Oi sumida! [2] New faces

Sumi mas voltei, e agora falando especificamente sobre essa dicotomia entre música pop x “fim dos gêneros” x dominância do rap no ano mais interessante em anos – 2019… Ou poderíamos chamar de 2014/2015?

Por que estou falando isso? Porque se prestarmos atenção a este período na música, foi justamente após a decadência do eletropop e o fim da disco-funk wave de 2013, foi impossível para muitos definir “o som” do momento. Era um período de transição, em que muitas coisas faziam sucesso ao mesmo tempo, enquanto os sinais da dominância do rap como gênero e principal produto cultural começavam a aparecer. Por exemplo, Fetty Wap bombou em 2015, trap começou a ficar mais popular, os virais rap chegaram ao top 10 (“Nasty Freestyle”, alguém?), o rap feminino buscou expandir suas estrelas (Iggy explodiu em 2014), Drake finalmente se tornou uma força a ser reconhecida.

Ao mesmo tempo, as grandes estrelas pop da época que sabiam construir o discurso de seu tempo chegavam ao auge (como Katy Perry, por exemplo), ou finalmente se assumiram como pop (Taylor Swift e o “1989”) – sem contar o processo de rebranding de Lady Gaga que ainda não havia começado, bem como pop stars que navegam de outra maneira no zeitgeist se tornaram ubíquos (o Lionel Richie Millennial, Bruno Mars). Já os atuais A-lists estouraram para a consciência pública justamente nestes anos, como Ariana Grande e The Weeknd. E a última grande popstar a surgir com uma formatação típica do período foi Meghan Trainor.

(eu desconsidero o fator Lorde nessa equação porque ela se intersecciona muito com a turma alternativa. Por mais que “Royals” tenha mudado o landscape para um som com vozes de menos volume e um pop mais down, eu acho que esse shift na popsfera não se deu com ela e sim com “Somebody That I Used To Know”, que exigia até mesmo que eu AUMENTASSE O VOLUME do meu celular para ouvir a faixa)

Ao mesmo tempo em que hoje não é possível indicar com evidência o que é pop de fato (tem dance? é urban-inspired? tem influência alternativa? é nostálgica?) ou mesmo o que é pop hoje, temos que levar em consideração outro fenômeno que podemos creditar sua atual forma a Drake: músicas que conversam com outros gêneros, cujo estilo é difícil de definir, e que nos leva a fenômenos como Post Malone e agora, um Lil Nas X que conseguiu fazer rock melhor do que Lil Wayne em 2009.

Naquela época as pessoas já achavam o uso excessivo do autotune uma coisa perigosa

Por isso, vamos dividir esse post da seguinte forma: o primeiro ponto é sobre o rap como produto cultural dominante, que finalmente parece estar deixando de ser um “clube do bolinha”… o que é essencial para o fortalecimento do gênero para os anos seguintes.

Nicki Minaj abriu as portas para o rap feminino brilhar no mainstream, mas a impressão que sempre tive era de que no período da sua dominância, havia uma estratégia a la Highlander quando se tratava da cena feminina:

A cada instante nascia um rapper masculino diferente, enquanto poucas femcees surgiam na mesma força – e quando estouravam, ou decaíam por material aquém e péssimas decisões de carreira dentro ou fora das redes sociais (Iggy) ou por péssimas decisões de carreira dentro das redes sociais (Azealia). No entanto, com a ascensão de Cardi B, parece que alguém (the powers to be, a indústria, quem quer que seja) percebeu que havia sim espaço para outras rappers femininas. Aos poucos, o espaço para femcees ascendentes ou artistas que não tinham espaço no mainstream até então começaram a surgir.

Dessa forma, você tem rappers sexualmente confiantes e cheias de personalidade como Megan Thee Stallion (que está na capa da prestigiada XXL na Freshman 2019 – ou seja, quem a revista classifica que serão os grandes nomes do rap neste ano), um som mais raw das City Girls, ou artistas que são tudo e mais um pouco: como você pode definir Lizzo (que encontrou exposição mainstream em seu terceiro álbum) por exemplo?

O crescimento de nomes femininos na cena (seja rap ou R&B) que não sejam Beyoncé ou Rihanna ou Nicki Minaj é importante para a solidificação de um estilo que domina a conversa cultural a cada dia. O BET Awards que ocorreu na semana passada, por exemplo, trouxe todos os astros que bombaram no último ano em apresentações bem produzidas com a plateia vibrando a cada performance. Nada de audiência entediada, shows preguiçosos e artistas que estão lá sem razão. O BET Awards é hoje o que VMA foi há anos atrás, e isso é um testemunho de que o pop perdeu o bonde da história.

E corre ainda mais riscos quando se pensa que você não tem um som específico que indique um denominador comum – e mais chocante ainda: os nomes novos colocaram esse “denominador comum” lá pra longe.

Eu me lembro de ter ouvido “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” da Billie Eilish e achado tudo bem… Esquisito, especialmente pra mim, que tenho preferência em som orgânico e ouvir instrumentos, e aparentemente a ausência de um gênero específico e definido no som também me trouxe um certo incômodo. Mas ouvindo as faixas isoladas, eu percebi como o som é um reflexo de uma geração que não se prende a rótulos, até mesmo na música.

“bad guy”, o single mais perto do #1 neste momento, é pop, mas é radio-friendly da maneira mais esquisita possível, já que tem o mínimo de produção possível, bateria seca e um outro trap que quebra todas as expectativas que você tinha com a música. Já “when the party’s over” me lembra muito aquele pop onírico da Lana del Rey (que a própria cantora já citou como influência). “you should see me in a crown” tem mais influência trap com pegada eletrônica; e certeza que ela ouviu “Black Skinhead” do Kanye na produção de “bury a friend”. Até mesmo material anterior ao debut, como “Ocean Eyes” é diferente. É um pop mais straight to the point, de boa qualidade também.

(a propósito, quem comparou Billie com Lorde estava delirando. Ela é como se fosse uma Lana del Rey adolescente e sem o lado retrô. Se existe alguma semelhança, está no uso de elementos urban para construir uma sonoridade pop, mas enquanto na neozelandeza a estrutura é familiar, aqui você demora a se acostumar com os twists and turns das músicas)

A sonoridade parece all over the place, mas tem uma lógica. Apesar das letras meio diário adolescente existencial (todos nós já passamos por isso), há comando do próprio som e da imagem mostrada nos clipes que parecem trailers de filmes de terror, e dificilmente podem ser reproduzidos ou imitados sem parecer que é alguém sendo tryhard. No geral, mesmo que exista um componente eletrônico no som, é visível que há influências mais pop piano-driven, trap e hip hop, que refletem a dominância dos últimos gêneros no inconsciente coletivo pop nos anos formativos da artista.

Mas ao mesmo tempo, não parece com a sua música pop típica, o que nos leva a uma conclusão: o interesse de Billie Eilish aqui não é em se definir com gêneros, mas ir além da divisão óbvia de gêneros.

Claro que, numa indicação ao Grammy, ” When We All Fall Asleep, Where Do We Go?” entraria numa categoria pop (mas não me surpreenderia se a gravadora submetesse a “alternative” porque é muito bold para a categoria, talvez?), mas se você pensar em álbuns que desafiam o que você entende por gêneros definidos, o outro “gen-z” que se adequa de forma ainda mais complexa nessa discussão de “gênero é não ter gênero” é…

Se você não é gen-z e já tem uma carreira sedimentada dentro da caixa tradicional, não fique chocado. Afinal de contas, mesmo que exista um público que não nutra mais interesse em você graças à distância entre os artistas atuais e a idade dos novos consumidores de música, ainda há um fandom e um grupo mais maduro e propenso a consumir música de outras formas – sem contar que os Millennials ainda são um público forte que consome, gasta e é fortemente identificado com os artistas. Então, se você não é um artista de rap ou não faz música dentro da caixinha, de que forma você pode se adequar aos novos tempos?

Isso, eu conto no próximo artigo do “Oi Sumida!” Até já!

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Oi sumida! [1] The “Old Town Road” summer

Oi, pessoal! Como todos vocês devem ter percebido, eu realmente sumi do blog porque a vida adulta me pegou de verdade – e estava tentando encontrar um espaço de tempo tranquilo para escrever calmamente aqui no “Duas Tintas” sobre música pop e o estado dela em 2019, um ano meio confuso pra mim, onde não dá pra falar de “gêneros” mais. OPS isso é papo pra outro artigo porque hoje é dia de falar sobre o verão de “Old Town Road”, o híbrido de country-rap que está dominando os charts da Billboard há DOZE semanas consecutivas, sem chance de diminuir (teve até single do Drake lançado e… nada). E com o lançamento do EP “7”, uma apresentação bacaníssima no BET Awards (e o verão americano realmente começando agora), duvido que a faixa perca tração – ainda lidera com folga os charts de streaming (que é onde interessa hoje) e ainda nem chegou ao topo das rádios… Então…

Mas o que interessa aqui é: será que a música vai superar “One Sweet Day”? E sobre os rivais, onde eles erraram na sua busca por tirar Lil Nas X e Billy Ray Cyrus do topo? E como o Grammy vai lidar com “Old Town Road”?

Apesar de um single com dois nomes poderosos do pop como Ed Sheeran e Justin Bieber ter hitado na Europa e estar hitando nos EUA, particularmente não consigo enxergar que é através deles ou desse single, “I Don’t Care”, o pop pode estar procurando um caminho próprio dentro dessa landscape diferente da segunda quinzena dos anos 2010 – pelo contrário, a música só é sucesso porque tem os nomes supracitados envolvidos – se um CHARLIE PUTH lançasse isso ficaria enterrado na irrelevância. Além disso, a música é bem fraquinha para o padrão dos dois artistas, e grita 2015 com essa vibe tropical, island, já realizada pelo próprio Bieber (e de alguma forma mais sutil pelo Sheeran) com melhores resultados. Sem contar o clipe pedindo pra viralizar mas falhando miseravelmente (a ideia era a gente usar imagens do clipe como gifs? Não colou não). A capacidade ubíqua de OTR, especialmente num vídeo que casa potencial viral, uso de tendências quentes como o Yeehaw Culture e uma discussão racial bem colocada, supera facilmente uma música com cara de reciclada. É esperar faixas melhores no quarto álbum do cidadão.

Quanto a Taylor, eu sinceramente acreditava que “ME!” seria o single a destronar OTR, até por ser bastante catchy e agradável ao ouvido, além do sentimento gostoso de nostalgia Noughties (com direito a featuring do Brandon Urie). Além disso, essa estética pastel fofinha meio instagram é bem vinda num ano super tenso e dark como 2019. Mas… “You Need to Calm Down” NÃO é a música para ser #1 contra uma faixa fortíssima como OTR. Primeiro, é anticlimática até em seu refrão, a letra (super bacana e bem-vinda também no apoio da Taylor à causa LGBT) também tenta dialogar com a cultura pop geral através de versos com potencial de virar quote, mas a impressão é de que não funciona bem, e até mesmo o clipe estrelado (com a reconciliação das rivais Taylor e Katy) que ajudou a ganhar streamings (Taylor espertíssima) não garante a ubiquidade da faixa como música em si + clipe + repercussão. Houve repercussão? Claro, mas nem se compara ao break the internet que Taylor causou quando do lançamento do primeiro single do “Reputation”, ou na era “1989” – a impressão que fica é de que as táticas que funcionavam há dois anos atrás hoje não funcionam, especialmente quando a música não é tão forte como segundo single que continua a conversação em torno do novo material. Se você perceber, o discurso em 2019 se tornou rap como principal gênero x músicas que não pertencem a gêneros específicos (papo para outro artigo but ok, vou destrinchar neste momento uma parte da conversa), e os singles lançados até agora pela Taylor são pop… Mas não conversam com a discussão geral.

E para “piorar” a situação das suas faves, Lil Nas X lançou seu EP “7“, que apesar de algumas críticas mistas, é a cereja no bolo de um case de marketing e de música que só me faz virar stan desse menino. O EP tem oito músicas (duas sendo OTR), 18 MINUTOS de duração e a música mais longa tem 2’43”. Ou seja, feito para consumo repetitivo eterno nos streamings. Quanto mais eu ouço “Rodeo”, a música com mais potencial de ser #1 desse grupo, mais eu dou streams, e com 2’39” de duração, eu posso floodar eternamente meu Spotify sem cansar porque a música é curtíssima! Além disso, Lil Nas X entendeu perfeitamente o briefing de 2019. Gêneros musicais? OUTDATED. O EP não tem uma definição específica de gênero, tem duas faixas visivelmente rap (“Panini” e “Kick It”), duas músicas híbridas country-rap (OTR e “Rodeo”) duas músicas com vibe rock/pop punk anos 2000 (“F9mily” e “Bring U Down”) e uma faixa meio R&B moderninha (“C7osure”). A produção é curadíssima e até elegante, e apesar dos versos serem corny em vários momentos, tudo tem uma vibe “adolescente fazendo música” e “adolescente de 13 anos rebelde sem causa” que sinceramente vai ser consumido até a exaustão pelos teens e tweens – são letras simples e fáceis de captar, além de versos perfeitos para legenda de instagram.

Mas o que interessa aqui é: eu não sei em que categoria enquadrar esse EP. Lil Nas X é rapper? Boa pergunta, ele canta em boa parte do EP! Tem ROCK no álbum pra você ficar batendo cabeça! Eu não sei, duvido que a Billboard saiba e o Grammy hahahahahahahahahahha

Como vocês já sabem, o Grammy coloca tudo em caixinhas (os afamados fields) e tanto OTR quanto “7” não fazem sentido em caixinhas (é o problema que Drake enfrentou com “Hotline Bling”, por exemplo). “Old Town Road” fica em rap? Country? O próprio Lil Nas X já disse que a faixa é country-trap, então eu suspeito que a Columbia coloque em “rap/sung” é a única categoria em que dá pra encaixar fazendo sentido e não perdendo a chance de indicação… Acredito que entra em Gravação e eu colocaria em Canção porque a letra é super perspicaz, sinceramente. Já o EP… sinceramente… Como uma das mudanças do Grammy é a inclusão de comitê para pop e rock fields para ter um comitê geral que resolva tretas com artistas que trabalham com mistura de categorias, acho que eles terão MUITO trabalho aqui – evidentemente, tudo depende de como a Columbia vai submeter.


No próximo post do “OI SUMIDA” eu vou falar sobre algumas das novas faces da música em 2019 e me estender mais sobre essa O FIM DOS GÊNEROS (bold statement, hein?) e se isso procede mesmo. Até logo!

Country or not country? “Old Town Road” coloca a Billboard em maus lençóis

Nos últimos dias, a Billboard esteve no centro de uma polêmica envolvendo uma faixa lançada em dezembro que viralizou e se tornou uma das músicas mais ouvidas nos charts country, “Old Town Road“, do jovem rapper Lil Nas X. A música, que estreou em #19 na Billboard Hot Country Songs chart poderia ter sido #1 nas paradas do gênero nesta semana, se não fosse uma decisão da “Bíblia Musical” de retirar a faixa dos charts do gênero por não encontrar na música elementos suficientes do country atual, mesmo com imagem e elementos que lembrem a estética country (a letra tem versos como ” I’m gonna take my horse to the old town road”, “I got the horses in the back/Horse tack is attached”, “Hat is matte black/Got the boots that’s black to match”). A música tem banjo, vocais com referências country, em meio a uma batida trap pesada que dropa pra todo mundo dançar (a propósito, a musica ficou no charts de hip hop/R&B…).


O rapaz de 19 anos, nascido Montero Hill, aliás, ótimo nome de cantor country, disse que a faixa era um country-trap, um blend (bem-feito, aliás) de dois gêneros, mas muita gente acha que não é country porque tem rap e batida trap. No entanto, hip hop atualmente se tornou uma das maiores inspirações do country pop, cujos artistas vêm pegando emprestado as batidas e colocando um toque country, por consequência tocando horrores nas rádios. Ou seja, o rap já vem mudando a cara do country, e isso não é de hoje.

Nelly já tem histórico de crossover country!

Ou seja, a desculpa de “falta de elementos country” de “Old Town Road” cai por terra quando você descobre que essas faixas tiveram airplay forte em rádios COUNTRY e pra mim isso é algum pop com pegada country. Além disso, várias faixas que nada tem a ver com country tocaram horrores dentro do gênero (“Meant to Be”, alguém?); então, não é apenas uma questão do que se adequa melhor ao gênero e que pode entrar na rádio.

O racismo pode aparecer das formas mais sutis, como por exemplo, artistas brancos que usam de gêneros como rap para fazer country popificado são bem-vindos nas rádios do gênero, enquanto um artista negro fazendo algo similar é rejeitado por “não ser country o suficiente“. “Old Town Road” é mais country que a Taylor Swift no “Red”, que foi indicado a um Grammy na categoria, quando o (excelente) álbum de transição da moça tinha que ter ficado com uma vaga no pop field.

E como eu dei a dica no caso do Nelly, crossovers rap/country não são coisa nova (Nelly and Tim McGraw say hello), e em tese, existem espaços para esse tipo de intersecção. O próprio Lil Nas X repete que a faixa é country-trap e deveria estar tanto nas rádios country quanto na de hip hop. Ou seja, há espaço pra esse som – se for coisa do Florida Georgia Line, é o que parece.

A propósito, “Over and Over” não tocou em rádios Country, apesar de ter participação de uma lenda do gênero.

O que podemos concluir, até certo ponto, é que um artista negro, fora de Nashville (o rapper é de Atlanta, terra do rap que influencia todos os sons das rádios americanas no momento), não pode ser abraçado pelos charts conservadores da Billboard fazendo uma música que consegue ser mais “roots” do que os maiores sucessos do gênero na história recente. Se ele fosse branco, seria recebido de braços abertos – com aquele nariz torcido dos mais puristas, mas bateria recordes de audiência mesmo assim e manteria o gênero “vivo”.

Entra o co-sign de uma lenda do country nessa história toda: Billy Ray Cyrus (que os mais jovens conhecem como o pai da Miley) pariticipou do remix de “Old Town Road” (que ganhou mais versos, desta vez sob a perspectiva de uma estrela “das antigas” rica que deseja voltar ao começo), e entregou não apenas sinceridade na faixa, mas um apoio nessa disputa que se tornou algo muito maior do que a Billboard poderia imaginar quando tomou a decisão. Esse encontro estava, de certa forma, escrito: o próprio Lil Nas X quem tinha interesse de incluir Billy Ray na faixa; e o artista foi um dos que se opuseram à decisão da Billboard em retirar a faixa dos charts e ainda o cumprimentou como um outlaw do country. O próprio Billy Ray sofreu isso no passado – seu maior hit, “Achy Breaky Heart“, dividiu ouvintes, que disseram que a faixa destruiria o estilo, enquanto a música acabou abrindo espaço para novos ouvintes, já que o gênero estava morrendo no começo dos anos 90. De ser marginalizado pelas rádios, esse entende.

Agora, com o apoio de uma figura importante do country, será que a música pode ser considerada como tal?

Ainda tem outra teoria…

O racismo faz parte da discussão sobre a ausência de “Old Town Road” nos charts country? Sim. Mas existe uma motivação da indústria que é bem curiosa: como a faixa cresceu graças aos streamings (e como é uma faixa independente, os DJs das rádios country tinham que baixar a música do YouTube para atender aos apelos de quem pedia a música nos programas), isso poderia causar problemas num gênero que tem muita dependência das rádios para sobreviver. O country ainda não sofre a influência do stream, que de certa forma é incontrolável e não atende aos desejos dos donos de rádios e payola tradicional – qualquer coisa pode viralizar, incluindo o que não se aplica à caixinha convencional do que é “country”. Então, pode ser que a Billboard tenha sido pressionada também por esses players a limitar as músicas que devem ser consideradas “country” para evitar a dominância de uma plataforma que pode, por conta dos desejos do público, modificar de forma real o que realmente os ouvintes consideram como sendo aquele gênero ou não.

Olha o que Montero Hill aprontou…

Mas não existem artistas negros no country?

Importante ressaltar que Lil Nas X não é a primeira pessoa negra a estar inserida no country. Existe um espaço, mas é muito pequeno, pra não dizer micro, sendo que uma das origens do gênero é justamente o BLUES, de origem negra. Ou seja, mais um gênero em que os negros foram deixados de lado para se tornar totalmente branco – e masculino. É só ver como Carrie, Miranda, as Dixie Chicks, Kacey, sofrem horrores para se manterem visíveis dentro do field.

Entre os acts famosos do gênero negros estão Charley Pride, uma das lendas country, além de Darius Rucker, super respeitado, e acts mais jovens como Mickey Guyton e Kane Brown (com mãe branca e pai negro).

Ou seja, o country é um gênero que já tem problemas de representatividade seríssimos, e quando se confronta com um blend moderno, já feito pelos artistas “certificados como Country”, mas desta fez feito por alguém que é um outsider reclamando sonoridades que são, de fato, suas (pensando no rap criado pelos negros americanos), os charts recusam por… Razões pelas quais deveriam recusar Florida Georgia Line, Sam Hunt… Ou seja, não há explicação plausível para esta resistência, ou a novidade da Billboard que está “considerando” colocar “Old Town Road” de volta ao chart country – de onde nunca deveria ter saído: o remix de “Old Town Road” é tão country quanto a versão original. A diferença é a inclusão de um artista country na música. Tipo, só agora?

A propósito, já que essa é a lógica, Post Malone vai continuar nos charts de rap quando o cara literalmente canta nas músicas ou só vale pra manter a “pureza” de um gênero, ou impedir os streamings de influenciar o chart country?

As coisas estão ficando cada vez mais curiosas no reino da Billboard… Enquanto isso, ouçam o excelente remix de “Old Town Road”, talvez o próximo hino do verão americano:

P.S.: eu ando meio sumida do blog porque minha vida está uma loucura: estou completando minha graduação (agora Licenciatura) e entrei num curso de professor de Inglês, sem contar o trabalho e outros projetos pessoais. Mas não abandonei o Duas Tintas 😊 como milhares de coisas acontecem na indústria, eu decidi que não ficaria tão restrita a resenha-discussão sobre charts-etc e sim trabalhar nesse fluxo mais direto, com artigos sobre coisas que estão acontecendo na popsfera e que valem a pena ser discutidas. Pode ser que saia algo 1x por semana ou 2x ao mês, mas vou tentar publicar e manter o blog movimentado

O canal também vai voltar, mas tudo depende do meu computador suportar as edições… 😭

Combo de Lançamentos [1]

Depois de retornar do meu período de hibernação pós-Grammy (sinceramente, fiz desintoxicação musical e foi a melhor decisão ever), hora de voltar aos trabalhos e falar um pouco dos lançamentos musicais, entre álbuns e músicas, que podem ter sido comentados (ou não) dentro da popsfera.

Ariana Grande, “thank u, next” (lançado em 08/02)

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/d/dd/Thank_U%2C_Next_album_cover.png

E eu que achava que Ariana não faria melhor que “Sweetener”… “thank u, next” é uma potência de produção, letras e evolução tanto no som quanto nas temáticas, tanto em relação ao álbum anterior da moça, como em toda a sua carreira. É evidente que quem acompanha Ari desde “Yours Truly” sabe que ela sempre teve os dois pés no pop/R&B e que era questão de tempo até que ela fosse full pop ou introduzindo uma vibe mais urban/rap em seus trabalhos. Boa leitora do pop como ela é, Ariana fez melhor: ela entendeu o que realmente está fazendo sucesso (como o trap/urban) e colocou sua pegada pop e radiofriendly com sua voz de ouro (e dicção boa, finalmente) num dos trabalhos mais fodas do mainstream no ano.

Os temas do “Sweetener” relacionados a inquietações pessoais e ansiedade permanecem em TUN (como em “needy” e “fake smile”), assim como as temáticas de sempre da jovem (no caso, relacionamentos amorosos na excelente e SINGLE MATERIAL “bloodline”, “make up” e seu joguinho de palavras e a super onírica “ghostin”, uma das highlights do CD que deveria encerrar a tracklist), mas tudo com um toque de amadurecimento de quem realmente está vivendo ou viveu essas emoções. Ariana Grande tem história pra contar agora e coloca isso nas músicas. Além disso, “thank u, next” representa muito dos sentimentos e dúvidas de ordem geracional, que impactam parte da fanbase da moça, que é bem jovem, e de uma turma millennial e Gen-Z que se identifica com ela.

(guardadas as devidas proporções de impacto e sucesso, essa leitura do pop e identificação com um público geracional é mais ou menos o que Rihanna fazia tão bem enquanto lançou CDs. Aliás, cadê você RiRi?)

Entre os três primeiros singles, eu já tinha dado minha opinião sobre a faixa-título, mas é engraçado como tanto ela quanto “7 rings” funcionam bem melhor no álbum do que isoladamente. Em relação à segunda, eu acho uma ótima tradução pop de um som atual, mas a letra não tem sinceridade alguma e entra em terrenos bem perigosos. Das três, de longe “break up with your girlfriend, I’m bored” é a melhor – e maravilhosa demais! Não merecia encerrar o álbum, mas eu entendo perfeitamente a presença dessas três músicas no final da tracklist (aliás, ótimo trabalho de Max Martin e Ilya… será que voltarão aos bons momentos?).

Resumidamente, eu AMEI “thank u, next” e acho assombroso o quanto essa menina consegue ir evoluindo e lançando um CD melhor do que o outro. Isso me faz torcer por coisas brilhantes no futuro, e é a prova de que Ariana cimentou seu lugar não apenas como A-list no pop, mas como uma das grandes artistas de sua geração, num todo.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Jonas Brothers, “Sucker” (lançado em 28/02)

Você se lembra de quando os artistas teen masculinos com quem as meninas queriam casar (e certeza que já deviam fazer fanfics desde aquela época) eram os Jonas Brothers? Havia a eterna disputa de quem era mais bonito (não conheço uma abençoada que tenha escolhido Kevin), as músicas eram cantadas e usadas como perfil do Orkut (RIP) à exaustão, tinham ainda os triângulos amorosos da Disney Miley-Nick-Selena, o vai-e-volta entre Joe e Demi, a série dos caras no canal… Eles já foram indicados ao Grammy e cantaram com fucking STEVIE WONDER! Ahhh que saudades do late 2000’s gente…

Pois bem, seis anos após o lançamento do seu último single, e carreiras solo decentes ou bem-recebidas numa banda (vi DNCE ao vivo e Joe nasceu pra ser frontman de banda, sério), os JoBros retornam com “Sucker“, que tomou o feed de nostalgia adolescente e o grande público com um pré-refrão grudento e um refrão ainda mais, cortesia também de Ryan Tedder, um dos compositores da faixa (o “I’m a sucker for all…” com o falsetinho no “all” tem as fingerprints do hitmaker). A música é uma delícia e a cara da banda: é um upbeat pop com aquelas guitarrinhas gostosas e super adulto. é exatamente o que o Jonas Brothers faria depois de alguns anos se ainda tivesse na estrada e não tivesse parado. A letra é bem trabalhada e mesmo com muita informação no refrão, tem repetições suficientes para grudar na sua cabeça – além do “I’m a sucker for you” ser um verso catchy o suficiente pra captar sua atenção.

E cara, assobios no pop = HIT!

O clipe, lançado no mesmo dia da música (é disso que eu gosto, fogo no olhar!) é maravilhoso, com a participação especial de Priyanka Chopra, Sophie Turner e Danielle Jonas, respectivamente esposa, noiva e esposa de Nick, Joe e Kevin (nunca me esqueço de que ele tinha um reality show com a esposa no E! Entertainment Television), super divertido e com figurinos e cenários que gritam investimento – e com essas participações especiais em situações bem-humoradas ao mesmo tempo que super fofas, foi feito pra hitar no YouTube. O resultado desse lançamento que gerou conversa e nostalgia de geral? Chance de lançamento em #1 na Billboard próxima segunda. EU OUVI UM AMÉM IRMÃOS?

(só espero que o DNCE não suma porque me recuso a lidar com Maroon 5 tendo a carreira que deveria ser deles)

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Cardi B & Bruno Mars, “Please Me” (lançado em 15/02)

Num outro espectro musical, vários escorpianos vão nascer por causa de “Please Me” (e eu não sei seter mais escorpianos no mundo é uma boa ou má notícia haha) e vocês podem creditar à segunda parceria entre Cardi B e Bruno Mars. Se “Finesse [Remix]” é a dupla na escola participando da feira de conhecimentos, “Please Me” é uma festa de pegação na faculdade.

“Please Me” é outro throwback 90s – elemento já conhecido do havaiano mas quase nunca tocado por Belcalis, e com um approach mais R&B do que nunca pra Cardi, mostrando que ela está com foco ainda mais crossover do que apenas o público rap, mas sem cair no pop – o que é uma excelente ideia. Sem perder o bom humor de seus versos (“your pussy basura/my pussy horchata” já é meu top 10 do ano) e ainda em posição de dominância no refrão grudento af (onde é ele quem pede por favor, uma raridade dentro das dinâmicas rapper + cantor/a), “Please Me” é outro win win situation para os dois, provando que o banho de carisma em “Finesse” se repete em condições ainda mais maravilhosas nessa faixa.

(se vc acha que rolava alguma coisa entre Gaga e Bradley Cooper na Awards Season, senta e prepara sua habilidade de fanfic, porque aqui se Cardi e Bruno não se pegaram é porque são ambos comprometidos e respeitam seus relacionamentos ao contrário de uma pessoa cujo nome rima com Upset)

O clipe, ao contrário do que eu e todo mundo pensou, ao invés de ir pro sexy, foi pro modo fofo e o resultado foi ótimo – com ecos de Grease e uma storyline fofíssima, não dá pra não ficar em shipping mode e a única coisa que pensei assistindo foi FUCK OFFSET! Coreografias bem-feitas, ótima fotografia, carisma e química saindo pelos poros e Bruno de bigode (!) O clipe ajudou bastante a manter a música com ótima audiência e a previsão é de top 3 na Billboard semana que vem.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐


E vocês? O que acharam desses lançamentos? O que esperam para as próximas semanas nos charts? E quem vocês acham que está perto de lançar material novo?

Drops Grammy 2019 [3] Canção e Gravação do Ano

Falta uma semana para o Grammy 2019 e a escriba que vos fala continua a saga de análises dos indicados ao prêmio mais importante da música; desta vez com o General Field. A discussão aqui é mais do que “Música de Grammy”, e sim a importância da Academia fazer valer a mudança que fez para ampliar o escopo – especialmente em se tratando de Gravação do Ano.

E repetimos o mantra deste ano: 2018 é exceção!

Drops Grammy 2019 [2] Pop Duo/Group Performance

Demorei, mas cheguei com o primeiro vídeo do ano (culpem meu notebook de quase oito anos de idade hahaha) falando de Grammy, especificamente as indicações na categoria de colaboração.

Entre indicações sentimentais e músicas cantadas com a alegria de quem está trabalhando em pleno feriado, vamos comentar quem tem mais chances de levar o gramofone dia 10/02.

*SIM, FINALMENTE VI A STAR IS BORN*

O próximo vídeo será no clima do General Field, falando de Canção e Gravação do Ano, e suas narrativas conflitantes em relação aos grandes nomes x o que o grande público está informando como mensagem. Não percam!

Design de um top 10 [40] e o atual estado da música

Eu demorei muito a fazer um post novo com a análise do top 10 da Billboard (último post? 24 de setembro, JEEZ) porque eu literalmente não estava a fim. Não por preguiça de escrever, mas a preguiça de acompanhar mesmo. Talvez porque a música pop esteja nesse limbo que venho relatando há algum tempo, ou porque o que vinha fazendo sucesso não me apetecia ou era relatável às minhas experiências em nada.

Talvez seja esse melancólico momento da mudança de guarda entre gerações. Eu sou uma old millennial (tenho 28 anos), e me sinto a cada dia mais apartada da “cultura jovem” – e olha que faço um esforço hercúleo para me manter atualizada. Gen-Z tem seus próprios códigos, interesses e principalmente estilos e modos de performance que muitas vezes não se aplicam ao que eu ou parte da geração com a qual cresci curte.

Por isso, tentando entender o que muitos que me leem ouvem, mudei completamente a abordagem do Design de um Top 10 com uma análise resumida e sincera de CADA música que chegou às dez primeiras posições esta semana no Billboard Hot 100. Isso mesmo. Uma análise com filtro bem reduzido, sobre cada uma das faixas e seus desempenhos.

Antes de mais nada, o resumo geral:

Top 10 Billboard Hot 100 (12.01.2019)

1+1HalseyWithout Me
2-1Ariana GrandeThank U, Next
3+2Post Malone & Swae LeeSunflower
4=Travis ScottSICKOMODE
5+1Panic! at the DiscoHigh Hopes
6+1Bastille & MarshmelloHappier
7+7Maroon 5Girls Like You
8+4Lil Baby & GunnaDrip too Hard
9+6Kodak BlackZEZE
10+13Post MaloneBetter Now

#1 “Without Me” – Halsey é o nome mais mainstream de um pop que a gente nos fóruns da vida chamava de tumblr-pop, altamente confessional e moody, mas ao contrário de um act mais conceitual como Lana del Rey, por exemplo, as influências aqui são mais adolescentes, uma estética de imagem quase instagram e letras prontas para serem convertidas em gif. Pra completar, a voz dela ainda é extremamente adocicada, quase Disney, mas mesmo num ambiente absurdamente bland como é o pop atual, Halsey consegue se destacar, por oferecer nesse grupo essa mistura de pop com urban e eletrônico perfeito para o top 40 – nem tão ~hard~ que as soccer moms não possam ouvir, tampouco muito polido que não seja tocado numa playlist crossover do Spotify.

Além disso, a influência urban no trabalho dela é a prova de que o urban é o pop, que influencia os acts que tentam fazer sucesso atualmente, caso eles não rimem. Parece que funcionou, porque hoje Halsey é uma das poucas da nova leva do pop cuja voz eu consigo distinguir, bem como a aparência, numa seara de acts intercambiáveis. Apesar da voz dela não ser uma das mais agradáveis ao meu ouvido, “Without Me” é grudenta como poucas faixas pop lançadas nos últimos anos e tem uma coisa que eu busco como sedento por água no deserto: PUNCH, um refrão que tenha cara de refrão e algum interesse na música que está cantando. Ela vive na sua performance a música que canta e pra mim já é o suficiente.

#2 “Thank U, Next” – Confesso que eu acho essa música tão ruim! O sucesso de TUN é bem evidente quando pensamos que a grande estrela pop do momento é Ariana Grande, a que mais sabe conversar com a geração Z, usou inteligentemente suas relações pessoais numa música com um quote já imortalizado pela cultura pop (“thank u, next”) e um dos vídeos mais legais do ano, com tudo que a gente sempre quis num vídeo pop. Ela é uma das poucas do gênero que tem bom retorno no Streaming, e agora a música está crescendo na rádio – ou seja, se não retornar ao primeiro lugar (onde ficou por sete semanas não consecutivas), é hit massivo e consolidado. (aliás, esse álbum novo dela parece que finalmente vai colocá-la além das colegas de geração e fazer Ariana jogar com os chefes)

No entanto, a letra é muito ruim, extremamente infantil, e a tal ponto que parece uma paródia ruim do SNL, assim como o arranjo apenas simpático e o meu principal problema com a faixa: a DICÇÃO de Ariana. Eu falo tão bem da moça, como ela está melhorando em sua interpretação, como falta pouco para se tornar A vocalista de sua geração, e uma das mais importantes dos últimos anos, mas as grandes divas FALAVAM muito bem em suas músicas – e isso é essencial até mesmo para cantar melhor.

#3 “Sunflower” – Ficaria muito contente se alguém me explicar por que Post Malone faz tanto sucesso. Isso deve ser culpa do Drake.

#4 “SICKO MODE” – uma das coisas mais estranhas (e incríveis) de um gênero como o rap ser o dominante no mainstream é ver colagens insanas e pouco identificáveis com o top 40 como “SICKO MODE” chegarem ao topo da Billboard. Sério, essa música do Travis Scott é estranha, mas de um jeito bom! Parece de verdade uma colagem foda de algo vindo de um surto de inspiração – a música começa com Drake, entra com outro arranjo, depois vira pra outra música e tem samples e interpolações que constroem uma faixa que, se não bomba nas rádios tradicionais, é a cara do Streaming. Tanto que lidera o chart específico e não é por nada.

Por isso que o rap é o gênero que está pensando para a frente e tentando sair da casinha musicalmente, desde coisas mais standard até trabalhos que constroem ambientes, como este aqui.

#5 “High Hopes” – de todas as bandas da onda pop rock/emo/gótica/punk rock/similares que bombaram nos anos 2000, Panic! At The Disco seria a última que eu imaginaria se manter 13 anos após o estouro. Sério. Aos 15/16 anos, eu achava sinceramente que seria one-hit wonder pra gente se lembrar nas listas do futuro.

No entanto, Brandon Urie e suas mudanças constantes de lineup se mantiveram até hoje vivos, com um som que parece algo menos pretensioso de quando eles estouraram, no entanto com a cara da banda: meio teatral, histriônico, mas com bom ouvido pop. Pelo menos o rock tá vivo em algum canto, e tentando se mexer em estilo. Porque se não se mexer, morre de vez.

Brendon Urie GIF by Panic! At The Disco

#6 “Happier” – uma das poucas coisas que se manteve constante desde a decadência do pop e sua restrição ao nicho é o fato de que o EDM mais orgânico manteria muitas carreiras vivas por aí, daria oportunidades a artistas mais teen ou de nicho para estourar crossover e esse crossover seria o mais próximo de pop “puro” que os amantes do gênero poderiam ter. No entanto, até essa trend parece igual. Essa faixa parece com outra faixa do mesmo Marshmello que parece com alguma faixa dos Fumacinhas. Que tédio.

#7 “Girls Like You” – Sem comentários, eu odeio essa música.

#8 “Drip Too Hard” – eu entendo que hoje Atlanta é a capital do rap nos EUA, mas isso não significa que tudo que venha de lá seja excepcional. Que música ruim!

#9 “ZEZE” – Surreal como Kodak Black nunca é a melhor pessoa da faixa em que ele está. E aqui em “ZEZE” a situação só piora porque ele é o lead. Imagina ter que lidar com o flow de mosquito o álbum INTEIRO? Não gente, e nessa faixa, Offset (que não é a estrela do Migos, mas não chega a ser um Takeoff que ninguém se lembra direito) parece mais o artista principal que Kodak.

#10 “Better Now” – eu já comentei num dos vídeos sobre o Grammy a respeito de “Better Now”. Eu jurava que era pior do que é, de verdade.


Esses foram as minhas considerações sobre o top 10 da Billboard que saiu esta semana. Como eu disse, é uma análise sincera e sem muito filtro sobre os singles, e como eu os vejo com meu olhar de old millennial. Se vocês forem millennials também, e se sentem deslocados nessa “nova ordem”, fiquem à vontade para comentar. A turma Gen-Z pode falar também sobre suas músicas preferidas e dar sua opinião. Estou esperando os comentários de todos!