha)

Preparados? Apertem play e aproveitem! E um feliz ano novo!

COMBÃO de singles [Outubro ’19]

Antes de começarmos a falar de fato sobre Grammy (afinal de contas, no momento em que este post for publicado eu já devo ter comentado sobre os indicados), hora daquele resumão de lançamentos que ocorreram mês passado, e que provavelmente podem entrar no Grammy 2021 (ou não, a depender da situação de carreira dos envolvidos)

(ah, e sobre o Grammy, os vídeos voltarão sim, como eu tinha comentado no post dos indicados! 😊 Vou fazer um esforço para compensar meus sumiços – que tem diversas explicações, como trabalho, projetos de escrita literária, crises de ansiedade, picos de estresse etc – e gravar os vídeos além de + um podcast com explicações que considero plausíveis sobre os indicados, conversas sobre os charts e papo sobre kpop)

Sem mais, vamos lá – em ordem cronológica:

Harry Styles, “Lights Up” (lançado em 11/10)

Harry Styles - Lights Up.png

Se eu te disser que no começo, não entendi bem como funcionava essa música e achado bem sem graça, vocês me perdoam? Então, eu tinha me acostumado com o rockstar anos 70 neojurássico do debut, por isso a vibe psicodélica indie tinha meio que me surpreendido; mas numa segunda ouvida, a faixa é mais que forte, é extremamente forte e a cara do Harry. Ele encontrou um nicho bastante particular, que ele consegue tornar radiofônico e pop, e funciona bem pra caralho – nicho esse que outros acts masculinos pop da mesma faixa de idade não estão fazendo, o que torna a trajetória de carreira dele desde a saída do One Direction uma das mais curiosas de acompanhar.

(aliás, nem dá pra lembrar, apenas se você for fã e não apenas um ouvinte comum, que algum dia Harry foi membro do One Direction. Parece um artista completamente diferente pra mim)

A música tem umas quebras de expectativa que numa rádio top 40 podem causar alguma estranheza, mas em outros charts (como o adulto ou o rock) funcionam perfeitamente. Ao mesmo tempo, “Lights Up“, com seu refrão feito em coro, versos crípticos e universais e um clima de elevação e liberdade, é a faixa perfeita para ser cantada em festivais.

Ou seja, o rockstar continua vivo.

Katy Perry - Harleys in Hawaii.png

Katy Perry, “Harleys in Hawaii” (lançado em 16/10)

Lembram-se de que eu tinha feito há muito tempo atrás um vídeo sobre a carreira da Katy Perry, onde eu não conseguia ver bem qual seria a função ou espaço dela dentro da landscape musical do momento? Então, como boa parte desses problemas estão relacionados ao descolamento da imagem dela em relação à música que ela fazia/faz, neste momento, a impressão que eu tenho é de que Katy está tentando colar novamente a imagem com um pop mais puro, e uma imagem mais divertida, mas sem ser paródica. Dessa forma, surgem os melhores materiais que ela lançou desde a parte boa do “Prism”, o que se inclui “Harleys in Hawaii“, uma faixa deliciosa e que poderia facilmente ser lançada no verão como aquele single perfeito para um fim de tarde com o love.

Entretanto, há um sério problema com essa música: ok que ela poderia lançar no verão, mas dentro de um contexto maior, de uma era, em que Katy já teria lançado um CD, um conceito, uma ideia sobre o que ela pretende fazer musicalmente. HiH parece a faixa terceiro single de um álbum já lançado, que todo mundo conhece as músicas e a era de coração (como foi no tempo de “Teenage Dream”, por exemplo). Nesta era (se assim podemos chamar) da Katy, todas as faixas parecem jogadas ao vento, o que é um desperdício para um material tão bacana (especialmente “Never Really Over”, um petardo pop que merecia uma sorte BEM, mas BEM melhor).

Eu não sei, sinceramente, qual o próximo passo da Katy – se teremos álbum, se será um compilado de canções lançadas, se estamos ouvindo um EP ou teremos uma grande surpresa – mas sinceramente eu não sei como qualquer estratégia de carreira se aplica especialmente no pop playlist de hoje (ou seja, música que serve mais como background)… Ou o pop que ela faz ficou em 2010.

Aí gera minha pergunta: será que Katy Perry perdeu o bonde da história com o “Witness”?

Selena Gomez, “Lose You To Love Me” (lançado em 23/10)

Selena Gomez - Lose You to Love Me.png

Finalmente Selena Gomez conseguiu seu #1 na Billboard com uma balada sentimental, evocativa e cheia de mensagens subliminares sobre um certo ex e sua atual esposa, após um período de carreira solo em que Selena se metamorfoseou de uma ex-Disney Star buscando uma carreira solo no pop para alguém com um material absolutamente intrigante e perfeito para a voz que ela tem.

Entretanto, o minimalismo que sempre foi bastante presente em seus materiais a partir do “Revival”, tanto vocal quanto em batidas, produções e a “vibe” do material se perde um pouquinho em “Lose You to Love Me“, o single que chegou ao topo da Billboard. Co-escrito pela dupla Julia Michaels e Justin Tranter, a música tem todas as características do som que os fez os hitmakers mais procurados há alguns anos. Entretanto, mesmo com o frescor da letra com caráter pessoal, as batidas marcadas, a escolha da interpretação e a produção, mesmo com um ar mais épico no refrão, GRITAM 2017. A balada não é exatamente groundbreaking (exceto pela letra) e tudo me parece meio datado.

O #1, provavelmente, foi graças ao buzz do retorno e o apoio da fã-base, porque os predicados da canção não exatamente colaboram para este resultado tão bom.

… E a propósito, o segundo single (surpresa), “Look at me Now“, consegue ser menos interessante ainda que LYTLM. Confesso que, enquanto ouvia o som pop eletrônico da música, senti falta da Selena do “Revival” e da que lançou “Bad Liar” (INJUSTIÇADA!!!) e “Fetish”, que funcionava num mundo diferente de outras peers. Fico contente que ela está buscando uma linha mais pop direta ao ponto, sem genre-bending, fiel às suas raízes, mas a música é tão… anticlimática…

Dua Lipa – “Don’t Start Now” (lançada em 31/10)

Dua Lipa - Don't Start Now.png

O primeiro single do segundo álbum da cantora britânica é bastante distinto do que ela já vinha trabalhando nos singles do debut – que eram mais pop, sem tantas influências (exceto por “New Rules”) – mas é audível que “Don’t Start Now” é uma continuidade do som que já estávamos ouvindo da Dua em seus featurings (“One Kiss” e “Electricity”, que eram mais dance, house, anos 90). Entretanto, o novo single busca referências mais anos 70, mais disco (ouça o pré-refrão e o instrumentalzinho curto após o segundo refrão), conversando com essa pegada dance anos 90 – e o encontro é um SMASH!

Eu amei a música, e não apenas porque eu gosto de música disco hahaha mas porque Dua funciona nesse som – ela tem a voz de diva dance, ela funciona nisso, tem o volume, tem algo que chama atenção e uma certa ironia na interpretação (bem britânico) que fica bem melhor do que fazer a coitada dar uma de estrela pop no padrão anos 2000 ao qual estamos acostumados. A faixa é gostosa, vibrante, não sei se o pré-refrão ou o refrão são a melhor parte da música, mas sinceramente? Uma das melhores coisas lançadas neste fim de ano, e se a próxima sonoridade pop brincar com house 90’s e disco 70’s, pode me chamar que tô feliz.


Agora é com vocês: quais foram as faixas favoritas de vocês neste último período? O que recomendam de lançamentos do pop neste fim de ano? Fiquem à vontade para comentar!

e não é que o Grammy 2020 fez algo bem interessante?

Antes de mais nada, essa foi a minha reação quando vi que tinham saído os indicados, após terminar uma reunião:

Além disso, toda a discussão que eu tinha colocado nas previsões sobre puristas e integrados pode ser considerada PULVERIZADA após a decisão da Academia em indicar todo mundo que realmente interessa neste período e colocar os novatos na frente, deixando os consagrados com indicações de legado e nicho. Fãs da Taylor e da Beyoncé que me perdoem, mas a conversa cultural foi levantada por Billie, Lizzo, Ariana (que pode ser considerada a indicação sobrevivente do pop “tradicional”) além do Lil Nas X, cujas indicações me deixaram surpresa, especialmente por sua trajetória ser uma das mais intrigantes da indústria neste período de elegibilidade.

Evidentemente eu vou me estender mais nos vídeos que farei sobre os indicados ao Grammy 2020 que acontece em 26/01/2020 e nos replies aos comentários de vocês, mas o que interessa é: 2019 é um ano de transição. A década ainda não acabou, mas culturalmente estamos em mudança de conceitos, ideias, rotinas, e mesmo com a “ausência” do gênero que comanda as ações no mercado americano (rap) nas categorias principais, ele está nas origens, inspirações e apreciações/apropriações dos principais indicados – mesmo assim, vamos considerar que Lizzo é a rapper indicada aqui, certo?

Além disso, por ser um período de transição, não dá para determinar o fim ou o começo de nada – mas sim um momento em que os gêneros tradicionais ainda buscam espaço, quem mistura tudo parece ter se encontrado e as lendas estão numa encruzilhada entre manter a relevância, acenar para a geração Z (e a T), seguir o som já conhecido e consagrado ou procurar outros caminhos. Tudo pode acontecer… Incluindo um newcomer levar.

Vamos ver os indicados (de acordo com o pop field/general field), além de rápidas considerações sobre o que eu tinha previsto x resultado final:

POP FIELD

Pop Solo
(cheguei quase lá haha não tinha pensado Beyoncé nem nas minhas expectativas quase otimistas. Nem posso chamar de “indicação sentimental” – seria se fosse AOTY – mas a entrada dela aí deixa o coreto bagunçadíssimo)

Beyoncé – Spirit
Billie Eilish – Bad Guy
Ariana Grande – 7 rings
Lizzo – Truth Hurts
Taylor Swift – You Need To Calm Down

Pop Duo/Grupo
(minhas expectativas eram mais teen, mas que boa surpresa ver Old Town Road aqui! DESPACITO INJUSTIÇADO Não sei quem ganha, sinceramente, mas como eu conheço bem o Grammy e ele não é tão progressista como ele finge ser, sinto que Ariana leva mais um)

Ariana Grande & Social House – Boyfriend
Jonas Brothers – Sucker
Lil Nas X Featuring Billy Ray Cyrus – Old Town Road
Post Malone & Swae Lee – Sunflower
Shawn Mendes & Camila Cabello – Señorita

Pop Album
(who saw Queen B coming? Eu não, mas quase cheguei lá em outras indicações: tinha colocado Ed Sheeran como probabilidade, mas tinha pensado em Lana, que entrou no AOTY sem passar pelo field, ou seja… Na verdade, se lermos com calma essa lista, o pop não foi tão forte como se pensava este ano – não podemos chamar de retorno – e eu não garanto nada nessa categoria)

Beyoncé – The Lion King: The Gift
Billie Eilish – When We All Fall Asleep, Where Do We Go?
Ariana Grande – thank u, next
Ed Sheeran – No.6 Collaborations Project
Taylor Swift – Lover

GENERAL FIELD

Best New Artist
(eu disse a vocês que Rosalía podia entrar, e com o crescimento dela na landscape anglófona nos últimos tempos, podemos ter surpresas vindas da Espanha…)

Black Pumas
Billie Eilish
Lil Nas X
Lizzo
Maggie Rogers
ROSALÍA
Tank And The Bangas
Yola

Canção do Ano
(Esse é um grupo bem curioso, e majoritariamente feminino. Não acho que seja a volta das mulheres ao pop, mas acho que é porque estamos num ano de transição, e se você prestar atenção, são vários estilos – e não-estilos – numa lista só. A propósito, não sei como a Academia funciona com a Lana…)

Lady Gaga – Always Remember Us This Way
Tanya Tucker – Bring My Flowers Now
H.E.R. – Hard Place
Billie Eilish – Bad Guy
Taylor Swift – Lover
Lana del Rey – Norman F***ing Rockwell
Lewis Capaldi – Someone You Loved
Lizzo – Truth Hurts

Gravação do Ano
(grupo bom, grupo forte e acho que eu quase levei 80% da lista, não tinha visto H.E.R e Bon Iver chegando…)

Bon Iver – Hey, Ma
Billie Eilish – Billie Eilish
Ariana Grande – 7 rings
H.E.R. – Hard Place
Khalid – Talk
Lil Nas X Featuring Billy Ray Cyrus – Old Town Road
Lizzo – Truth Hurts
Post Malone & Swae Lee – Sunflower

*a propósito, em ROTY e SOTY, viva Atlantic Records…

Álbum do Ano
(essa lista GRITA newcomer vencendo e nem quero ver as thinkpieces)

Bon Iver – I,I
Lana Del Rey – Norman F***ing Rockwell!
Billie Eilish – When We All Fall Asleep, Where Do We Go?
Ariana Grande – thank u, next
H.E.R. – I Used To Know Her
Lil Nas X – 7
Lizzo – Cuz I Love You (Deluxe)
Vampire Weekend – Father Of The Bride

Eu vou me alongar sobre essas indicações logo, especialmente nos vídeos, mas o que posso dizer a vocês é: não faço ideia de como os jurados vão votar; e não faço ideia dos resultados. Acredito que será uma das premiações mais surpreendentes em anos, feita para consagrar um novo artista para uma nova década… Ou sedimentar conceitos mais tradicionais com artistas mais novos que tenham uma trajetória convencional, na busca por atender a um público cada vez mais apartado do Grammy.

Começo os vídeos em dezembro ainda, falando sobre Pop Solo. Quando? Em dezembro. Até logo!

Conflito de ideias no Grammy 2020 [Previsões]

Fim de década* é algo estranho – é sempre um período em que a cultura, no geral, continua fortemente influenciada pelo zeitgeist, mas mostrando alguns sinais dos tempos que virão. Na música, como parte do discurso cultural, não é diferente: a segunda parte dos anos 2010 deixou para trás a dominância eletropop e focou no crescimento e sedimentação do rap como principal gênero ouvido dentro da cultura pop americana. Entretanto, outros gêneros considerados marginais (no sentido de estarem às margens do discurso oficial), cresceram neste período e se apresentaram como novas alternativas sonoras, reflexos de um mundo cada vez mais plural (mesmo que tantas pessoas neguem essa perspectiva): a música latina – mais precisamente o reggaeton, e a popularização do kpop mostram que há um mundo criativo fora dos limites já convencionais do pop que vinha sendo feito – e jogado para escanteio – nos últimos anos.


Dentro deste contexto de óbvia transição para algo que ainda não sabemos, novos artistas, oriundos de uma geração mais nova e inquieta, tentam ultrapassar as barreiras convencionadas pela própria separação entre gêneros, e isso se tornou a válvula de sobrevivência para um pop ainda tentando se encontrar. Afinal de contas, os ícones pop (Bey, Gaga, Taylor, Rihanna) estão expandindo suas áreas de atuação, os A-Lists de fato se contam nos dedos (Ariana e…?), e quem está chegando lá? Quem tem fôlego suficiente para dar o salto e entrar no panteão pop, dominar o discurso cultural e influenciar outros artistas?

(não incluo nomes masculinos nesse discurso até porque a construção de carreira deles é tão confusa que a mesma pessoa que chama Drake de ícone pode chamar ele de A-List, ou Justin Bieber… Enfim, isso deixaremos para outro papo) 


Por isso, é importante que o Grammy observe essa futura batalha de discursos entre aqueles que chamo de “puristas” – os artistas pop que mesmo mesclando seu som com outros gêneros continuam sendo vistos e lidos como pop stars, até mesmo com uma brand bem pop; e os “integrados” (valeu Eco – peguei o nome mas o conceito não), que usam a brand pop tradicional para desconstruir a ideia de um pop star (ou rock, rap, R&B…) ou simplesmente ignoram essa ideia, visual e musicalmente. 


Depois dessa introdução (que mais parece um TCC), hora de falar do que vocês estavam esperando: o bom e velho exercício de futurologia do Grammy 2020, que neste ano será dia 26/01/2020, e por conta dessa data antecipada, o período de elegibilidade terminou um mês mais cedo para os artistas – 31/08. 

*quando eu falo “fim de década”, é apenas marcação. Eu sei que a década só termina em 2020, e mesmo assim, as influências de uma década anterior ainda prosseguem nos primeiros anos da seguinte

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O problema “Starboy” – “Lover”, Taylor Swift

Lá em 2016 eu escrevi uma resenha sobre “Starboy“, o hiperbólico quarto álbum de The Weeknd, em que eu achava o CD bem bom, mas que precisava ser menor. Considerava a duração de mais de uma hora (!) com dezoito músicas, bastante excessivo e distraído – quando as canções eram muito parecidas entre si, especialmente no meio-de-campo que quase chegava às raias do genérico. Entretanto, havia algumas gemas que poderiam ser lançadas como single, e no geral, um recut do CD com mais ou menos doze canções deixaria o álbum mais fluido.

Só que 18 músicas não foi só uma escolha artística ou do ego do cantor – esse número é uma tendência dos artistas recentemente, em busca das disputadas audições via streaming. Quanto mais faixas, mais audições, e mais tempo a pessoa passa ouvindo o CD, e mais streams você dá, aumentando a vendagem do álbum. O problema é quando você está em busca desse número mágico e esquece que precisa engajar os ouvintes – não apenas seus fãs fiéis.

E é este o meu problema com o novo da Taylor Swift, “Lover“.

Taylor Swift - Lover.png

Após um álbum que no seu melhor tem a elegância discreta de deepcuts como “Getaway Car” e o single “Delicate” e no seu pior… Melhor esquecer, Taylor decidiu dar um passo atrás – mas não num sentido ruim, e sim em sonoridade. Sai a produção pesada e all over de place de aberrações como “End Game” e entram materiais mais despretensiosos como “I Forgot You Existed”, por exemplo. O passo “atrás” se dá porque “Lover” parece uma natural continuação de “1989”, só que com mais leveza e maturidade no enfrentamento das novas situações. É como se “reputation” fosse o álbum “fora de lugar” na discografia porque não era o momento nem o lugar para ele acontecer.

(ver “Born This Way”, “Rated R”…)

A produção é bem mais chill, pop com sintetizadores, baladas synth e mais inspirações oitentistas beeem discretinhas, e no geral, as faixas variam entre o amor real e positivo que ela finalmente encontrou (após anos de relacionamentos cheios de problemas), problemas nos relacionamentos com drama (“Afterglow”) e algumas referências à ela mesma, à reputação, mas sem aquele egocentrismo bizarro do CD anterior – e sim com a autopercepção, assumindo posturas e posicionamentos. O que eu havia pensado que Taylor faria em 2017 ela entregou mais ou menos aqui – até mesmo seu entendimento de uma sociedade machista cheia de double standards (em “The Man”, que apesar de ser legal, composição usando projeção foi feita com melhores resultados em “Blank Space”, e aqui soa até clichê) – incluindo sua habilidade intrigante como contadora de histórias (“Soon You’ll Get Better”), algo que eu aprecio sempre na Taylor.

O objetivo dela não é exatamente fazer cinco mil hits, não é… Até pela notável ausência de Max Martin aqui, Taylor busca arejar com outras parcerias (apesar de Jack Antonoff ainda estar aqui como uma praga…) e o resultado é um CD bastante coeso especialmente nas primeiras cinco músicas.

Depois de “The Man”, aí entra o “problema Starboy” que eu tinha falado: muitas faixas que eu não consegui distinguir (a la trilha sonora da Riachuelo), e pra chegar nas highlights, você caminha por um meio de campo absolutamente entediante. Sem contar os primeiros singles entrincheirados no fim do álbum, não fazendo o menor sentido em relação ao resto do álbum nem em sonoridade, nem em letras.

Nisso a gente retorna à discussão no começo desse artigo: eu imagino que “Lover” foi feito para agradar quem consome música via stream, por isso as 18 faixas. Só que um álbum não é uma playlist do Spotify – ele precisa concatenar ideias de forma coesa e concisa, e se for um álbum pop, entremeando deepcuts e faixas com potencial de single. Quando você concatena ideias (✅) de forma coesa (✅) e concisa (❌) entremeando deepcuts (✅❌) e faixas com potencial de single (❌)…

Você entendeu o que eu quis dizer.

Em resumo: sim, Taylor Swift recuperou seu mojo e pode dizer que “Lover” é uma vitória após a confusão que foi a era reputation e o próprio CD. Ao mesmo tempo, eu realmente achava que seria O retorno, para sedimentar sua posição como uma das grandes estrelas pop de seu tempo, e a minha reação foi de puro tédio em vários momentos desta longa audição. O álbum venderá horrores, mas ainda espero a sensação de glória que tive ao ouvir o “1989” há uns cinco anos atrás.

E mantendo a tradição, tem RECUT DE LOVER com dez músicas!